Volkswagen Saveiro: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais

Gerações derivadas do Gol: G4 e G5 e a G6/G7 de 2013 em diante

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A Volkswagen Saveiro é a picape compacta derivada do Gol e uma das mais tradicionais do Brasil, tendo passado por gerações bem distintas: as G4 e G5, baseadas nos Gol das respectivas épocas, que rodaram com o motor 1.6 8v e, em versões mais antigas, o 1.8, nas cabines simples e estendida, e a G6/G7, de 2013 em diante, que estreou o motor 1.6 MSI 16v, a cabine dupla de verdade e versões como Robust, Trendline e Cross. Diferente de alguns rivais, a Saveiro usa correia dentada como item de troca preventiva, então esse cuidado é obrigatório, e por ser picape de trabalho o que mais pesa é o estado da mecânica e da estrutura, valendo ficar de olho em arrefecimento com peças plásticas, infiltração de água pela porta, falhas de aceleração ligadas ao corpo de borboleta, embreagem e suspensão em uso pesado, e para preço o certo é sempre consultar a tabela FIPE oficial.

Volkswagen Saveiro G5 vermelha, picape compacta de cabine estendida, vista de frente
Foto: NaBUru38, CC BY-SA 3.0 (Wikimedia Commons). Ilustrativa, Volkswagen Saveiro geração derivada do Gol G5.

Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar uma Volkswagen Saveiro, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica ou de picape.

A Saveiro é a picape compacta da Volkswagen derivada do Gol, uma das mais tradicionais do país, e passou por gerações bem diferentes que vale entender antes de qualquer coisa. As gerações G4 e G5, baseadas nos Gol das suas épocas, rodaram com o motor 1.6 8v e, em versões mais antigas, o 1.8, oferecidas nas cabines simples e estendida, com aquele jeitão de picape de trabalho conhecido de todo mundo. Já a geração G6/G7, lançada a partir de 2013, é bem mais moderna, estreou o motor 1.6 MSI 16v, trouxe a cabine dupla de verdade com quatro portas e passou a ser vendida em versões como Robust, Trendline e Cross.

Como são picapes com evoluções importantes entre uma fase e outra, mas com a mesma vocação de carga e trabalho, esta página trata dessas gerações e deixa claro em cada ponto de qual delas está falando. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores que ela teve, o consumo real que dá pra esperar, os problemas que mais aparecem, como é a manutenção, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio, sempre com o olhar de quem vai usar a picape pra valer.

Resumo rápido

Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível, o tipo de cabine e o estado da picape, sendo que o consumo é sempre aproximado e cai quando o carro anda carregado. Para ilustrar as fases, a tabela compara uma Saveiro da geração G5 com o 1.6 8v e a G6/G7 com o 1.6 MSI 16v.

ItemSaveiro G5 1.6 8vSaveiro G6/G7 1.6 MSI 16v
MarcaVolkswagenVolkswagen
CategoriaPicape compactaPicape compacta
Motor1.6 8v, flex1.6 16v MSI, flex
Potênciacerca de 101 a 104 cvcerca de 99 a 104 cv
Torqueperto de 15,4 kgfmperto de 15,6 a 16,8 kgfm
Câmbiomanual de 5 marchasmanual de 5 marchas
Traçãodianteiradianteira
Combustívelflexflex
Distribuiçãocorreia dentadacorreia dentada
CabinesSimples e EstendidaSimples (Robust) e Dupla
Consumo na cidadeperto de 8 a 10 km/l (gasolina)perto de 8 a 10 km/l (gasolina)
Consumo na estradaperto de 11 a 12 km/l (gasolina)perto de 11 a 13 km/l (gasolina)

Vale notar que as Saveiros mais antigas, ligadas às gerações G4 e anteriores, também tiveram o motor 1.8, mais forte porém mais gastão, e que a grande mudança de motor veio com a G6/G7, quando entrou o 1.6 MSI 16v, mais moderno na parte de injeção e comando de válvulas, então quem compara gerações precisa olhar tanto o motor quanto a época do projeto.

História do modelo

A Volkswagen Saveiro é uma velha conhecida do brasileiro, tendo surgido ainda nos anos 1980 como a picape derivada do Gol, e a lógica sempre foi a mesma: aproveitar a base do hatch mais vendido da marca pra entregar uma picape pequena, econômica e barata de manter, voltada ao trabalho e ao pequeno comércio. Ao longo das décadas a Saveiro acompanhou a evolução do Gol, mudando de geração junto com ele e mantendo a fama de ferramenta de trabalho resistente.

