Honda Civic: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais

2006 a 2021 (8ª, 9ª e 10ª geração)

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O Honda Civic é o sedã médio que marcou época no Brasil como alternativa esportiva e bem acabada ao Corolla, e como usado ele aparece principalmente em três gerações: a 8ª (2006 a 2011), o famoso New Civic, com motor 1.8 SOHC i-VTEC e visual futurista que virou objeto de desejo, a 9ª (2012 a 2016), mais discreta, com 1.8 e depois o 2.0, e a 10ª (2016 a 2021), que trouxe os motores 2.0 e 1.5 turbo com câmbio CVT e um salto grande de tecnologia. O ponto de atenção mais citado em todas as fases é o coxim hidráulico do motor, uma espécie de calço que amortece a vibração e, quando se rompe, deixa o motor tremendo e transmitindo trepidação para dentro do carro, além do cuidado com o óleo do câmbio automático e do CVT, que pedem troca em dia. A fama esportiva fica por conta das versões Si, mais focadas em desempenho, mas o que decide se vale a pena é o estado e o histórico da unidade, não o ano, e para preço use a tabela FIPE oficial.

Honda Civic Touring, sedã médio, visto de frente
Foto: JasonVogel, CC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons). Ilustrativa, Honda Civic Touring da 10ª geração.

Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Honda Civic, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.

O Civic é um dos sedãs médios mais desejados do Brasil, conhecido por juntar um visual bonito, bom acabamento e um toque esportivo que o diferenciou dos concorrentes mais sóbrios. Assim como o Corolla, ele já teve várias gerações por aqui, com motores e câmbios bem diferentes, e entender essa diferença é o primeiro passo. A 8ª geração, de 2006 a 2011, é o famoso New Civic, aquele de desenho futurista e painel em dois andares, com motor 1.8 SOHC i-VTEC, que virou objeto de desejo e ainda é muito procurado. A 9ª geração, de 2012 a 2016, foi mais discreta no visual e trouxe, além do 1.8, a opção 2.0 no facelift. E a 10ª geração, de 2016 a 2021, deu um salto de tecnologia, com motores 2.0 aspirado e 1.5 turbo ligados ao câmbio CVT.

Como esta página é focada em quem procura um Civic usado, ela trata dessas três gerações e comenta a fama esportiva das versões Si, que sempre foram as mais voltadas ao desempenho. Em cada ponto fica claro de qual fase estamos falando, e nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores, o consumo real de referência, os problemas que mais aparecem, com destaque para o coxim do motor, como é a manutenção, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio.

Resumo rápido

Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível e o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado. Para ilustrar as fases, a tabela compara o New Civic 1.8 da 8ª geração com o 1.5 turbo da 10ª, que são dois perfis bem distintos no mercado de usados.

ItemNew Civic 1.8 (8ª geração)Civic 1.5 turbo (10ª geração)
MarcaHondaHonda
CategoriaSedã médioSedã médio
Motor1.8 16v SOHC i-VTEC, gasolina ou flex1.5 16v turbo, gasolina
Potênciacerca de 140 cvcerca de 173 cv
Torqueperto de 17 kgfmperto de 22 kgfm
Câmbiomanual de 5 marchas ou automático de 5 marchasCVT que simula marchas
Traçãodianteiradianteira
Combustívelgasolina no início e flex depoisgasolina
Tanquecerca de 50 litroscerca de 47 litros
Porta-malasperto de 450 litrosperto de 519 litros
Consumo na cidadeperto de 8 a 9 km/l (gasolina)perto de 9 a 11 km/l
Consumo na estradaperto de 12 a 13 km/l (gasolina)perto de 13 a 14 km/l

Vale notar que o New Civic começou só a gasolina e passou a ter versão flex ao longo da 8ª geração, que a versão esportiva Si dessa fase usava um motor 2.0 i-VTEC de cerca de 197 cv com câmbio manual de 6 marchas, e que a 10ª geração também ofereceu, além do 1.5 turbo, um motor 2.0 aspirado de cerca de 155 cv nas versões de entrada.

História do modelo

O Civic é um dos carros mais tradicionais da Honda no mundo, mas foi a partir da 8ª geração, lançada no Brasil em 2006 como New Civic, que ele explodiu de popularidade por aqui. Com um desenho futurista para a época, painel dividido em dois níveis e o motor 1.8 SOHC i-VTEC, ele se posicionou como o sedã médio bonito e moderno, rival direto do Corolla, e conquistou uma legião de fãs, o que ajuda a explicar por que ainda é tão procurado como usado. Ao longo dessa geração ele ganhou versão flex e teve a esportiva Si, com motor 2.0 e foco em desempenho.

