Ford Ka: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais

1997 a 2021 (Ka antigo e Novo Ka)

Atualizado em

O Ford Ka é o hatch de entrada da Ford e teve fases bem diferentes: o Ka antigo, de visual arredondado, começou em 1997 com o fraco motor Endura e melhorou muito com o Zetec Rocam 1.0 e 1.6, que usa corrente e é simples e econômico, enquanto o Novo Ka, de 2014 a 2021, estreou uma plataforma global com motores 1.0 e 1.5 de três cilindros da família TiVCT, além da versão sedã Ka+ e da linha aventureira FreeStyle. No Novo Ka o ponto de maior atenção é a correia dentada que trabalha banhada em óleo e pede troca de óleo religiosamente em dia e na especificação certa, enquanto no Ka antigo o que mais aparece são itens elétricos e de arrefecimento. Como sempre, o que decide se vale a pena é o estado e o histórico da unidade, não o ano, e para preço use a tabela FIPE oficial.

Ford Ka 1.5 SEL 2020, hatch compacto, visto de frente
Foto: Maxi-Napo-99, CC BY 4.0 (Wikimedia Commons). Ilustrativa, Novo Ford Ka 1.5 SEL.

Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Ford Ka, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.

O Ka é o hatch de entrada da Ford e teve fases bem diferentes ao longo dos anos, o que é importante entender antes de qualquer coisa. O Ka antigo, aquele de desenho arredondado e marcante, foi lançado no Brasil em 1997 e ficou muitos anos em linha, começando com o fraquinho motor Endura e melhorando bastante quando ganhou os motores Zetec Rocam 1.0 e 1.6. Já o Novo Ka, apresentado em 2014, é um projeto global totalmente diferente, mais moderno, com motores 1.0 e 1.5 de três cilindros, versão sedã (o Ka+ ou Ka Sedan) e até uma linha aventureira chamada FreeStyle, ficando em produção até 2021, quando a Ford encerrou a fabricação de carros no Brasil.

Como são carros bem distintos, esta página trata das duas fases e deixa claro em cada ponto de qual delas está falando. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores que ele teve, o consumo, os problemas que mais aparecem, como é a manutenção, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio.

Resumo rápido

Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível e o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado. Para ilustrar as duas fases, a tabela compara um Ka antigo com motor Rocam 1.0 e o Novo Ka 1.0 de três cilindros.

ItemKa antigo 1.0 RocamNovo Ka 1.0 TiVCT
MarcaFordFord
CategoriaHatch compactoHatch compacto
Motor1.0 8v Zetec Rocam1.0 12v três cilindros, flex
Potênciacerca de 65 a 73 cvcerca de 80 cv na gasolina e 85 cv no etanol
Torqueperto de 8,7 a 9,3 kgfmperto de 10 a 10,7 kgfm
Câmbiomanual de 5 marchasmanual de 5 marchas (houve automático no 1.5)
Traçãodianteiradianteira
Combustívelgasolina ou flex, conforme o anoflex
Tanquecerca de 40 a 42 litroscerca de 42 litros
Carroceriashatch 2 portashatch 4 portas e sedã (Ka+)
Consumo na cidadeperto de 11 a 12 km/l (gasolina)perto de 13 km/l (gasolina)
Consumo na estradaperto de 14 km/l (gasolina)perto de 15 km/l (gasolina)

Vale notar que os primeiríssimos Ka, de 1997 a 1999, saíram com o motor Endura 1.0, que era bem fraco (na casa dos 53 a 55 cv) e só a gasolina, e que o carro só ficou realmente melhor de motor quando passou para a linha Zetec Rocam a partir da linha 2000.

História do modelo

O Ford Ka chegou ao Brasil em 1997 como um dos primeiros subcompactos nacionais, com aquele visual arredondado e diferente que dividiu opiniões na época e acabou virando marca registrada do carro. No começo ele vinha com o motor Endura 1.0, um projeto antigo e de baixa potência, que deixava o carro devagar, e foi só na virada para os anos 2000 que a Ford trocou esse motor pela família Zetec Rocam, bem mais moderna, econômica e com corrente no lugar da correia, o que melhorou muito a experiência.

