Chevrolet Chevette: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais

1973 a 1993 (sedã 2 e 4 portas, hatch, perua Marajó e picape Chevy 500)

Atualizado em

O Chevrolet Chevette foi um dos compactos mais populares da história do Brasil, fabricado de 1973 a 1993, sempre com tração traseira herdada do projeto Opel Kadett, e apareceu como sedã de duas e quatro portas, o Chevette Hatch, além de dar origem à perua Marajó e à picapinha Chevy 500. A mecânica é simples e barata, com motores 1.4 e 1.6 OHV a gasolina e álcool, carburador e ignição que pode ser por platinado ou eletrônica, o que fez dele a fama de carro robusto, econômico de manter e fácil de mexer, com peça barata e mecânico em qualquer canto. Hoje o Chevette é comprado como clássico de hobby, primeiro carro de coleção e passeio, e não como econômico de uso diário, e o cuidado número um antes de comprar é a ferrugem no assoalho, para-lamas, caixa de ar e porta-malas, seguida do carburador desregulado, do arrefecimento e da parte elétrica antiga. Por ser tão vendido, tem comunidade forte e boa oferta de peças, e o preço de clássico foge da lógica da FIPE comum, dependendo de estado, originalidade e raridade, então use a FIPE só como ponto de partida.

Chevrolet Chevette SL vermelho, sedã clássico de duas portas, visto de frente
Foto: Uploader's brother, digitally altered by Mr.choppers, CC BY-SA 3.0 (Wikimedia Commons). Ilustrativa, Chevrolet Chevette SL.

Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Chevrolet Chevette, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.

O Chevette não é um popular econômico de uso diário como um carro moderno, e sim um clássico compacto comprado hoje para hobby, primeiro carro de coleção e passeio, então vale encarar a compra com esse enquadramento honesto: quem procura um Chevette quer a simplicidade gostosa de um carro antigo, fácil de mexer e cheio de memória afetiva, e não a maior tecnologia do quarteirão. Ele foi um dos compactos mais vendidos da história do Brasil, fabricado de 1973 a 1993, sempre com tração traseira herdada do projeto Opel Kadett que deu origem a ele.

Ao longo da vida o Chevette apareceu como sedã de duas e quatro portas e ganhou o Chevette Hatch, além de emprestar a base para dois derivados queridos, a perua Marajó e a picapinha Chevy 500. A mecânica é simples e barata, com motores 1.4 e 1.6 OHV a gasolina e álcool, carburador e ignição de carro antigo, o que rendeu a ele a fama de robusto e fácil de manter. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, a história, as versões e motores, como é essa mecânica descomplicada, o consumo real, os problemas que mais aparecem (com a ferrugem em primeiro lugar), como pensar em preço num carro de colecionador e o que olhar com calma antes de fechar negócio.

Resumo rápido

Os dados abaixo servem como referência e mudam conforme o ano, a versão, o motor, o combustível e principalmente o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado e, num clássico, depende muito da regulagem. Para dar uma noção, a tabela usa configurações típicas do Chevette.

ItemChevette 1.4Chevette 1.6
MarcaChevroletChevrolet
CategoriaClássico compactoClássico compacto
Motor1.4 de 4 cilindros OHV1.6 de 4 cilindros OHV
Potênciaperto de 65 cv na gasolina e 69 cv no álcoolperto de 73 a 82 cv conforme o combustível
Torqueadequado ao tamanho do carroum pouco maior que o 1.4, com mais fôlego
Câmbiomanual, de 4 marchas e depois 5 marchasmanual, de 4 marchas e depois 5 marchas
Traçãotraseiratraseira
Combustívelgasolina ou álcool, conforme o anogasolina ou álcool, conforme o ano
Carroceriassedã 2 e 4 portas e Chevette Hatchsedã 2 e 4 portas e Chevette Hatch
Derivadosperua Marajó e picape Chevy 500perua Marajó e picape Chevy 500
Consumo aproximadoperto de 9 a 11 km/l na cidade (gasolina)um pouco abaixo do 1.4, por ter mais motor

Vale notar que o Chevette mudou bastante ao longo de duas décadas de fabricação, com atualizações de frente, acabamento e mecânica, então esses números são de referência e servem para dar uma noção geral, e não para valer como especificação exata de um ano específico, que deve ser conferida caso a caso.