Nas gerações G4 e G5, que são as que aparecem com mais força no mercado de usados recentes, a Saveiro seguia bem ligada ao Gol da época, com o motor 1.6 8v como opção principal e o 1.8 em versões mais antigas e apimentadas, oferecida nas cabines simples e estendida, esta última com um espaço atrás dos bancos pra bagagem ou ferramenta. Essas versões marcaram época como picapes práticas, com nomes de acabamento que variaram ao longo dos anos, incluindo linhas mais equipadas e aventureiras como a Cross e a Surf.

A grande virada veio em 2013, com a geração G6/G7, um projeto mais moderno que trouxe o motor 1.6 MSI 16v, com injeção e comando de válvulas atualizados, e, principalmente, a cabine dupla de verdade, com quatro portas de tamanho normal, algo que ampliou muito o público da picape. Nessa fase a linha passou a girar em torno de versões como a Robust, focada no trabalho puro, a Trendline, intermediária, e a Cross, de visual aventureiro e mais equipada, mantendo a Saveiro competitiva por muitos anos como uma das picapes compactas mais vendidas do país, ao lado da rival Fiat Strada.

Versões e motores

Como a Saveiro teve gerações com propostas diferentes, o mais útil é separar por fase.

Nas gerações G4 e G5 você vai encontrar basicamente:

  • Motor 1.6 8v: a opção principal e mais comum, um motor conhecido da linha Gol, simples, com peça barata e mecânico em qualquer canto, econômico pra proposta e suficiente pro trabalho do dia a dia.
  • Motor 1.8: presente em versões mais antigas e esportivas, com mais fôlego porém mais gastão, procurado por quem queria uma Saveiro mais animada.
  • Cabine Simples e Cabine Estendida: os dois formatos dessas gerações, variando entre carregar mais na caçamba e ter um espaço interno extra atrás dos bancos.
  • Linhas de acabamento variadas: ao longo dos anos surgiram versões mais equipadas e aventureiras, como a Cross e a Surf, com visual mais robusto e alguns itens a mais.

Na geração G6/G7 (2013 em diante) as opções giram em torno de:

  • Robust: a versão de trabalho pura e simples, mais barata e crua, feita pra carregar e aguentar o dia a dia, normalmente de cabine simples e com pouco equipamento, sendo a preferida de quem quer só uma ferramenta.
  • Trendline: a intermediária, com mais acabamento e equipamento, mais agradável no uso diário.
  • Cross: a versão de visual aventureiro, com para-choques e detalhes próprios, postura mais alta, rodas maiores e mais itens de conforto, sendo a mais completa e procurada da fase moderna.
  • Cabine Simples e Cabine Dupla: a grande novidade da G6/G7 foi a cabine dupla de quatro portas de verdade, que convive com a cabine simples voltada ao trabalho.

Uma dica honesta, que vale pra qualquer Saveiro, é não confiar só no nome da versão, porque o que importa mesmo é conferir na hora o que aquela picape específica realmente tem de equipamento e, principalmente numa picape, como ela está de mecânica, de estrutura e de estado geral depois do uso que levou.

Motor e mecânica

Aqui vale entender os motores com calma, e há um ponto que se aplica a praticamente toda Saveiro e que você precisa ter em mente antes de tudo:

Correia dentada: é a peça de borracha que sincroniza o movimento interno do motor, e nos motores da Saveiro, tanto no 1.6 8v das gerações antigas quanto no 1.6 MSI 16v da G6/G7, ela precisa ser trocada preventivamente no intervalo indicado no manual, sem esticar. Diferente de motores que usam corrente e duram mais sem troca, aqui a correia é item de manutenção obrigatório, porque, se romper com o motor rodando, pode causar dano interno sério, então ao comprar usado esse é um dos primeiros pontos a checar.

O motor 1.6 8v das gerações G4 e G5 é um velho conhecido da linha Gol, simples, resistente e barato de manter, com peça em qualquer canto, e o que mais aparece nele são itens de arrefecimento, de injeção e de parte elétrica, que você vê na seção de problemas. Já o 1.6 MSI 16v da G6/G7 é mais moderno, com melhor eficiência e um comportamento um pouco mais refinado, mas segue exigindo a correia em dia e tem seus próprios pontos de atenção, como falhas de aceleração ligadas ao corpo de borboleta.

