Ford Fiesta: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais
1996 a 2019 (Fiesta antigo, Fiesta Rocam e New Fiesta)
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O Ford Fiesta é o compacto que a Ford vendeu por mais de vinte anos no Brasil e teve fases bem diferentes: o Fiesta antigo começou em 1996 com o fraco motor Endura e a linha Zetec, evoluiu para o conhecido Zetec Rocam 1.0 e 1.6 na fase Rocam de hatch e sedã, que é simples, econômico e de peça barata, e por fim veio o New Fiesta, de 2013 em diante, com motores 1.5 e 1.6 Ti-VCT da família Sigma, visual moderno e a opção de câmbio automatizado PowerShift. No Fiesta Rocam o ponto de maior atenção é o sistema de arrefecimento, principalmente a carcaça plástica da válvula termostática, enquanto no New Fiesta o alerta mais sério é o câmbio PowerShift de dupla embreagem seca, que gerou muitos relatos de trepidação e falha e pode dar reparo caro. Como sempre, o que decide se vale a pena é o estado e o histórico da unidade, não o ano, e para preço use a tabela FIPE oficial.
Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Ford Fiesta, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.
O Fiesta foi um dos compactos mais vendidos da Ford no Brasil e ficou tanto tempo em linha que teve fases bem distintas, o que é importante entender antes de qualquer coisa. O Fiesta antigo, lançado por aqui em 1996, começou com o fraco motor Endura e a linha Zetec e depois evoluiu para o conhecido Zetec Rocam, na chamada fase Rocam, quando ganhou hatch e sedã e virou um carro simples, econômico e de peça barata. Já o New Fiesta, apresentado como importado e depois fabricado no Brasil a partir de 2013, é um projeto mais moderno, com motores 1.5 e 1.6 Ti-VCT da família Sigma, acabamento melhor e a opção de câmbio automatizado PowerShift, que virou o ponto mais comentado do modelo.
Como são carros bem diferentes entre si, esta página trata dessas fases e deixa claro em cada ponto de qual delas está falando. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores que ele teve, o consumo, os problemas que mais aparecem, como é a manutenção, o que esperar do câmbio PowerShift, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio.
Resumo rápido
Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível e o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado. Para ilustrar as fases, a tabela compara um Fiesta da fase Rocam com motor 1.0 e o New Fiesta 1.6 Ti-VCT.
| Item | Fiesta Rocam 1.0 | New Fiesta 1.6 Ti-VCT |
|---|---|---|
| Marca | Ford | Ford |
| Categoria | Hatch compacto | Hatch compacto |
| Motor | 1.0 8v Zetec Rocam | 1.6 16v Sigma Ti-VCT, flex |
| Potência | cerca de 69 a 73 cv | até cerca de 130 cv (flex) |
| Torque | perto de 9 a 9,3 kgfm | perto de 16 kgfm |
| Câmbio | manual de 5 marchas | manual de 5 marchas ou PowerShift automatizado |
| Tração | dianteira | dianteira |
| Combustível | gasolina ou flex, conforme o ano | flex |
| Tanque | cerca de 45 litros | cerca de 51 litros |
| Carrocerias | hatch e sedã | hatch e sedã |
| Consumo na cidade | perto de 11 a 13 km/l (gasolina) | perto de 11 km/l (gasolina) |
| Consumo na estrada | perto de 14 a 15 km/l (gasolina) | perto de 13 a 14 km/l (gasolina) |
Vale notar que os primeiros Fiesta, da segunda metade dos anos 1990, saíram com o motor Endura 1.0, que era fraco e datado, e que o carro só ficou realmente bom de motor quando passou para a linha Zetec Rocam no começo dos anos 2000, que é a fase que a maioria das pessoas conhece como Fiesta.
História do modelo
O Ford Fiesta chegou ao Brasil em 1996 como o compacto de entrada da marca, disputando o mercado com carros como Gol, Palio e Corsa. No começo ele vinha com o motor Endura 1.0, um projeto antigo e de baixa potência, e com a linha Zetec em versões maiores, e nessa primeira fase o carro era conhecido por andar pouco na versão de entrada, embora já agradasse pelo comportamento e pelo espaço interno para o tamanho.