História do modelo

O Chevrolet Chevette chegou ao Brasil em 1973, começando como um sedã de duas portas, e logo virou um dos compactos mais populares do país, apostando numa receita simples e eficiente: um carro pequeno, de mecânica descomplicada, tração traseira e baixo custo de manutenção. Ele nasceu de um projeto global da GM ligado ao Opel Kadett europeu, o que explica a tração traseira e a robustez que marcaram o modelo.

Com o tempo a linha foi crescendo e ganhou o sedã de quatro portas, o Chevette Hatch, de traseira mais esportiva, e recebeu atualizações de estilo e de motor ao longo dos anos. A família também rendeu dois derivados muito queridos, a perua Marajó, lançada no início dos anos 1980, que somava espaço de carga à mesma base, e a picape Chevy 500, lançada em meados dos anos 1980, uma picapinha simples e barata muito usada no trabalho leve.

Os motores acompanharam a evolução do mercado brasileiro, com as versões a gasolina e, com a chegada do carro a álcool no país, também as versões a álcool, sempre nas cilindradas 1.4 e 1.6. O câmbio começou com quatro marchas e depois ganhou a opção de cinco. A produção seguiu forte por muitos anos e só terminou no começo dos anos 1990, encerrando uma trajetória de mais de um milhão e meio de unidades, o que ajuda a explicar por que até hoje ele é tão conhecido e tem tanta gente apaixonada, com forte cena de clubes e comunidade de chevetteiros.

Versões e motores

Como o Chevette viveu muitos anos e teve várias configurações, o mais útil é entender primeiro os motores e depois as carrocerias e derivados.

Os motores foram sempre de quatro cilindros e do tipo OHV:

  • 1.4 OHV: o motor de entrada durante boa parte da vida do carro, econômico e suficiente para a proposta de compacto simples, rendendo perto de 65 cv na gasolina e um pouco mais no álcool.
  • 1.6 OHV: a opção com mais fôlego, que dá conta melhor de estrada e de carro cheio, com potência maior conforme o combustível, sendo a preferida de quem quer um Chevette um pouco mais animado.

OHV: é o tipo de motor em que o comando de válvulas fica embaixo, no bloco, e aciona as válvulas por meio de varetas e balancins, um projeto simples e resistente muito comum em carros da época. Na prática, o que importa saber é que esse desenho é robusto, conhecido por qualquer mecânico de carro antigo e barato de manter, o que combina com a fama do Chevette.

Entre as carrocerias e derivados, vale conhecer:

  • Sedã 2 portas: a versão original e a mais associada ao carro, simples e leve.
  • Sedã 4 portas: com mais praticidade de acesso ao banco de trás, para uso mais familiar.
  • Chevette Hatch: a versão de traseira mais curta e esportiva, com porta traseira que abre junto com o vidro.
  • Marajó: a perua da família, com mais espaço de carga atrás mantendo a mesma mecânica.
  • Chevy 500: a picape pequena derivada do projeto, simples e útil para carga leve.

As versões de acabamento mudaram de nome ao longo dos anos, com configurações mais simples e outras mais completas como as linhas L, DL e SL, que traziam mais itens de conforto e acabamento. Uma dica honesta, que vale para qualquer clássico, é não comprar só pelo nome na tampa do porta-malas, porque muitos carros foram alterados nas décadas de uso, então o que importa mesmo é conferir se o motor, o acabamento e os itens batem com a versão anunciada e qual é o real estado de mecânica e lataria daquela unidade.

Motor e mecânica

Aqui o Chevette mostra por que virou sinônimo de carro simples e fácil de mexer, com uma mecânica descomplicada, sem eletrônica, que qualquer oficina de carro antigo domina. Para entender o carro sem susto, vale conhecer alguns termos.