Sobre a base mecânica, vale explicar dois pontos que ajudam a entender a picape:

Corpo de borboleta: é a peça que controla a entrada de ar no motor conforme você pisa no acelerador, e na linha Gol e Saveiro há relatos de falha de aceleração e da luz de EPC acender no painel quando essa peça está suja ou quando o interruptor do pedal de freio manda sinal errado, sendo que muitas vezes a limpeza da peça ou a troca do interruptor resolve.

Suspensão traseira reforçada: como picape de trabalho, a Saveiro tem uma traseira preparada pra aguentar carga, o que a deixa mais firme e resistente, mas também faz a picape pular um pouco mais quando anda vazia, o que é característica do projeto e não defeito.

Consumo

Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol, além de caírem quando a picape anda carregada, já que levar peso na caçamba aumenta o consumo.

Nas gerações G4 e G5:

  • 1.6 8v com gasolina: perto de 8 a 10 km/l na cidade e cerca de 11 a 12 km/l na estrada, sendo um motor conhecido e razoavelmente econômico pra proposta.
  • 1.8 com gasolina: fica um pouco abaixo disso, por ter mais motor, ainda que renda melhor em desempenho.

Na geração G6/G7:

  • 1.6 MSI 16v com gasolina: perto de 8 a 10 km/l na cidade e cerca de 11 a 13 km/l na estrada, tendendo a ser um pouco mais eficiente que os motores das gerações anteriores por ser mais moderno.
  • No etanol: em qualquer motor, espere um consumo bem menor, na ordem de vários quilômetros por litro a menos, já que é da natureza do combustível render menos.

Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir e, muito importante numa picape, o peso que está sendo carregado, além do ar-condicionado ligado e da manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa.

Manutenção

O básico pra manter uma Saveiro saudável envolve alguns itens, sendo eles:

  • Óleo e filtro de óleo: o item mais importante em qualquer motor, que precisa ser trocado no prazo e com o óleo na especificação certa, valendo atenção extra porque há relatos de consumo de óleo em algumas unidades, então convém acompanhar o nível.
  • Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo, valendo atenção redobrada se a picape roda muito em estrada de terra e poeira, algo comum em uso de trabalho.
  • Velas e cabos ou bobinas: responsáveis pela ignição, sendo que, quando estão gastos, causam falha, engasgo e aumento de consumo.
  • Correia dentada: o item mais crítico de prazo na Saveiro, que precisa de troca preventiva no intervalo do manual, sem esticar, porque o rompimento pode danificar o motor, valendo trocar junto os tensores e a bomba d’água quando indicado.
  • Correia dos acessórios (do alternador e afins): que costuma ressecar com o tempo e pedir troca.
  • Embreagem: item que sofre bastante numa picape de trabalho, principalmente em quem carrega peso e anda muito em subida, então tende a durar menos do que num carro de passeio.
  • Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
  • Sistema de arrefecimento: cujas peças plásticas, como a carcaça da válvula termostática e flanges de ligação, envelhecem e podem vazar, sendo um ponto sensível conhecido da linha Gol e Saveiro.
  • Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil e sofrem mais quando a picape anda carregada.
  • Suspensão: cujos amortecedores, batentes, coxins, buchas e rolamentos se desgastam com o uso pesado e afetam conforto e segurança.
  • Pneus: conforme a seção de pneus, lembrando que carga e uso em terra aceleram o desgaste.

Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário da picape, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui. No caso específico da Saveiro, respeitar o intervalo da correia dentada não é só recomendação, é o que protege o motor.

Problemas comuns

Vale deixar claro que nada aqui acontece em todas as picapes, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa, ainda mais numa picape que pode ter trabalhado muito. Muitos desses pontos são compartilhados com a linha Gol, por ser a mesma base.

Arrefecimento com peças plásticas

  • O que é: são componentes do sistema que controla a temperatura do motor, como a carcaça da válvula termostática e flanges de ligação, feitos de plástico, que com o tempo ressecam e racham.
  • Como perceber: o nível da água cai constantemente, aparecem marcas do aditivo rosa no bloco do motor ou no chão embaixo do carro, e a temperatura pode subir.
  • Possíveis causas: envelhecimento das peças plásticas do arrefecimento, comum na linha Gol e Saveiro.
  • Gravidade: pode ser séria, porque rodar superaquecido estraga o motor.
  • O que fazer: se a temperatura disparar ou o carro perder água com frequência, avaliar e trocar as peças ressecadas, e nas revisões ficar de olho nesses componentes.