A virada de qualidade veio no começo dos anos 2000, quando a Ford adotou a família de motores Zetec Rocam, mais moderna, econômica e com corrente de distribuição no lugar da correia, começando a chamada fase Rocam, que é a mais lembrada do Fiesta. Nessa fase o carro ganhou o sedã além do hatch, passou por reestilizações que mexeram principalmente na frente e no acabamento e se firmou como uma opção barata e simples de manter, com peça em qualquer canto por dividir muita coisa com o Ka e a EcoSport da época.
A grande mudança veio com o New Fiesta, que começou a ser vendido como importado por volta de 2011 e passou a ser fabricado no Brasil em 2013, sobre uma plataforma global nova e moderna. Esse New Fiesta trouxe visual atual, interior bem mais elaborado, os motores 1.5 e 1.6 Ti-VCT da família Sigma e, como grande novidade, a opção de câmbio automatizado PowerShift de dupla embreagem. Ele foi vendido em hatch e sedã até por volta de 2019, quando saiu de linha no país à medida que a Ford reduzia sua operação por aqui, o que deixou o Fiesta como um usado que vai do compacto antigo e simples ao hatch moderno de acabamento caprichado.
Versões e motores
Como o Fiesta teve fases muito diferentes, o mais útil é separar por geração.
No Fiesta antigo e na fase Rocam você vai encontrar basicamente:
- Motor Endura 1.0 (fase inicial): o motor de partida do carro nos primeiros anos, fraco e datado, que hoje só interessa a quem gosta de carro antigo, porque anda pouco.
- Zetec Rocam 1.0: o motor que fez o Fiesta valer a pena, moderno para a época, econômico e com corrente de distribuição, aparecendo na maioria das versões de acabamento mais simples ao longo dos anos, com nomes como Street, First e Class conforme a época.
- Zetec Rocam 1.6: a opção mais forte da fase Rocam, com bom fôlego para um carro pequeno e leve, procurada por quem queria um Fiesta mais animado, aparecendo em versões mais completas como Personnalité, Trend e SE.
- Carrocerias hatch e sedã: a fase Rocam teve as duas, sendo o sedã uma opção para quem queria porta-malas separado mantendo a mecânica simples.
No New Fiesta (2013 em diante) as opções são:
- 1.5 Ti-VCT três cilindros e quatro cilindros conforme o ano flex: o motor de entrada da linha, econômico e suficiente para a cidade, presente nas versões mais em conta como S e SE.
- 1.6 Ti-VCT Sigma flex: o motor mais forte, com comando variável que dá bom desempenho e bom consumo para o tamanho, aparecendo em versões mais completas como SEL e Titanium e, dependendo do ano, com a opção de câmbio automatizado.
- Câmbio PowerShift: o automatizado de dupla embreagem oferecido no New Fiesta, que é justamente o ponto que pede mais atenção, tratado em detalhe nas seções de mecânica e de problemas.
- Carrocerias hatch e sedã: o New Fiesta também teve as duas, com o sedã oferecendo porta-malas maior mantendo o mesmo conjunto mecânico.
Uma dica honesta, que vale para qualquer Fiesta, é não confiar só no nome da versão, porque o que importa mesmo é conferir na hora o que aquele carro específico realmente tem de equipamento, qual câmbio ele usa e como está de mecânica e de estado geral.
Motor e mecânica
Aqui é onde as fases do Fiesta mais se diferenciam, então vale entender cada uma.
No Fiesta Rocam, o motor que interessa é o Zetec Rocam, tanto no 1.0 quanto no 1.6, e ele traz uma boa notícia de manutenção:
Corrente de distribuição: é a peça que sincroniza o movimento interno do motor, e, diferente da correia dentada de borracha que muitos carros usam, a corrente de metal do Rocam tende a durar mais e não tem um prazo curto e fixo de troca. Ainda assim ela pode dar sinal de desgaste com os anos, então, se aparecer um barulho metálico no motor, vale investigar em vez de ignorar.