Em 2012 chegou a 9ª geração, que foi mais conservadora no visual e dividiu opiniões justamente por parecer pouco ousada perto do New Civic. Ela manteve o 1.8 i-VTEC e, no facelift de meados da geração, trouxe também um motor 2.0 mais potente nas versões superiores, além de seguir com câmbio automático. Apesar de menos chamativa, é uma geração sólida e ainda muito rodada.

A 10ª geração, lançada por aqui em 2016, foi um salto grande: visual mais baixo e esportivo, interior moderno e a estreia dos motores 2.0 aspirado e, principalmente, o 1.5 turbo, ambos ligados ao câmbio CVT. Essa fase trouxe mais tecnologia de conforto e segurança e recolocou o Civic como referência de sedã médio premium acessível. Ela ficou em linha até 2021, quando a Honda encerrou a produção do sedã no Brasil, o que deixou a 10ª geração como um usado relativamente moderno, embora sem carro novo saindo de fábrica por aqui. As gerações seguintes passaram a chegar de forma mais restrita, então o foco do usado fica nessas três fases.

Versões e motores

Como o Civic teve gerações e motores diferentes, o mais útil é separar por fase, lembrando que os nomes das versões mudaram ao longo dos anos.

Na 8ª geração, o New Civic (2006 a 2011), você encontra:

  • 1.8 SOHC i-VTEC (LXS, LXL, EXS): o motor principal da geração, de cerca de 140 cv, com bom equilíbrio entre desempenho e consumo, oferecido com câmbio manual de 5 marchas ou automático de 5 marchas, sendo as versões mais completas as que trazem mais equipamento.
  • 2.0 i-VTEC (Si): a versão esportiva, de cerca de 197 cv, com câmbio manual de 6 marchas, suspensão mais firme e foco em desempenho, importada e muito desejada por quem gosta de dirigir.

Na 9ª geração (2012 a 2016):

  • 1.8 i-VTEC (LXS, LXL): o motor de entrada, de cerca de 140 cv, seguindo a linha da geração anterior, com câmbio automático.
  • 2.0 i-VTEC (EXR): o motor mais forte, de cerca de 155 cv, que chegou no facelift e ficou nas versões superiores, com mais equipamento.

Na 10ª geração (2016 a 2021):

  • 2.0 i-VTEC aspirado (EX, EXL): o motor de entrada dessa fase, de cerca de 155 cv, com câmbio CVT, voltado a quem quer o Civic moderno sem o custo do turbo.
  • 1.5 turbo (Touring): o motor topo de linha, de cerca de 173 cv, que junta boa força com consumo equilibrado, também com câmbio CVT, sendo a versão mais completa e desejada da geração.

Uma dica honesta, que vale para qualquer Civic, é não confiar só no nome da versão, porque o que importa mesmo é conferir na hora o que aquele carro específico realmente tem de equipamento e como está de mecânica e de estado geral, já que um exemplar bem cuidado de versão simples pode valer mais a pena que um topo de linha maltratado.

Motor e mecânica

Os motores i-VTEC da Honda têm boa fama de durabilidade e de bom desempenho, então, no geral, a mecânica do Civic é bem resolvida. Ainda assim, há dois pontos que você precisa entender antes de tudo, um ligado ao coxim do motor e outro ao câmbio.

Primeiro, o nome do motor:

i-VTEC: é a tecnologia da Honda de comando de válvulas variável, que ajusta o funcionamento das válvulas conforme a rotação para melhorar desempenho e consumo. Na prática, é um sistema maduro e confiável, que ajuda o motor a ser esperto em baixa rotação e ainda ter fôlego em alta, mas depende de óleo limpo e no nível certo para funcionar bem, porque a parte variável trabalha com a pressão do óleo.

O ponto de atenção mais citado do Civic, em várias gerações, é o coxim do motor, e vale entender bem o que é:

Coxim hidráulico do motor: é uma espécie de calço que prende o motor à estrutura do carro e serve para amortecer a vibração, e no Civic o coxim do lado direito costuma ser hidráulico, ou seja, cheio de fluido por dentro. Com o tempo a borracha desse coxim pode rachar e o fluido vazar, e aí o coxim “murcha” e deixa de amortecer, fazendo o motor tremer e transmitir trepidação para o volante e o assoalho, principalmente na marcha lenta, no ponto morto e com o ar-condicionado ligado. Não é uma falha que quebra o carro, mas incomoda muito e o conserto é a troca do coxim, de custo moderado.