Infiltração de água pela porta

  • O que é: em algumas gerações, principalmente na fase ligada aos Gol e Saveiro sem a calha de chuva sobre a porta, há relatos de entrada de água pela porta mesmo depois de trocar a borracha de vedação.
  • Como perceber: umidade ou poças dentro da cabine, cheiro de mofo e carpete molhado depois da chuva.
  • Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto e a dano em itens internos do que a segurança.
  • O que fazer: ao avaliar a picape, checar sinais de umidade e mofo, e, se ocorrer, investigar a vedação e o escoamento de água.

Falha de aceleração e luz de EPC

  • Como perceber: a luz de EPC acende no painel e o carro perde resposta do acelerador, ficando lento ou sem reação ao pedal, além de falhas na marcha lenta.
  • Possíveis causas: muitas vezes não é o motor em si, mas o interruptor do pedal de freio mandando sinal errado ou o corpo de borboleta sujo ou com defeito, e frequentemente a limpeza da peça ou a troca do interruptor resolve.
  • Gravidade: média, porque atrapalha o funcionamento e pode deixar você na mão.

Embreagem e suspensão em uso pesado

  • Como perceber: embreagem patinando em subida ou com carga e ruídos ou batidas na suspensão em piso irregular, típicos de picape que trabalhou.
  • Possíveis causas: desgaste natural acelerado pelo peso carregado e pelo uso de trabalho.
  • Gravidade: média, mais ligada a custo do que a segurança imediata, embora suspensão gasta afete a dirigibilidade.
  • O que fazer: testar a embreagem em subida e ouvir a suspensão ao avaliar, considerando que esses itens podem estar próximos do fim numa picape muito rodada.

Consumo de óleo

  • Como perceber: o nível de óleo do motor caindo mais rápido do que o esperado entre uma troca e outra, relato que aparece em parte das unidades.
  • Gravidade: variável, mas pede acompanhamento do nível pra não rodar com óleo baixo, o que é perigoso pro motor.
  • O que fazer: verificar o nível com regularidade e, se o consumo for alto, investigar a causa com um profissional.

Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade.

Quando você deve se preocupar

Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:

  • luz de óleo acesa ou temperatura subindo demais, principalmente por causa das peças plásticas do arrefecimento;
  • perda de água com frequência e marcas de aditivo rosa embaixo do carro;
  • luz de EPC acesa com perda de resposta do acelerador;
  • fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
  • barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
  • perda de força ou a picape “engasgando” e falhando, ainda mais com carga;
  • embreagem patinando ou pedal muito diferente do normal;
  • dificuldade pra ligar;
  • cheiro forte de combustível;
  • freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado, o que é ainda mais crítico numa picape carregada.

Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando, e numa picape de trabalho isso vale em dobro, porque ela costuma andar com peso.

Vale a pena comprar uma Volkswagen Saveiro usada?

Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, e numa picape isso é ainda mais verdade, já que uma Saveiro que trabalhou pesado pode estar bem mais gasta do que outra do mesmo ano usada com leveza.

Pontos positivos

  • A Saveiro é uma das picapes compactas mais tradicionais do país, com mecânica conhecida da linha Gol, peça fácil, mecânico em qualquer canto e boa liquidez na hora de vender.
  • A base do Gol torna a manutenção simples e barata na maior parte dos itens, principalmente nos motores 1.6.
  • A geração G6/G7 trouxe cabine dupla de verdade, motor 1.6 MSI mais moderno e versões mais equipadas, como a Cross, agradando quem quer conforto além do trabalho.

Pontos de atenção

  • A correia dentada é item de troca preventiva obrigatória, então uma unidade sem histórico dessa manutenção exige cautela.
  • Aparecem relatos de arrefecimento com peças plásticas, infiltração de água pela porta e falha de aceleração ligada ao corpo de borboleta ou ao interruptor de freio.
  • Como muitas Saveiros trabalharam pesado, é comum encontrar embreagem, suspensão e freios desgastados, o que pede vistoria criteriosa.