O primeiro ponto é a alimentação de combustível, que no Chevette é feita por carburador, e não por injeção eletrônica como nos carros modernos:

Carburador: é a peça que mistura o ar com o combustível na medida certa antes de mandar para o motor, funcionando de forma mecânica, sem computador. Ele é simples e ajustável em qualquer oficina que conheça carro antigo, mas pede regulagem periódica e limpeza, porque, quando desregula ou suja, o carro gasta mais, falha, engasga ou fica difícil de dar partida, algo especialmente comum nos Chevette a álcool, em que o carburador suja com facilidade e pede o tanque sempre com bom nível.

O segundo ponto é a ignição, ou seja, o sistema que gera a faísca para o motor pegar e funcionar:

Ignição por platinado: nos Chevette mais antigos a faísca depende de um conjunto mecânico com platinado e condensador dentro do distribuidor, que abre e fecha para gerar a centelha. É simples e barato, mas o platinado desgasta e desregula com o uso, pedindo ajuste e troca de tempos em tempos. Muitos donos instalam uma ignição eletrônica, que substitui o platinado por um sistema sem contato mecânico, melhorando a partida, deixando o motor mais estável e reduzindo manutenção, sendo uma modificação comum e bem vista nesse tipo de carro.

O terceiro ponto é a refrigeração a água, que é o sistema que impede o motor de superaquecer:

Arrefecimento a água: o motor é resfriado por um líquido que circula por dentro dele e passa pelo radiador, uma espécie de grade que troca calor com o ar, sendo empurrado pela bomba d’água e controlado pela válvula termostática, que regula quando o líquido circula para manter a temperatura ideal. Se o radiador entope, a bomba falha, a termostática trava ou falta líquido, o motor esquenta demais, e rodar superaquecido é uma das formas mais rápidas de estragar o motor de um clássico, por isso esse sistema precisa estar sempre em ordem.

Por fim, vale entender a tração traseira, marca do projeto:

Tração traseira: quem empurra o Chevette são as rodas de trás, herança do Opel Kadett que deu origem ao carro, o que dá um comportamento gostoso e faz parte da experiência do clássico, mas pede um pouco mais de cuidado em piso molhado e boa manutenção do eixo traseiro e das juntas.

No geral, o motor OHV do Chevette é elogiado justamente pela simplicidade e robustez, sendo um dos carros mais fáceis e baratos de manter entre os clássicos nacionais, com peça acessível, mecânico em qualquer canto e uma comunidade enorme para tirar dúvidas. Essa mecânica descomplicada é boa parte do motivo pelo qual o Chevette é tão indicado como clássico de entrada para quem está começando no hobby.

Consumo

O Chevette é um carro simples e relativamente leve, então pode ser econômico para um clássico, mas trate qualquer número como referência e lembre que a regulagem do carburador e da ignição muda muito o resultado.

  • A gasolina: costuma ficar em algo na casa de 9 a 11 km/l na cidade e um pouco mais na estrada em ritmo tranquilo, sendo razoável para a época e a proposta.
  • A álcool: rende menos quilômetros por litro, como é da natureza do combustível, ficando perto de 7 a 8 km/l na cidade quando está bem regulado, e exige carburador em ordem e tanque com bom nível.
  • 1.6 em relação ao 1.4: o 1.6 tende a gastar um pouco mais por ter mais motor, embora ande melhor, então a diferença de consumo costuma ser pequena e compensa para quem quer mais fôlego.

Na prática, um Chevette com carburador sujo, ignição desregulada ou arrefecimento ruim pode gastar bem mais do que esses valores, e há relatos de consumo bem baixo justamente por falta de regulagem, então parte da economia possível vem de manter o carro bem ajustado. Como ele é comprado para hobby e passeio, e não para rodar muito todo dia, o consumo costuma pesar pouco na conta de quem entende o que está levando.