O segundo ponto é o câmbio, que muda conforme a geração:

Câmbio automático e CVT: as gerações mais antigas usam câmbio automático convencional, cujas trocas podem ser sentidas como um pouco lentas, principalmente em ultrapassagem na 8ª geração, enquanto a 10ª geração adotou o CVT, um automático sem trocas bruscas que simula marchas. O CVT é suave e econômico, mas depende do óleo específico em dia e não gosta de superaquecer, podendo apresentar solavancos, atraso na resposta ou barulho quando o fluido está vencido ou o câmbio muito desgastado, então a troca de óleo do câmbio em dia protege a parte mais cara.

Fora esses pontos, o Civic é conhecido por motor durável, e alguns motores podem apresentar um leve consumo de óleo entre as trocas, algo relatado em unidades da 9ª geração, o que reforça o hábito de checar o nível do óleo com frequência.

Consumo

Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol nas versões flex, e um sedã médio como o Civic naturalmente bebe mais do que um carro pequeno, ainda que o 1.5 turbo seja surpreendentemente econômico para a potência.

Na 8ª geração (New Civic):

  • 1.8 com gasolina: perto de 8 a 9 km/l na cidade e 12 a 13 km/l na estrada, com o etanol rendendo bem menos nas versões flex.
  • 2.0 Si: por ser mais potente e esportivo, tende a gastar mais, principalmente se for exigido.

Na 9ª geração:

  • 1.8 e 2.0 com gasolina: consumo parecido com o da geração anterior, na casa dos 8 a 10 km/l na cidade e 12 a 13 km/l na estrada, variando entre os dois motores.

Na 10ª geração:

  • 2.0 aspirado: perto de 8 a 10 km/l na cidade e 12 a 13 km/l na estrada.
  • 1.5 turbo: apesar de mais forte, é eficiente e fica na casa dos 9 a 11 km/l na cidade e 13 a 14 km/l na estrada, sendo um dos pontos fortes da versão.

Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir, o peso e a carga, o ar-condicionado ligado e a manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa, lembrando que dirigir o turbo com o pé pesado derruba o consumo rapidamente.

Manutenção

O básico pra manter um Civic saudável envolve alguns itens, sendo eles:

  • Óleo e filtro de óleo do motor: o item mais importante para a durabilidade do i-VTEC, que precisa ser trocado no prazo e com o óleo na especificação certa, conforme a seção de óleo mais abaixo, com atenção redobrada nos motores que consomem um pouco de óleo entre trocas.
  • Óleo do câmbio automático ou CVT: ponto importante no Civic, porque o câmbio depende desse óleo específico em dia para não dar solavanco nem desgaste, principalmente no CVT da 10ª geração.
  • Coxins do motor: item de atenção clássico do Civic, que devem ser checados quando aparece trepidação anormal, com destaque para o coxim hidráulico.
  • Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo, e no 1.5 turbo o cuidado com a qualidade do combustível e do ar é ainda mais importante.
  • Velas de ignição: que no turbo pedem atenção ao intervalo de troca, porque motor turbinado é mais exigente nesse ponto.
  • Correia dos acessórios: a correia externa que move o alternador e afins, que resseca com o tempo e pede troca.
  • Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
  • Sistema de arrefecimento: cujas mangueiras, válvula termostática, bomba de água e fluido envelhecem, cuidado ainda mais relevante no motor turbo, que esquenta mais.
  • Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil, e num sedã com esse desempenho o desgaste merece atenção.
  • Suspensão: cujos amortecedores, batentes, buchas, terminais e pivôs se desgastam, ponto citado como de atenção na dianteira do New Civic.
  • Pneus: conforme a seção de pneus.

Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário do carro, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui. No caso do Civic, respeitar o intervalo de óleo do motor e do câmbio protege justamente as partes mais caras de consertar.

Problemas comuns

Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa. Separamos por tema porque alguns pontos aparecem em mais de uma geração.