Resumindo de forma honesta, uma Saveiro bem cuidada pode ser uma picape racional, útil e fácil de manter, seja uma G5 simples de trabalho, seja uma G7 Cross moderna e confortável, enquanto um exemplar que trabalhou demais e sem manutenção, principalmente com a correia atrasada ou o arrefecimento negligenciado, pode virar uma dor de cabeça cara, então o foco tem que estar no estado, no histórico e em quanto aquela picape rodou carregada.

Checklist de compra

Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos, lembrando que numa picape a parte de baixo e a estrutura merecem atenção extra:

  • Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho
  • Histórico da correia dentada, item de troca preventiva obrigatória, de preferência com comprovação de quando foi feita
  • Temperatura, que deve ficar normal depois de esquentar, sem perda de água nem marcas de aditivo rosa embaixo do carro
  • Aceleração, sem falha nem luz de EPC no painel, testando a resposta do pedal
  • Nível de óleo, verificando se está correto, já que há relatos de consumo de óleo
  • Embreagem, testando em subida e com atenção, já que sofre muito em picape de trabalho
  • Câmbio, com troca de marchas suave, sem barulho ou arranhão
  • Suspensão, ouvindo ruídos e batidas em piso irregular, com atenção a rolamentos
  • Freios, que devem parar reto e com pedal firme, testados de preferência com algum peso
  • Pneus, com desgaste parelho e em bom estado, atentando pra uso em terra
  • Caçamba e estrutura, checando amassados, ferrugem, soldas e sinais de trabalho pesado ou de batida
  • Cabine, procurando sinais de infiltração, umidade e mofo, principalmente no carpete
  • Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, painel e luzes
  • Ar-condicionado, que deve gelar de verdade quando a picape tem o item
  • Documentação em dia, sem pendências e sem restrição, conferindo eventuais recalls
  • Histórico de manutenção completo, com registro de óleo, correia e revisões

Preço e tabela FIPE

Aqui não inventamos preço, porque o valor de uma Volkswagen Saveiro muda muito conforme a geração, a versão, o motor, o tipo de cabine, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença grande entre uma Saveiro G4 de cabine simples e trabalho e uma G7 Cross de cabine dupla mais equipada.

A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque uma picape bem conservada, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto uma que trabalhou demais, com problema de motor, estrutura comprometida ou documentação pendente vale bem menos.

O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão, o tipo de cabine e o ano da picape que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de picapes parecidas na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque preço bom demais costuma esconder algum problema, e numa picape de trabalho vale prestar atenção redobrada no histórico de correia, no arrefecimento e no desgaste de embreagem e suspensão antes de considerar que fez um bom negócio.

Custos de manutenção

Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão da picape.

O que dá pra dizer com honestidade é que a Saveiro está entre as picapes mais fáceis e razoáveis de manter, justamente por compartilhar a mecânica com a linha Gol, o que garante peça acessível e mão de obra conhecida em qualquer canto, valendo isso tanto pras gerações antigas quanto pra G6/G7. Ainda assim, alguns itens entram na conta com regularidade, como a troca da correia dentada e dos componentes ligados a ela, as peças de arrefecimento que ressecam e uma picape de trabalho tende a consumir mais itens de desgaste, como embreagem, freios, pneus e suspensão, do que um carro de passeio. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.

Óleo e fluidos

Confira sempre o manual e a etiqueta da picape, mas, como referência, vale saber que a especificação muda conforme o motor:

  • Motor 1.6 8v (gerações G4 e G5): costuma usar viscosidades indicadas no manual da Volkswagen para a linha, e o importante é seguir a recomendação sem improvisar.
  • Motor 1.6 MSI 16v (G6/G7): por ser mais moderno, pede um óleo de especificação própria indicada pela Volkswagen, e vale respeitar exatamente esse tipo pra não prejudicar a durabilidade.
  • Capacidade: varia conforme o motor, então o certo é seguir o que o manual da sua picape indica.

Usar um óleo fora da especificação certa pode prejudicar a lubrificação e o funcionamento, então não troque a viscosidade nem a especificação por conta própria, e, para os demais fluidos, como freio e arrefecimento, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água, principalmente por causa do histórico de peças plásticas ressecando no sistema de arrefecimento da linha.

Pneus e rodas

A medida muda conforme a geração e a versão, sendo que as Saveiros mais simples e antigas costumam usar rodas de aro 14 com pneus voltados pra carga, enquanto as versões mais completas e a linha Cross aparecem com rodas maiores, geralmente de aro 15, com pneus adequados ao uso misto e visual mais aventureiro.