Esse Ka antigo ficou em linha por muitos anos, passando por reestilizações que mudaram principalmente a frente e o acabamento, e conviveu no mercado como opção barata de entrada da Ford. Enquanto a Europa recebeu, em 2008, uma segunda geração do Ka feita em parceria com a Fiat, o Brasil seguiu com a linha do Ka original por mais tempo, o que explica encontrar por aqui exemplares relativamente recentes ainda com aquele desenho clássico.

A grande virada veio em 2014, quando a Ford lançou o Novo Ka, um projeto global construído sobre uma plataforma nova e moderna, sem nenhuma ligação com o Ka antigo a não ser o nome. Esse Novo Ka trouxe motores 1.0 e 1.5 de três cilindros da família TiVCT, uma versão sedã batizada de Ka+ (ou Ka Sedan) e, mais tarde, a linha aventureira FreeStyle, com visual mais robusto. Ele foi produzido até 2021, quando a Ford encerrou a fabricação de veículos no Brasil, o que hoje deixa o Novo Ka como um usado relativamente moderno, embora sem carro novo saindo de fábrica.

Versões e motores

Como o Ka teve duas fases muito diferentes, o mais útil é separar por geração.

No Ka antigo você vai encontrar basicamente:

  • Motor Endura 1.0 (1997 a 1999): o motor de partida do carro, bem fraco e apenas a gasolina, que hoje só interessa a quem gosta de carro antigo, porque anda pouco e é datado.
  • Zetec Rocam 1.0: o motor que fez o Ka antigo valer a pena, moderno para a época, econômico e com corrente de distribuição, aparecendo em versões de acabamento simples como a GL e outras que mudaram de nome ao longo dos anos.
  • Zetec Rocam 1.6: a opção mais forte do Ka antigo, com bom fôlego para um carro pequeno e leve, procurada por quem queria um Ka mais animado, inclusive em versões esportivas de acabamento como a Sport.

No Novo Ka (2014 a 2021) as opções são:

  • 1.0 TiVCT três cilindros flex: o motor de entrada, econômico e suficiente para a cidade, presente na maioria das unidades e em versões de acabamento como SE e SE Plus.
  • 1.5 TiVCT três cilindros flex: o motor mais forte, que dá conta melhor de estrada e de carro cheio, aparecendo em versões mais completas como SEL e Titanium e, dependendo do ano, com opção de câmbio automático.
  • Carroceria sedã (Ka+ / Ka Sedan): a versão de porta-malas separado, para quem quer mais espaço de bagagem mantendo o tamanho compacto.
  • Ka FreeStyle: a linha de visual aventureiro, com para-choques e detalhes próprios e postura mais alta, oferecida com o 1.0 ou o 1.5 conforme o ano.

Uma dica honesta, que vale para qualquer Ka, é não confiar só no nome da versão, porque o que importa mesmo é conferir na hora o que aquele carro específico realmente tem de equipamento e como ele está de mecânica e de estado geral.

Motor e mecânica

Aqui é onde as duas fases do Ka mais se diferenciam, então vale entender cada uma.

No Ka antigo, o motor que interessa é o Zetec Rocam, tanto no 1.0 quanto no 1.6, e ele traz uma boa notícia de manutenção:

Corrente de distribuição: é a peça que sincroniza o movimento interno do motor, e, diferente da correia dentada de borracha que muitos carros usam, a corrente de metal do Rocam tende a durar mais e não tem um prazo curto e fixo de troca. Ainda assim ela pode dar sinal de desgaste com os anos, então, se aparecer um barulho metálico no motor, vale investigar em vez de ignorar.