O Rocam é conhecido por ser simples, resistente e econômico, com peça barata e mecânico em qualquer canto, mas ele tem um calcanhar de aquiles bem conhecido, que é o arrefecimento:
Carcaça da válvula termostática: é a peça que abriga a válvula que controla a temperatura do motor, e no Rocam ela é feita de plástico, material que resseca e trinca com o tempo, podendo vazar água e deixar o motor esquentar. Como o Rocam é sensível a superaquecimento, ao ponto de trincar o cabeçote em casos graves, vale ficar de olho nessa peça e nas mangueiras, tratando a troca preventiva como um cuidado barato que evita um prejuízo grande.
No New Fiesta, a mecânica do motor Sigma Ti-VCT é moderna e equilibrada, mas o ponto que você precisa entender antes de tudo não é o motor, e sim o câmbio das versões automáticas:
Câmbio PowerShift: é um câmbio automatizado de dupla embreagem seca, ou seja, ele funciona como um manual que troca as marchas sozinho usando duas embreagens, e não como um automático tradicional de conversor. O projeto promete economia e trocas rápidas, mas na prática gerou muitos relatos de trepidação, solavancos na saída, hesitação e perda de força, além de desgaste da embreagem, e alguns donos precisaram trocar o kit de embreagem mais de uma vez, às vezes com o problema voltando, então essa é a parte mais crítica do New Fiesta automático.
Ou seja, no New Fiesta com PowerShift a atenção redobrada fica no câmbio, e não à toa muitos compradores preferem a versão de câmbio manual, que é mais simples e previsível. Fora isso, o New Fiesta ainda acumula relatos de suspensão traseira e de frente baixa que raspa em lombada e valeta, o que é mais questão de conforto e de cuidado ao dirigir do que de defeito grave.
Consumo
Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol, já que boa parte dos Fiesta é flex e o etanol sempre rende menos quilômetros por litro.
No Fiesta Rocam:
- 1.0 com gasolina: perto de 11 a 13 km/l na cidade e cerca de 14 a 15 km/l na estrada, sendo um carro leve e econômico.
- 1.6 com gasolina: um pouco abaixo disso, por ter mais motor, embora ainda seja econômico para o desempenho que entrega.
No New Fiesta:
- 1.5 com gasolina: costuma ficar na casa dos 11 a 13 km/l na cidade e 14 km/l na estrada, sendo o mais econômico da linha.
- 1.6 com gasolina: gira em torno de 11 km/l na cidade e 13 a 14 km/l na estrada, com a versão PowerShift rendendo números parecidos aos do manual.
- No etanol: em qualquer motor, espere um consumo bem menor, na ordem de vários quilômetros por litro a menos, já que é da natureza do combustível render menos.
Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir, o peso e a carga, o ar-condicionado ligado e a manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa.
Manutenção
O básico pra manter um Fiesta saudável envolve alguns itens, sendo eles:
- Óleo e filtro de óleo: o item mais importante em qualquer carro, que precisa ser trocado no prazo e com o óleo na especificação certa, e no New Fiesta 1.5 de três cilindros esse cuidado é ainda mais crítico, conforme a seção de óleo mais abaixo.
- Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo.
- Velas e cabos ou bobinas: responsáveis pela ignição, sendo que, quando estão gastos, causam falha, engasgo e aumento de consumo.
- Distribuição: no Fiesta Rocam é corrente, que dura mais, enquanto no New Fiesta depende do motor, havendo versões com correia dentada que segue o intervalo do manual, então vale confirmar o que o seu carro usa.
- Correia dos acessórios (do alternador e afins): que costuma ressecar com o tempo e pedir troca.
- Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
- Sistema de arrefecimento: cujas mangueiras, a carcaça plástica da válvula termostática e as peças plásticas envelhecem e ressecam, ponto especialmente sensível no Fiesta Rocam, como você vê logo abaixo.
- Embreagem e câmbio: de atenção redobrada no New Fiesta com PowerShift, cuja embreagem dupla é justamente o item que mais gerou reclamação.
- Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil.
- Suspensão: cujos amortecedores, batentes, coxins e buchas se desgastam e afetam o conforto e a segurança, com o New Fiesta acumulando relatos na traseira.
- Pneus: conforme a seção de pneus.
Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário do carro, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui.