Coxim do motor: trepidação

  • O que é: o coxim hidráulico que segura o motor pode se romper e vazar, deixando de amortecer a vibração.
  • Como perceber: o motor treme e passa trepidação para o volante, o câmbio e o assoalho, principalmente na marcha lenta, no ponto morto e com o ar-condicionado ligado.
  • Possíveis causas: desgaste natural da borracha e do fluido do coxim com o tempo e a quilometragem.
  • Gravidade: baixa a média, porque não quebra o carro, mas incomoda muito e o conserto é a troca do coxim.
  • O que fazer: confirmar com um mecânico se a trepidação vem do coxim e trocar a peça, e, ao comprar usado, sentir o carro parado com o ar ligado para perceber vibração fora do normal.

Câmbio automático e CVT: óleo e desgaste

  • Como perceber: na 8ª geração, trocas percebidas como lentas em ultrapassagem, e no CVT da 10ª geração solavancos, atraso na resposta, chiado que aumenta com a velocidade ou luz de aviso, geralmente depois de muitos quilômetros.
  • Possíveis causas: óleo do câmbio vencido ou esticado, superaquecimento e desgaste interno.
  • Gravidade: pode ser alta se for negligenciado, porque um reparo grande de câmbio é caro.
  • O que fazer: manter a troca do óleo do câmbio em dia e testar o câmbio com calma no test drive.

Motor: consumo de óleo entre trocas

  • Como perceber: o nível do óleo baixa entre uma troca e outra sem vazamento visível, relatado em algumas unidades, principalmente da 9ª geração com 1.8.
  • Gravidade: baixa a média se for pequeno e acompanhado, então o hábito de checar o nível do óleo com frequência evita sustos.

Suspensão dianteira e ruídos

  • O que é: com o tempo e o piso ruim, itens como buchas, batentes, kits de amortecedor, terminais e pivôs se desgastam, ponto citado na dianteira do New Civic.
  • Como perceber: barulhos secos ao passar em buraco ou lombada, direção com folga ou o carro instável.
  • Gravidade: média, porque mexe com conforto e estabilidade, mas são peças de manutenção normal.

Itens de acabamento, ar e elétrica

  • Como perceber: rangidos no painel, desgaste de acabamento interno com o uso, ar-condicionado pedindo manutenção ou falhas pontuais em itens elétricos, mais comuns nos exemplares muito rodados.
  • Gravidade: baixa, mais ligada a conforto do que a mecânica.

Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade, já que um Civic bem cuidado costuma ser um sedã tranquilo de conviver.

Quando você deve se preocupar

Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:

  • luz de óleo acesa ou temperatura do motor subindo demais, cuidado ainda maior no 1.5 turbo;
  • fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
  • vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
  • trepidação forte do motor na marcha lenta, sinal clássico de coxim comprometido;
  • solavancos, trancos ou atraso claro nas trocas do câmbio automático ou CVT, ou barulho vindo dele;
  • barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
  • perda de força ou o carro “engasgando” e falhando;
  • dificuldade pra ligar;
  • cheiro forte de combustível;
  • freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado.

Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando, e no Civic qualquer sintoma estranho no câmbio ou no motor turbo merece avaliação rápida, porque são as partes mais caras de consertar.

Vale a pena comprar um Honda Civic usado?

Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, mas ainda assim dá pra pesar alguns pontos, lembrando que a resposta muda conforme a geração.

Pontos positivos

  • Motores i-VTEC com boa fama de durabilidade e desempenho agradável, com um toque esportivo que muitos concorrentes não têm.
  • Visual bonito e bom acabamento, principalmente no New Civic e na 10ª geração, que envelheceram bem.
  • Boa rede de peças e assistência, por ser um carro muito vendido, e a 10ª geração com 1.5 turbo entrega força e economia raras na categoria.
  • Bom espaço interno e porta-malas grande, conforto de sedã médio e boa dose de equipamento nas versões completas.

Pontos de atenção

  • O coxim do motor é ponto de atenção clássico e pode gerar trepidação chata, ainda que o conserto não seja dramático.
  • O câmbio automático e o CVT pedem disciplina com o óleo, sob risco de reparo caro se forem negligenciados.
  • Alguns motores podem consumir um pouco de óleo entre trocas, o que exige o hábito de checar o nível.
  • Como a Honda encerrou a produção do sedã no Brasil, vale conferir a disponibilidade e o preço de algumas peças da 10ª geração, e o 1.5 turbo pede combustível de qualidade e manutenção em dia.