O Rocam é conhecido por ser simples, resistente e econômico, com peça barata e mecânico em qualquer canto, já que a base é compartilhada com o Fiesta da época, e o que mais aparece nele são itens de arrefecimento e de parte elétrica, que você vê na seção de problemas.

No Novo Ka, a conversa muda de figura por causa do motor três cilindros TiVCT, e o ponto que você precisa entender antes de tudo é este:

Correia dentada banhada em óleo: nos motores 1.0 e 1.5 do Novo Ka, a correia que sincroniza o motor não fica seca como na maioria dos carros, e sim trabalha mergulhada no próprio óleo do motor. O projeto é pensado para durar muito, mas depende de uma condição: a troca de óleo tem que ser feita religiosamente em dia e com o óleo na especificação exata, porque, se o óleo for esticado ou for usado um produto fora da norma, a borracha da correia pode se degradar e soltar detritos que sujam o sistema de lubrificação, o que em casos graves entope o pescador da bomba de óleo e pode levar o motor à retífica, que é um reparo grande e caro.

Ou seja, no Novo Ka a manutenção do óleo deixa de ser só recomendável e passa a ser o cuidado mais crítico do carro, e é justamente por descuido nesse ponto que aparecem os relatos mais preocupantes. Fora isso, o três cilindros é um motor moderno, de bom consumo e desempenho equilibrado, mas é natural que ele tenha uma vibração um pouco mais perceptível na marcha lenta do que motores de quatro cilindros, o que é característica do tipo e não defeito.

Consumo

Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol, já que boa parte dos Ka é flex e o etanol sempre rende menos quilômetros por litro.

No Ka antigo com motor Rocam:

  • 1.0 com gasolina: perto de 11 a 12 km/l na cidade e cerca de 14 km/l na estrada, sendo um carro leve e econômico.
  • 1.6 com gasolina: um pouco abaixo disso, por ter mais motor, embora ainda seja econômico para o desempenho que entrega.

No Novo Ka:

  • 1.0 com gasolina: perto de 13 km/l na cidade e cerca de 15 km/l na estrada, sendo apontado no lançamento como um dos compactos mais econômicos do país.
  • 1.5 com gasolina: um pouco mais gastão que o 1.0, ficando na casa dos 11 a 12 km/l na cidade e 13 a 14 km/l na estrada.
  • No etanol: em qualquer motor, espere um consumo bem menor, na ordem de vários quilômetros por litro a menos, já que é da natureza do combustível render menos.

Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir, o peso e a carga, o ar-condicionado ligado e a manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa.

Manutenção

O básico pra manter um Ka saudável envolve alguns itens, sendo eles:

  • Óleo e filtro de óleo: o item mais importante em qualquer Ka e absolutamente crítico no Novo Ka três-cilindros, por causa da correia banhada em óleo, então precisa ser trocado no prazo e com o óleo exatamente na especificação certa, conforme a seção de óleo mais abaixo.
  • Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo.
  • Velas e cabos ou bobinas: responsáveis pela ignição, sendo que, quando estão gastos, causam falha, engasgo e aumento de consumo, e no Ka antigo a bobina e o sensor de rotação aparecem como itens de atenção.
  • Correia de distribuição: no Ka antigo o Rocam usa corrente, que dura mais, enquanto no Novo Ka há a correia banhada em óleo, que segue o intervalo do manual e depende do óleo em dia.
  • Correia dos acessórios (do alternador e afins): que costuma ressecar com o tempo e pedir troca.
  • Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
  • Sistema de arrefecimento: cujas mangueiras, a carcaça da válvula termostática e as peças plásticas envelhecem e ressecam, ponto sensível principalmente no Ka antigo, como você vê logo abaixo.
  • Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil.
  • Suspensão: cujos amortecedores, batentes, coxins e buchas se desgastam e afetam o conforto e a segurança.
  • Pneus: conforme a seção de pneus.

Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário do carro, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui. No caso específico do Novo Ka, respeitar o intervalo de óleo do manual não é só recomendação, é o que protege o motor.

Problemas comuns

Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa. Separamos por fase porque os pontos fracos são diferentes.

Novo Ka: correia banhada em óleo e cuidado com a lubrificação

  • O que é: a correia de distribuição do três-cilindros trabalha dentro do óleo do motor e depende de troca de óleo em dia e na especificação certa.
  • Como perceber: barulho de tuchos ou de batida na parte de cima do motor, luz de óleo ou perda de pressão, e, em casos avançados, perda de força ou falha do motor.
  • Possíveis causas: troca de óleo esticada ou óleo fora da especificação, que degradam a correia e sujam o sistema.
  • Gravidade: pode ser alta, porque em casos graves leva o motor à retífica.
  • O que fazer: manter a troca de óleo rigorosamente em dia e certa, e, ao comprar usado, valorizar quem tem histórico de revisão comprovado.

Novo Ka: direção elétrica

  • Como perceber: perda repentina da assistência da direção, deixando o volante pesado, às vezes com aviso de falha da direção elétrica no painel.
  • Gravidade: média a alta, porque mexe com a segurança e costuma pedir avaliação especializada.

Novo Ka: itens relatados de acabamento e vedação

  • Como perceber: relatos de faróis embaçando ou danificando por dentro e de infiltração de água, além da ausência de indicador de temperatura no painel em algumas versões, o que exige atenção redobrada com o arrefecimento.
  • Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto e a custo, mas a falta de marcador de temperatura pede cuidado.

Ka antigo: sistema de arrefecimento

  • O que é: são as peças que controlam a temperatura do motor, como a carcaça da válvula termostática, mangueiras e componentes plásticos que com o tempo ressecam e racham.
  • Como perceber: a temperatura sobe mais que o normal, aparece marca de água ou líquido embaixo do carro, ou surge um cheiro doce.
  • Gravidade: pode ser séria, porque rodar superaquecido estraga o motor.
  • O que fazer: se a temperatura disparar, não insista, pare com segurança e avalie, e nas revisões fique de olho no estado das mangueiras e da carcaça do termostato.

Ka antigo: parte elétrica e ignição

  • Como perceber: o carro falha, engasga ou não pega, às vezes por bobina de ignição ou sensor de rotação com defeito, além de eventuais falhas em itens elétricos.
  • Gravidade: média, porque atrapalha o funcionamento e pode deixar você na mão.

Ka antigo: marcha lenta e acabamento simples

  • Como perceber: marcha lenta oscilando, ligada ao atuador de marcha lenta, além de acabamento espartano e alguns rangidos, típicos de um carro simples e antigo.
  • Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto e funcionamento fino do que a segurança.

Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade.

Quando você deve se preocupar

Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:

  • luz de óleo acesa ou temperatura subindo demais, lembrando que no Novo Ka nem toda versão tem marcador de temperatura no painel;
  • fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
  • vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
  • barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
  • perda de força ou o carro “engasgando” e falhando;
  • direção ficando pesada de repente ou aviso de falha da direção elétrica no painel;
  • dificuldade pra ligar;
  • cheiro forte de combustível;
  • freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado.

Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando.

Vale a pena comprar um Ford Ka usado?

Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, mas ainda assim dá pra pesar alguns pontos, lembrando que a resposta muda conforme a fase do carro.

Pontos positivos

  • O Ka antigo com motor Rocam é leve, econômico e simples de manter, com peça barata compartilhada com o Fiesta da época.
  • O Novo Ka é bem montado, moderno, econômico e com bom espaço para o tamanho, além de ser um usado relativamente recente.
  • Nas duas fases é um carro compacto, fácil de dirigir e de estacionar na cidade.