Problemas comuns
Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa. Separamos por fase porque os pontos fracos são diferentes.
New Fiesta: câmbio PowerShift
- O que é: o câmbio automatizado de dupla embreagem seca das versões automáticas, que é o problema mais citado do New Fiesta.
- Como perceber: trepidação ou solavancos na saída e em baixa velocidade, hesitação para engatar, perda de força, cheiro de embreagem queimada ou aviso de falha da transmissão no painel.
- Possíveis causas: desgaste e superaquecimento da embreagem dupla e limitações do próprio projeto, agravados por trânsito pesado e uso urbano.
- Gravidade: pode ser alta, porque a troca da embreagem ou o reparo do câmbio é caro e, em alguns relatos, o problema voltou depois do conserto.
- O que fazer: testar bem o câmbio em trânsito antes de comprar, valorizar histórico de manutenção e, para quem prioriza tranquilidade, considerar a versão de câmbio manual.
Fiesta Rocam: sistema de arrefecimento
- O que é: são as peças que controlam a temperatura do motor, com destaque para a carcaça plástica da válvula termostática, além de mangueiras e componentes que com o tempo ressecam e racham.
- Como perceber: a temperatura sobe mais que o normal, aparece marca de água ou líquido embaixo do carro, ou surge um cheiro doce.
- Possíveis causas: envelhecimento das peças plásticas e falta de manutenção do sistema.
- Gravidade: pode ser séria, porque o Rocam é sensível a superaquecimento e chega a trincar o cabeçote em casos graves.
- O que fazer: se a temperatura disparar, não insista, pare com segurança e avalie, e nas revisões fique de olho no estado das mangueiras e da carcaça do termostato, tratando a troca preventiva como barata perto do estrago que evita.
Fiesta Rocam: parte elétrica e ignição
- Como perceber: o carro falha, engasga ou não pega direito, às vezes por bobina de ignição, cabos ou sensor com defeito, além de eventuais falhas em itens elétricos simples.
- Gravidade: média, porque atrapalha o funcionamento e pode deixar você na mão, mas costuma ter reparo barato.
New Fiesta: suspensão traseira e frente baixa
- Como perceber: barulhos ou desgaste na suspensão traseira em alguns relatos, e a frente baixa que raspa em lombada, valeta e entrada de garagem.
- Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto e a custo do que a segurança, mas vale checar a suspensão e dirigir com cuidado em obstáculos.
Fiesta em geral: acabamento e itens de conforto
- Como perceber: no Rocam, acabamento simples e alguns rangidos típicos de carro de entrada, e no New Fiesta relatos pontuais de itens de acabamento e de eletrônica de bordo.
- Gravidade: baixa, mais ligada a conforto do que a mecânica.
Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade.
Quando você deve se preocupar
Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:
- luz de óleo acesa ou temperatura subindo demais, ponto delicado no Fiesta Rocam por causa da sensibilidade a superaquecimento;
- trepidação forte, solavancos ou perda de força no câmbio automático do New Fiesta, ou aviso de falha da transmissão no painel;
- fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
- vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
- barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
- perda de força ou o carro “engasgando” e falhando;
- cheiro de embreagem queimada, principalmente nas versões PowerShift;
- dificuldade pra ligar;
- cheiro forte de combustível;
- freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado.
Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando.
Vale a pena comprar um Ford Fiesta usado?
Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, mas ainda assim dá pra pesar alguns pontos, lembrando que a resposta muda conforme a fase do carro.
Pontos positivos
- O Fiesta Rocam é leve, econômico e simples de manter, com peça barata e mecânico em qualquer canto por dividir muita coisa com o Ka e a EcoSport da época.
- O New Fiesta é moderno, bem acabado para a categoria, gostoso de dirigir e com bom pacote de itens nas versões completas.
- Nas duas fases é um compacto de bom espaço interno para o tamanho, fácil de dirigir e de estacionar na cidade.
Pontos de atenção
- O Fiesta Rocam pede atenção com o arrefecimento, principalmente a carcaça plástica do termostato, e o motor Endura dos primeiros anos é fraco.