Resumindo de forma honesta, um Civic bem cuidado, com coxins em ordem, câmbio revisado e histórico de manutenção, é um sedã médio bonito, gostoso de dirigir e durável, enquanto um exemplar barato demais, com trepidação ignorada, câmbio negligenciado ou quilometragem altíssima sem histórico, pode virar dor de cabeça, então o foco tem que estar no estado e no histórico, e não só no nome Honda.

Checklist de compra

Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos:

  • Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho
  • Trepidação com o carro parado, ligado e com o ar-condicionado acionado, para sentir o estado dos coxins
  • Câmbio automático ou CVT, testado no test drive sem solavancos, trancos, atraso na resposta ou barulho
  • Histórico de troca do óleo do motor e do câmbio, de preferência com notas e comprovação
  • Nível e estado do óleo do motor, checando se não está baixo, o que sugere consumo de óleo
  • Temperatura, que deve ficar normal depois de esquentar e sem vazamento de água, atenção redobrada no 1.5 turbo
  • Embreagem, nas versões manuais, que não deve patinar em subida
  • Direção, sem folga, ruído ou peso anormal
  • Suspensão dianteira, sem batidas em buraco e com o carro estável
  • Freios, que devem parar reto e com pedal firme
  • Pneus, com desgaste parelho, todos iguais e em bom estado
  • Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, painel, multimídia e luzes
  • Ar-condicionado, que deve gelar de verdade
  • Carroceria, sem sinais de batida, ferrugem, pintura desalinhada ou infiltração
  • Interior, com bancos e acabamento em ordem e sem cheiro de mofo ou água
  • Documentação em dia, sem pendências e sem restrição, atenção a versões esportivas modificadas
  • Histórico de manutenção completo, com registro de óleo, câmbio e revisões

Preço e tabela FIPE

Aqui não inventamos preço, porque o valor de um Honda Civic muda muito conforme a geração, a versão, o motor, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença grande entre um New Civic 1.8 simples, um Civic 1.5 turbo Touring completo e uma versão esportiva Si.

A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque um carro bem conservado, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto um carro batido, com problema de câmbio ou documentação pendente vale bem menos.

No caso do Civic, vale lembrar que versões esportivas como o Si e topos de linha como o Touring costumam ter valorização diferenciada, então não estranhe se pedirem mais por elas. O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão e o ano do carro que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque um Civic barato demais costuma esconder algum problema, muitas vezes ligado a coxim, câmbio, quilometragem real ou histórico de batida.

Custos de manutenção

Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão do carro.

O que dá pra dizer com honestidade é que o Civic tem uma boa rede de peças e mecânicos, por ser um carro muito comum, mas por ser um sedã médio de marca valorizada algumas peças e serviços podem custar um pouco mais que os de um carro popular. A troca do coxim do motor é um serviço relativamente comum e de custo moderado, enquanto um reparo grande de câmbio CVT negligenciado é o que mais pesa no bolso, reforçando a importância do óleo em dia. No 1.5 turbo, alguns itens ligados ao motor turbinado pedem combustível de qualidade e manutenção rigorosa, e vale checar a disponibilidade de peças da 10ª geração, já que a Honda encerrou a produção do sedã no Brasil. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.

Óleo e fluidos

Confira sempre o manual e a etiqueta do carro, mas, como referência, vale saber que a especificação muda conforme o motor e a geração:

  • Motores i-VTEC aspirados: costumam pedir óleos sintéticos de viscosidade fina, como 5W-30 ou similar indicado pela Honda, respeitando a especificação do manual.
  • 1.5 turbo: por ser um motor turbinado e mais exigente, pede óleo exatamente na especificação recomendada pela Honda e troca em dia, porque o turbo é sensível a óleo velho ou fora da norma.
  • Óleo do câmbio automático e CVT: é um fluido específico, e no CVT em especial não dá pra improvisar nem esticar a troca, porque o câmbio depende exatamente desse produto para trabalhar sem desgaste, então use sempre o recomendado pela Honda.
  • Capacidade: varia conforme o motor, então o certo é seguir o que o manual do seu carro indica.

Usar um óleo fora da especificação certa, tanto no motor quanto no câmbio, pode prejudicar a lubrificação e antecipar desgaste, então não troque a viscosidade nem a especificação por conta própria, e, para os demais fluidos, como freio e arrefecimento, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água.