Pontos de atenção

  • O Ka antigo é simples e antigo, pede atenção com arrefecimento e parte elétrica e o motor Endura, dos primeiros anos, é fraco.
  • O Novo Ka exige disciplina total com a troca de óleo por causa da correia banhada em óleo, sob risco de dano caro ao motor.
  • Como a Ford saiu da fabricação no Brasil, vale conferir a disponibilidade e o preço de algumas peças do Novo Ka antes de comprar.

Resumindo de forma honesta, um Ka bem cuidado pode ser um usado racional e econômico, seja um Rocam antigo simples de manter, seja um Novo Ka moderno com histórico de óleo em dia, enquanto um exemplar malcuidado, principalmente um Novo Ka com troca de óleo negligenciada, pode virar uma dor de cabeça cara, então o foco tem que estar no estado e no histórico.

Checklist de compra

Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos:

  • Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho, com atenção a batidas na parte de cima do motor no Novo Ka
  • Histórico de troca de óleo, item crítico no Novo Ka por causa da correia banhada em óleo, de preferência com notas e comprovação
  • Temperatura, que deve ficar normal depois de esquentar e sem vazamento de água, lembrando que nem todo Novo Ka tem marcador no painel
  • Câmbio, com troca de marchas suave, sem barulho ou arranhão
  • Embreagem, que não deve patinar em subida
  • Direção, principalmente no Novo Ka, sem peso repentino nem aviso de falha da direção elétrica
  • Suspensão, sem batidas em buraco e com o carro estável
  • Freios, que devem parar reto e com pedal firme
  • Pneus, com desgaste parelho, todos iguais e em bom estado
  • Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, painel e luzes
  • Faróis do Novo Ka, checando embaçamento ou dano interno
  • Ar-condicionado, que deve gelar de verdade quando o carro tem o item
  • Carroceria, sem sinais de batida, ferrugem, pintura desalinhada ou infiltração
  • Interior, com bancos e acabamento em ordem e sem cheiro de mofo ou água
  • Documentação em dia, sem pendências e sem restrição
  • Histórico de manutenção completo, com registro de óleo e revisões

Preço e tabela FIPE

Aqui não inventamos preço, porque o valor de um Ford Ka muda muito conforme a geração, a versão, o motor, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença grande entre um Ka antigo simples e um Novo Ka mais completo.

A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque um carro bem conservado, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto um carro batido, com problema de motor ou documentação pendente vale bem menos.

O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão e o ano do carro que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque preço bom demais costuma esconder algum problema, e no caso do Novo Ka vale prestar atenção redobrada no histórico de óleo antes de considerar que fez um bom negócio.

Custos de manutenção

Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão do carro.

O que dá pra dizer com honestidade é que o Ka antigo com motor Rocam está entre os carros mais baratos de manter, com peças acessíveis e muitas compartilhadas com o Fiesta da época, enquanto o Novo Ka, por ser mais moderno e com motor três-cilindros, pode ter alguns serviços e peças mais específicos, além do detalhe de a Ford ter saído da fabricação no Brasil, o que pede uma checada na disponibilidade de peças. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.

Óleo e fluidos

Confira sempre o manual e a etiqueta do carro, mas, como referência, vale saber que a especificação muda bastante entre as fases:

  • Novo Ka (três cilindros): o manual do 1.0 costuma pedir um óleo 5W-20 de especificação específica da Ford, e esse ponto é sério, porque a correia banhada em óleo depende exatamente desse tipo de óleo, então aqui não dá pra improvisar nem esticar a troca.
  • Ka antigo (Rocam): os motores dessa fase costumam usar viscosidades como 5W-30 ou similares indicadas no manual, mais tolerantes, mas ainda assim é importante seguir a recomendação.
  • Capacidade: varia conforme o motor, então o certo é seguir o que o manual do seu carro indica.

Usar um óleo fora da especificação certa pode prejudicar a lubrificação e, no Novo Ka, é apontado como uma das causas de dano à correia interna, então não troque a viscosidade nem a especificação por conta própria, e, para os demais fluidos, como freio, arrefecimento e câmbio, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água.