O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas da picape é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, com uma observação importante: em picape, a pressão traseira costuma mudar conforme a carga, e o adesivo geralmente traz o valor pra picape vazia e pra picape carregada, então vale calibrar de acordo com o que você vai levar, evitando trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação.

Desempenho

Como referência, e lembrando que a Saveiro sempre foi uma picape pensada mais pra trabalho e economia do que pra esportividade:

  • 1.6 8v (G4 e G5): tem desempenho suficiente pra cidade e pra carga leve a média, sendo econômico, mas fica ofegante com a picape muito cheia ou em subida forte.
  • 1.8 (versões mais antigas): é mais forte, com melhor fôlego, sendo a escolha de quem queria uma Saveiro mais animada na época, ainda que mais gastona.
  • 1.6 MSI 16v (G6/G7): é mais moderno e um pouco mais refinado, com desempenho equilibrado pra cidade e estrada e boa eficiência pra proposta, dando conta bem do uso do dia a dia.

Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor e a carga, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa, lembrando que numa picape o desempenho cai bastante quando ela anda carregada.

Conforto e equipamentos

As gerações G4 e G5 da Saveiro são picapes de proposta simples e funcional, com acabamento voltado ao trabalho e nível de conforto básico nas versões de entrada, então quem procura maciez e muitos itens de série provavelmente vai achar pouco, embora as versões mais equipadas e aventureiras, como a Cross e a Surf, trouxessem alguns itens a mais. Já a geração G6/G7 deu um salto grande nesse quesito, com interior mais moderno, melhor acabamento pra categoria, central multimídia nas versões mais completas, cabine dupla de verdade e itens de conforto e segurança que as antigas nem sonhavam.

Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como ar-condicionado, direção elétrica ou hidráulica, vidros e travas elétricos, central multimídia, câmera de ré e mais airbags aparecem principalmente nas versões mais completas da G6/G7, como a Trendline e a Cross, enquanto a Robust e boa parte das gerações antigas podem ser bem básicas, então, na hora de olhar uma picape, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão.

Perguntas frequentes

Quantos quilômetros por litro a Volkswagen Saveiro faz? Depende da geração e do motor, mas em média a Saveiro com o 1.6 costuma andar perto de 8 a 10 km/l na cidade e 11 a 13 km/l na estrada com gasolina, com a G6/G7 de motor 1.6 MSI 16v tendendo a ser um pouco mais eficiente que as gerações mais antigas, sempre rendendo menos no etanol e caindo bastante quando a picape anda carregada, já que levar peso na caçamba aumenta o consumo.

A Saveiro tem correia dentada ou corrente? A Saveiro usa correia dentada, que é a peça de borracha que sincroniza o movimento interno do motor e precisa ser trocada preventivamente no intervalo indicado no manual, sem esticar, porque, se romper com o motor rodando, pode causar dano interno sério, então esse é um cuidado obrigatório e um dos primeiros itens a checar ao comprar uma usada, perguntando quando foi feita a última troca.

Qual a diferença entre as gerações da Saveiro? As gerações G4 e G5 são baseadas nos Gol das respectivas épocas, com motor 1.6 8v e, nas mais antigas, o 1.8, nas cabines simples e estendida, enquanto a G6/G7, de 2013 em diante, é mais moderna, trouxe o motor 1.6 MSI 16v, a cabine dupla de quatro portas de verdade e versões como Robust, Trendline e Cross, sendo mais confortável e mais equipada do que as anteriores.

Quais os principais problemas da Volkswagen Saveiro? Entre os pontos mais relatados estão o arrefecimento com peças plásticas, como a carcaça da válvula termostática e flanges que podem vazar o aditivo rosa, a infiltração de água pela porta em algumas gerações, falhas de aceleração e luz de EPC ligadas ao corpo de borboleta ou ao interruptor do pedal de freio, além de desgaste de embreagem e suspensão em uso pesado e relatos de consumo de óleo, lembrando que nada disso ocorre em todas as unidades.

Quanto custa uma Volkswagen Saveiro na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, o tipo de cabine, o ano e o estado, e há uma diferença grande entre uma Saveiro G4 de cabine simples e uma G7 Cross de cabine dupla, então não dá pra cravar um valor aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pela versão e ano exatos e usar aquilo como referência de mercado, não como preço fixo.

Galeria

Fotos de Volkswagen Saveiro enviadas por leitores do Carro Raiz.

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