Pneus e rodas

A medida muda conforme a geração e a versão, sendo que as versões de entrada costumam usar rodas menores, comumente aro 15 ou 16, enquanto as versões mais completas e esportivas, como Touring e Si, aparecem com aro 17, com pneus mais largos e de perfil mais baixo, que melhoram a estabilidade e a aparência em troca de um custo maior e de um conforto um pouco menor.

O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas do carro é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, evitando trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, no consumo e na segurança.

Desempenho

Como referência, e lembrando que o Civic sempre teve um apelo mais esportivo que a média dos sedãs médios:

  • 1.8 i-VTEC (8ª e 9ª geração): oferece desempenho satisfatório para o dia a dia e boa retomada, agradando quem quer um sedã equilibrado.
  • 2.0 i-VTEC (9ª e 10ª geração): é mais forte que o 1.8, com melhor fôlego para estrada e carro cheio.
  • 1.5 turbo (10ª geração): é o mais empolgante das versões de rua, com boa força em rotações baixas graças ao turbo, entregando ótima retomada e ainda assim bom consumo.
  • 2.0 Si (8ª geração): é a versão esportiva de verdade, focada em desempenho e prazer de dirigir, com câmbio manual e suspensão firme, voltada a entusiastas.

Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor e o combustível, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa. Quem procura emoção olha o Si ou o 1.5 turbo, enquanto quem quer equilíbrio se dá bem com os aspirados.

Conforto e equipamentos

O Civic sempre foi um sedã médio confortável e bem acabado, com bom espaço interno, banco traseiro folgado e porta-malas grande, o que o torna uma boa opção de carro de família ou de viagem. A cada geração o carro ganhou mais isolamento acústico, acabamento mais moderno e mais itens de conforto e segurança, então um exemplar da 10ª geração é bem mais tecnológico por dentro do que um New Civic, embora este último ainda impressione pelo painel diferente e pelo desenho marcante.

Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como ar-condicionado digital, central multimídia, câmera de ré, bancos de couro, chave presencial, partida por botão e pacotes maiores de airbags e assistências aparecem principalmente nas versões topo de linha, como EXL e Touring, enquanto as de entrada são mais básicas, ainda que já tragam o essencial. Na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão, porque a diferença de equipamento entre uma versão e outra é grande.

Perguntas frequentes

Quanto o Honda Civic faz por litro? Depende da geração, do motor e do combustível, mas como referência com gasolina o 1.8 do New Civic costuma andar perto de 8 a 9 km/l na cidade e 12 a 13 km/l na estrada, enquanto o 1.5 turbo da 10ª geração, apesar de mais potente, é econômico e fica na casa dos 9 a 11 km/l na cidade e 13 a 14 km/l na estrada, sempre rendendo menos no etanol nas versões flex, e tudo isso é aproximado e depende do trânsito e do seu jeito de dirigir.

Qual o principal problema do Honda Civic? O ponto mais citado em várias gerações é o coxim hidráulico do motor, que é um calço cheio de fluido que amortece a vibração do motor, e que com o tempo pode se romper, vazar e deixar o motor tremendo, passando trepidação para o volante e o assoalho, principalmente na marcha lenta e com o ar-condicionado ligado, sendo um reparo de custo moderado mas que incomoda bastante quando aparece.

Qual a diferença entre as gerações do Civic no Brasil? A 8ª geração, de 2006 a 2011, é o New Civic de visual futurista com motor 1.8 SOHC i-VTEC, a 9ª, de 2012 a 2016, é mais discreta e trouxe também o 2.0 no facelift, e a 10ª, de 2016 a 2021, é a mais moderna e tecnológica, com motores 2.0 aspirado e 1.5 turbo ligados ao câmbio CVT, sendo que as versões Si, mais esportivas, sempre foram as focadas em desempenho.

O Honda Civic é confiável? Pode ser bem confiável, porque os motores Honda i-VTEC têm fama de duráveis e o carro é bem montado, mas exige atenção ao coxim do motor, ao óleo do câmbio automático e do CVT e, em alguns motores, ao consumo de óleo entre trocas, então o que decide mesmo é o histórico de manutenção daquela unidade, e não só o nome Honda.

Quanto custa um Honda Civic na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, o ano e o estado, e versões esportivas como o Si e topos de linha como o Touring costumam valer mais, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pelo modelo e ano exatos e usar isso como referência de mercado, não como preço fixo.

Galeria

Fotos de Honda Civic enviadas por leitores do Carro Raiz.

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