- O New Fiesta com câmbio PowerShift exige cautela, porque esse câmbio gerou muitos relatos de trepidação, falha e reparo caro, o que faz muita gente preferir a versão manual.
- Como a Ford saiu da fabricação de carros no Brasil, vale conferir a disponibilidade e o preço de algumas peças, principalmente do New Fiesta e do câmbio automatizado.
Resumindo de forma honesta, um Fiesta bem cuidado pode ser um usado racional, seja um Rocam simples e barato de manter com o arrefecimento em dia, seja um New Fiesta manual bem conservado e agradável de dirigir, enquanto um New Fiesta automático com PowerShift problemático pode virar uma dor de cabeça cara, então o foco tem que estar no estado, no câmbio e no histórico.
Checklist de compra
Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos:
- Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho
- Temperatura, que deve ficar normal depois de esquentar, com atenção redobrada ao arrefecimento no Fiesta Rocam e ao estado da carcaça do termostato
- Câmbio, com troca de marchas suave, e no New Fiesta automático testar bem o PowerShift em trânsito, sem trepidação, solavancos ou hesitação
- Embreagem, que não deve patinar em subida nem cheirar a queimado
- Direção, sem peso repentino nem folga estranha
- Suspensão, sem batidas em buraco e com o carro estável, checando a traseira no New Fiesta
- Freios, que devem parar reto e com pedal firme
- Pneus, com desgaste parelho, todos iguais e em bom estado
- Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, painel, multimídia e luzes
- Ar-condicionado, que deve gelar de verdade quando o carro tem o item
- Carroceria, sem sinais de batida, ferrugem, pintura desalinhada ou infiltração, e sem marcas de raspagem na frente baixa do New Fiesta
- Interior, com bancos e acabamento em ordem e sem cheiro de mofo ou água
- Documentação em dia, sem pendências e sem restrição
- Histórico de manutenção completo, com registro de óleo, revisões e, no automático, do câmbio
Preço e tabela FIPE
Aqui não inventamos preço, porque o valor de um Ford Fiesta muda muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença grande entre um Fiesta Rocam simples e um New Fiesta mais completo.
A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque um carro bem conservado, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto um carro batido, com problema de motor ou de câmbio e documentação pendente vale bem menos.
O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão e o ano do carro que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque preço bom demais costuma esconder algum problema, e no caso do New Fiesta automático vale prestar atenção redobrada na saúde do câmbio PowerShift antes de considerar que fez um bom negócio.
Custos de manutenção
Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão do carro.
O que dá pra dizer com honestidade é que o Fiesta Rocam está entre os carros mais baratos de manter, com peças acessíveis e muitas compartilhadas com o Ka e a EcoSport da época, enquanto o New Fiesta, por ser mais moderno, pode ter alguns serviços e peças mais específicos, principalmente na parte de câmbio automatizado, onde um reparo de PowerShift pesa no bolso. Some a isso o detalhe de a Ford ter saído da fabricação no Brasil, o que pede uma checada na disponibilidade de peças. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.
Óleo e fluidos
Confira sempre o manual e a etiqueta do carro, mas, como referência, vale saber que a especificação muda conforme a fase e o motor:
- New Fiesta (motores da família Ti-VCT): dependendo do motor, o manual pode pedir um óleo de baixa viscosidade e de especificação própria da Ford, ponto que é sério nos motores de três cilindros que usam correia banhada em óleo, onde a troca em dia e o óleo exato protegem a distribuição.
- Fiesta Rocam: os motores dessa fase costumam usar viscosidades como 5W-30 ou similares indicadas no manual, mais tolerantes, mas ainda assim é importante seguir a recomendação.
- Capacidade: varia conforme o motor, então o certo é seguir o que o manual do seu carro indica.
Usar um óleo fora da especificação certa pode prejudicar a lubrificação e, nos motores modernos de três cilindros, é apontado como uma das causas de dano à distribuição interna, então não troque a viscosidade nem a especificação por conta própria, e, para os demais fluidos, como freio, arrefecimento e câmbio, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água.