Manutenção

A grande fama do Chevette é ser barato e fácil de manter, com mecânica simples, peça acessível e mecânico de carro antigo em quase toda cidade, além de uma comunidade forte que ajuda muito. Os itens que mais pedem atenção são:

  • Regulagem do carburador: uma das manutenções mais importantes, porque o carburador precisa estar limpo e ajustado para o carro andar bem, gastar o previsto e não falhar, ponto ainda mais sensível nos motores a álcool.
  • Ignição: seja no sistema por platinado, que pede ajuste e troca periódica, seja na ignição eletrônica instalada por muitos donos, manter a faísca em ordem garante partida fácil e funcionamento redondo, e velas e cabos entram nessa conta.
  • Arrefecimento: radiador limpo, bomba d’água em boas condições, válvula termostática funcionando, mangueiras sem ressecamento e líquido de arrefecimento de verdade, porque é o que protege o motor do superaquecimento.
  • Óleo e filtros: trocados no prazo com produto adequado, item básico de qualquer motor.
  • Freios: pastilhas ou lonas, discos ou tambores e fluido têm vida útil, e num carro antigo vale caprichar aqui por segurança.
  • Suspensão e direção: buchas, pivôs, amortecedores, molas e caixa de direção se desgastam com as décadas e afetam conforto e segurança.
  • Parte elétrica: por ser antiga, a fiação e os contatos envelhecem e pedem revisão, como você vê na seção de problemas.

A vantagem real é que, por ter sido vendido em enorme quantidade e ter mecânica das mais simples, o Chevette é dos clássicos mais tranquilos de manter vivo, o que o torna um ótimo primeiro carro antigo. Ainda assim, o certo é seguir a orientação de quem entende de Chevette e não esticar a manutenção do arrefecimento e da regulagem.

Problemas comuns

Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados em Chevette ao longo dos anos e que merecem atenção num clássico, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa.

Ferrugem e lataria (o ponto número um)

  • O que é: a corrosão da carroceria e da estrutura ao longo das décadas, que ataca com força o assoalho, os para-lamas, a caixa de ar embaixo do para-brisa, as bordas das portas e o porta-malas, além dos pontos de solda.
  • Como perceber: bolhas na pintura, manchas de ferrugem, som diferente ao bater de leve na chapa, remendos de massa e carpete ou forro úmido escondendo o assoalho.
  • Possíveis causas: idade, infiltração de água, chapa fina de época e falta de conservação, muitas vezes disfarçada por pintura recente.
  • Gravidade: pode ser alta, porque ferrugem estrutural compromete a segurança e restauração de lataria é o serviço que mais encarece o carro.
  • O que fazer: examinar a estrutura com calma, de preferência com quem entende, olhar embaixo do carpete e do porta-malas e desconfiar de pintura nova demais escondendo problema.

Carburador desregulado, principalmente a álcool

  • O que é: o carburador sujo ou fora de ajuste prejudicando a mistura de ar e combustível.
  • Como perceber: dificuldade de dar partida, marcha lenta oscilando, engasgos, falha e consumo alto, com o Chevette a álcool sendo especialmente sensível.
  • Possíveis causas: falta de regulagem, sujeira, combustível parado no tanque e desgaste ou corrosão de componentes do carburador.
  • Gravidade: média, mais ligada a funcionamento e consumo do que a risco imediato, mas incomoda bastante no dia a dia.
  • O que fazer: limpeza e regulagem com quem conhece carburador de carro antigo, mantendo o carro rodando com alguma frequência e o tanque com bom nível.

Superaquecimento e arrefecimento

  • O que é: o motor esquentando além do normal por falha no sistema de refrigeração a água.
  • Como perceber: ponteiro de temperatura subindo, cheiro doce de líquido, marca de água embaixo do carro ou perda de líquido no reservatório.
  • Possíveis causas: radiador entupido ou velho, bomba d’água fraca, válvula termostática travada, mangueiras ressecadas ou falta de líquido.
  • Gravidade: alta, porque rodar superaquecido pode estragar o motor.
  • O que fazer: se a temperatura disparar, não insista, pare com segurança e avalie, e mantenha o arrefecimento sempre revisado.