Pneus e rodas

A medida muda conforme a geração e a versão, sendo que o Ka antigo costuma usar rodas menores, comumente aro 13 ou 14 com pneus estreitos, enquanto o Novo Ka aparece com rodas maiores nas versões mais completas e na linha FreeStyle, geralmente aro 14 a 15 conforme o acabamento.

O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas do carro é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, evitando trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, no consumo e na segurança.

Desempenho

Como referência, e lembrando que o Ka sempre foi um carro compacto pensado mais para cidade e economia do que para esportividade:

  • Ka antigo Endura 1.0: é o mais fraco de todos, com desempenho bem modesto, aceleração lenta e velocidade máxima baixa, então só interessa a quem gosta de carro antigo.
  • Ka antigo Rocam 1.0 e 1.6: o 1.0 anda de forma satisfatória para um carro leve, e o 1.6 é bem mais animado, agradando quem quer um pequeno mais esperto.
  • Novo Ka 1.0: tem desempenho suficiente para a cidade e viagens tranquilas, com o três-cilindros rendendo bem para o tamanho.
  • Novo Ka 1.5: é o mais forte, com bom fôlego para estrada e para carro cheio, sendo a escolha de quem quer mais desempenho.

Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor e o combustível, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa.

Conforto e equipamentos

O Ka antigo é um carro de proposta simples, com acabamento espartano e nível de conforto básico, então quem procura maciez e muitos itens de série provavelmente vai achar pouco, mas em compensação ele é leve, econômico e fácil de dirigir e estacionar. Já o Novo Ka deu um salto grande nesse quesito, com interior mais moderno, melhor acabamento para a categoria, central multimídia nas versões mais completas e itens de conforto e segurança que o Ka antigo nem sonhava.

Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricos, central multimídia e mais airbags aparecem principalmente nas versões mais completas do Novo Ka, como SEL e Titanium, enquanto as de entrada e todo o Ka antigo podem ser bem básicas, então, na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão.

Perguntas frequentes

Quanto o Ford Ka faz por litro? Depende muito da fase: o Ka antigo com motor Rocam 1.0 costuma andar perto de 11 a 12 km/l na cidade e 14 km/l na estrada com gasolina, enquanto o Novo Ka 1.0 fica na casa dos 13 km/l na cidade e 15 km/l na estrada com gasolina, sempre rendendo menos no etanol, e tudo isso é aproximado e depende de como e onde você dirige.

Qual o principal problema do Novo Ford Ka? O ponto mais citado é a correia dentada que trabalha banhada em óleo dentro do motor três-cilindros, porque, se a troca de óleo for esticada ou for usado óleo fora da especificação, a borracha pode se degradar e sujar o sistema de lubrificação, o que em casos graves leva o motor à retífica, então a troca de óleo em dia e certa é o cuidado mais importante desse carro.

Qual a diferença entre o Ka antigo e o Novo Ka? O Ka antigo, de 1997 até meados dos anos 2010, é aquele arredondado e simples, com motores 1.0 e 1.6 Rocam de corrente, enquanto o Novo Ka, de 2014 a 2021, é um projeto global mais moderno, com motores 1.0 e 1.5 de três cilindros, versão sedã Ka+ e a linha aventureira FreeStyle.

O Ford Ka é confiável? Pode ser, desde que bem cuidado, porque o Ka antigo com Rocam é simples e conhecido e o Novo Ka é bem montado, mas o Novo Ka exige disciplina com a troca de óleo por causa da correia banhada em óleo, então o que decide mesmo é o histórico de manutenção daquela unidade, e não o ano.

Quanto custa um Ford Ka na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, o ano e o estado, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pelo modelo e ano exatos e usar isso como referência de mercado, não como preço fixo.

Galeria

Fotos de Ford Ka enviadas por leitores do Carro Raiz.

Tem um Ford Ka? Manda foto do seu que a gente coloca aqui.

Enviar foto por email