Pneus e rodas
A medida muda conforme a geração e a versão, sendo que o Fiesta Rocam costuma usar rodas menores, comumente aro 13 ou 14 com pneus estreitos, enquanto o New Fiesta aparece com rodas maiores nas versões mais completas, geralmente aro 15 ou 16 conforme o acabamento.
O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas do carro é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, evitando trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, no consumo e na segurança, e no New Fiesta, de frente já baixa, rodas muito grandes pioram o problema de raspar em obstáculo.
Desempenho
Como referência, e lembrando que o Fiesta sempre foi um compacto pensado mais para cidade e economia do que para esportividade:
- Fiesta antigo Endura 1.0: é o mais fraco de todos, com desempenho modesto, aceleração lenta e velocidade máxima baixa, então só interessa a quem gosta de carro antigo.
- Fiesta Rocam 1.0 e 1.6: o 1.0 anda de forma satisfatória para um carro leve, e o 1.6 é bem mais animado, agradando quem quer um pequeno mais esperto.
- New Fiesta 1.5: tem desempenho suficiente para a cidade e viagens tranquilas, rendendo bem para o tamanho.
- New Fiesta 1.6 Ti-VCT: é o mais forte, com o comando variável entregando bom fôlego para estrada e para carro cheio, sendo a escolha de quem quer mais desempenho.
Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor, o câmbio e o combustível, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa.
Conforto e equipamentos
O Fiesta Rocam é um carro de proposta simples, com acabamento básico e nível de conforto modesto, então quem procura maciez e muitos itens de série provavelmente vai achar pouco, mas em compensação ele é leve, econômico e fácil de dirigir e estacionar, com bom espaço interno para o tamanho. Já o New Fiesta deu um salto grande nesse quesito, com interior mais moderno, melhor acabamento para a categoria, central multimídia com o sistema de conectividade nas versões mais completas e itens de conforto e segurança que o Rocam nem sonhava.
Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricos, central multimídia e mais airbags aparecem principalmente nas versões mais completas do New Fiesta, como SEL e Titanium, enquanto as de entrada e todo o Fiesta Rocam podem ser bem básicas, então, na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão.
Perguntas frequentes
Quanto o Ford Fiesta faz por litro? Depende muito da fase e do motor: o Fiesta Rocam 1.0 costuma andar perto de 11 a 13 km/l na cidade e 14 a 15 km/l na estrada com gasolina, o Rocam 1.6 fica um pouco abaixo por ter mais motor, e o New Fiesta 1.6 gira em torno de 11 km/l na cidade e 13 a 14 km/l na estrada com gasolina, sempre rendendo bem menos no etanol, e tudo isso é aproximado e depende de como e onde você dirige.
O câmbio PowerShift do New Fiesta é confiável? É o ponto mais delicado do New Fiesta, porque o PowerShift é um câmbio automatizado de dupla embreagem seca que gerou muitos relatos de trepidação, solavancos na saída e perda de força, além de troca de embreagem e reparos que às vezes voltaram a dar problema, então ao olhar um New Fiesta automático vale valorizar histórico de manutenção, testar bem o câmbio em trânsito e desconfiar de qualquer trepidação ou hesitação forte.
Qual a diferença entre o Fiesta Rocam e o New Fiesta? O Fiesta Rocam, vendido dos anos 2000 até meados dos anos 2010, é o Fiesta mais simples e conhecido, com motores 1.0 e 1.6 Zetec Rocam e carrocerias hatch e sedã, enquanto o New Fiesta, de 2013 em diante, é um projeto mais novo e moderno, com motores 1.5 e 1.6 Ti-VCT da família Sigma, acabamento melhor e a opção do câmbio automatizado PowerShift, que não existia no Rocam.
O Ford Fiesta é confiável? Pode ser, desde que bem cuidado, porque o Fiesta Rocam é simples, barato de manter e com peça em qualquer canto, mas pede atenção com o arrefecimento, enquanto o New Fiesta é mais moderno e confortável, só que a versão com câmbio PowerShift exige cautela pelo histórico de problemas desse câmbio, então o que decide mesmo é o estado e o histórico daquela unidade, e não só o ano.
Quanto custa um Ford Fiesta na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano e o estado, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pelo modelo e ano exatos e usar isso como referência de mercado, não como preço fixo.
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