Parte elétrica antiga

  • O que é: a fiação e os componentes elétricos envelhecidos, típicos de um carro com décadas de uso.
  • Como perceber: falhas intermitentes, luzes que não acendem, mau contato, problemas no sistema de carga e sustos com o funcionamento elétrico.
  • Gravidade: média, porque atrapalha o uso e, em casos de fiação malfeita, pode ser risco, então vale caprichar aqui.
  • O que fazer: revisão da parte elétrica por profissional, corrigindo emendas mal feitas e componentes ressecados.

Folga de suspensão e direção

  • Como perceber: barulhos ao passar em buraco, trepidação, o carro puxando para um lado ou volante com folga, sinais naturais de peças desgastadas pelo tempo.
  • Gravidade: média a alta, porque mexe com conforto, dirigibilidade e segurança.

Originalidade e modificações

  • O que é: por ser clássico e muito usado em preparações, uma boa parte dos Chevette foi modificada ao longo dos anos, com troca de motor, itens que não são de fábrica, rebaixamentos e adaptações.
  • Por que importa: originalidade influencia o valor de coleção, então, para quem busca um clássico original, vale conferir procedência e o quanto o carro se afastou do que saiu de fábrica.

Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade, porque um Chevette bem conservado e cuidado é um carro simpático, econômico de manter e confiável dentro da proposta de clássico.

Quando você deve se preocupar

Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:

  • ponteiro de temperatura subindo demais, que num carro antigo é um alerta sério por causa do risco ao motor;
  • fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
  • vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
  • barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
  • perda de força ou o carro engasgando e falhando, muitas vezes ligados a carburador ou ignição;
  • cheiro forte de combustível, que num carro a carburador merece atenção redobrada;
  • direção com folga ou o carro puxando para um lado;
  • freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando para um lado;
  • dificuldade para dar partida de forma recorrente, comum quando o carburador ou a ignição estão desregulados.

Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança que entenda de carro antigo antes de continuar rodando, porque num clássico o cuidado preventivo vale mais do que o conserto depois.

Vale a pena comprar um Chevrolet Chevette usado?

Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa muito mais do que o ano no papel, e num clássico vale lembrar que a compra é de hobby e paixão, não de economia moderna, mas ainda assim dá pra pesar os pontos.

Pontos positivos

  • É um clássico simples, robusto e dos mais fáceis e baratos de manter, ótimo como primeiro carro antigo.
  • Tem mecânica descomplicada, com peça acessível e mecânico de carro antigo em quase toda parte.
  • Conta com comunidade forte de chevetteiros e boa disponibilidade de peças, o que ajuda muito a manter o carro vivo.
  • Pode ser relativamente econômico para um clássico quando está bem regulado, e a família ainda oferece a perua Marajó e a picape Chevy 500 para quem quer variações.

Pontos de atenção

  • Não é moderno nem seguro como um carro atual, e o conforto e os equipamentos são bem simples.
  • A ferrugem é o maior inimigo, e restauração de lataria custa caro, podendo passar do valor do próprio carro se estiver ruim.
  • Precisa de atenção com carburador, arrefecimento e parte elétrica antiga.
  • Muitos exemplares foram modificados, então quem busca originalidade precisa procurar com cuidado.

Resumindo de forma honesta, um Chevette bem conservado, com lataria sã, mecânica em ordem e boa procedência, é um clássico barato de manter e cheio de charme, enquanto um exemplar cheio de ferrugem ou malcuidado pode dar mais trabalho e custo de restauração do que parece, então o foco tem que estar no estado, na originalidade e no histórico, e não apenas no preço de anúncio.

Checklist de compra

Se puder, leve alguém que entenda de carro antigo, e confira com calma cada um destes pontos:

  • Lataria e estrutura, procurando ferrugem no assoalho, para-lamas, caixa de ar, bordas das portas e porta-malas, inclusive embaixo do carpete
  • Sinais de massa ou remendo escondendo corrosão, e pintura nova demais tentando disfarçar problema
  • Motor, observando partida, marcha lenta, ausência de fumaça anormal e barulho estranho
  • Temperatura, que deve estabilizar depois de esquentar, sem superaquecer nem vazar água
  • Carburador e ignição, avaliando se o carro pega fácil, não engasga e mantém marcha lenta estável, com atenção redobrada nas versões a álcool
  • Câmbio e embreagem, com trocas suaves e sem patinar
  • Suspensão e direção, sem folga, batida em buraco ou o carro puxando para um lado
  • Freios, que devem parar reto e com pedal firme
  • Parte elétrica, incluindo luzes, painel e ausência de emendas malfeitas
  • Originalidade, conferindo motor, itens e acabamento compatíveis com a versão anunciada
  • Documentação em dia e sem pendências, verificando também a situação de placa preta ou de coleção quando aplicável
  • Procedência do carro e histórico de restauração ou manutenção, de preferência com registros

Preço e tabela FIPE

Aqui não inventamos preço, e no caso do Chevette é importante entender que ele é um clássico e por isso foge da lógica da FIPE comum, aquela que serve bem para carros de uso corrente.

A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mas num carro de coleção como o Chevette ela conta só parte da história, porque o valor real depende muito do estado, da originalidade e da raridade da versão. Um Chevette bem conservado e original, com lataria sã, costuma ser valorizado por quem coleciona, enquanto um carro cheio de ferrugem ou muito modificado vale bem menos, ainda que seja o mesmo ano e a mesma versão no papel, e versões e derivados menos comuns podem despertar mais interesse.

O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial apenas como ponto de partida, e então comparar com anúncios de Chevette em estado e originalidade semelhantes, conversando com a comunidade de chevetteiros para entender o valor de mercado daquela configuração específica. Desconfie tanto de quem pede muito acima sem justificar com estado e procedência quanto de quem vende muito barato, porque preço baixo demais num clássico quase sempre esconde ferrugem, motor trocado ou documentação complicada.

Custos de manutenção

Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina, a versão e a raridade do item.

O que dá pra dizer com honestidade é que o Chevette é um dos clássicos mais baratos de manter, justamente por ter mecânica das mais simples, ter sido vendido em enorme quantidade e contar com comunidade forte e boa oferta de peças de manutenção. O ponto que pode sair caro é a restauração de lataria, quando há ferrugem séria, que é o item que mais encarece o carro, além de eventuais peças de originalidade específicas de certas versões e derivados, que podem ser mais difíceis de achar. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar e ouvir quem já cuida de Chevette.

Óleo e fluidos

Confira sempre a orientação de quem entende de Chevette e o que era indicado para o motor do seu carro, mas, como referência, vale saber que a especificação varia conforme o motor, o ano e o combustível.

  • Óleo do motor: deve ser de viscosidade e tipo adequados ao motor OHV, trocado no prazo, item básico para a durabilidade do conjunto, ainda mais num carro antigo.
  • Líquido de arrefecimento: aqui não dá pra economizar, porque o Chevette depende de aditivo de arrefecimento de verdade na proporção certa, e não apenas água, para proteger o motor do superaquecimento e da corrosão interna.
  • Fluido de freio: tem validade e absorve umidade com o tempo, então precisa ser trocado periodicamente para manter a frenagem segura.
  • Óleo de câmbio e do diferencial: por ser tração traseira, o Chevette tem o diferencial no eixo de trás, que também pede óleo próprio em dia.

Como sempre, a regra num clássico é não improvisar produto nem esticar troca, principalmente no arrefecimento, e seguir a orientação de quem conhece a mecânica do carro.

Pneus e rodas

O Chevette usava rodas pequenas de fábrica, com pneus estreitos condizentes com a época, mas muitos carros hoje rodam com rodas e pneus diferentes dos originais por conta de modificações feitas ao longo dos anos, então o ideal é conferir o que aquele carro específico usa e o que é adequado para ele.

Quem busca originalidade de coleção costuma procurar as rodas e medidas de época corretas para a versão, o que valoriza o carro, enquanto quem usa o Chevette mais para passear às vezes opta por conjuntos um pouco diferentes. Em qualquer caso, o certo é calibrar na pressão recomendada, manter os quatro pneus em bom estado e evitar medidas muito distantes da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, na dirigibilidade e na segurança de um carro que já é de tração traseira e pede respeito no piso molhado.

Desempenho

Como referência, e lembrando que o Chevette é um clássico compacto dos anos 1970 a 1990, o desempenho tem que ser entendido dentro da proposta e da época, não comparado a um carro moderno.

  • 1.4: anda de forma adequada para um compacto leve e simples, cumprindo bem o papel de carro de cidade e passeio tranquilo, sem pretensão esportiva.
  • 1.6: tem mais fôlego, dá conta melhor de estrada e de carro cheio e agrada quem quer um Chevette um pouco mais animado, sendo a escolha de quem prioriza desempenho.
  • Versões a álcool: costumam render um pouco mais de potência que as equivalentes a gasolina, característica comum dos motores da época.

Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor, o câmbio e o combustível, e num clássico dependem muito do estado e da regulagem, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número específico como referência.

Conforto e equipamentos

O Chevette é um carro de proposta simples, então quem procura muito conforto e itens de série provavelmente vai achar pouco, mas em compensação ele é leve, fácil de dirigir e de estacionar e tem aquele charme direto de carro antigo. As versões mais básicas têm acabamento bem espartano, enquanto as linhas mais completas, como as identificadas por siglas como DL e SL ao longo dos anos, traziam mais itens de acabamento e conveniência para a época.

Os equipamentos variam muito conforme o ano e a versão, de modo que detalhes de acabamento, bancos e itens de conveniência apareciam sobretudo nas versões mais completas, enquanto as de entrada eram bem simples, e os derivados, como a perua Marajó e a picape Chevy 500, seguiam a mesma lógica de simplicidade com foco no espaço e na utilidade. Na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem e se o acabamento é original ou foi refeito, porque num clássico a originalidade dos detalhes conta tanto para o prazer de uso quanto para o valor.

Perguntas frequentes

Quanto o Chevrolet Chevette faz por litro? Depende do motor, do combustível e principalmente da regulagem, mas como referência o Chevette a gasolina costuma andar perto de 9 a 11 km/l na cidade e um pouco mais na estrada, enquanto as versões a álcool rendem menos, na casa de 7 a 8 km/l na cidade quando estão bem reguladas, sendo que carburador sujo ou ignição fora de ponto derrubam bastante esse número, então trate tudo como aproximado e dependente do estado do carro.

O Chevette é um carro bom e confiável? Dentro da proposta de clássico simples, sim, porque o Chevette ficou famoso por ser robusto, econômico de manter e fácil de mexer, com mecânica descomplicada, peça barata e mecânico em qualquer canto, mas é um carro antigo que pede atenção com ferrugem, carburador e parte elétrica, então o que decide mesmo é o estado e o histórico daquela unidade, e não só o ano.

Qual a diferença entre o Chevette, a Marajó e a Chevy 500? São da mesma família e dividem a base mecânica: o Chevette é o carro de passeio, oferecido como sedã de duas e quatro portas e como Chevette Hatch, a Marajó é a versão perua station wagon, com mais espaço de carga atrás, e a Chevy 500 é a picape pequena derivada do projeto, então quem quer passeio olha o Chevette, quem quer espaço olha a Marajó e quem quer carga leve olha a Chevy 500.

O Chevette tem tração traseira? Sim, todo Chevette brasileiro é de tração traseira, herança direta do projeto Opel Kadett que deu origem ao carro, ou seja, quem empurra são as rodas de trás, o que faz parte do charme de dirigir o clássico, mas pede um pouco mais de cuidado em piso molhado do que os compactos modernos de tração dianteira.

Quanto custa um Chevrolet Chevette na tabela FIPE? O Chevette é um clássico e por isso foge da lógica da FIPE comum, já que o valor depende muito do estado, da originalidade e da raridade da versão, com exemplares bem conservados e originais sendo valorizados por colecionador, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é usar a FIPE só como ponto de partida e comparar com anúncios de Chevette em estado semelhante.

Galeria

Fotos de Chevrolet Chevette enviadas por leitores do Carro Raiz.

Tem um Chevrolet Chevette? Manda foto do seu que a gente coloca aqui.

Enviar foto por email