Ford EcoSport: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais
2003 a 2021 (primeira e segunda geração)
Atualizado em
A Ford EcoSport foi a pioneira dos SUVs compactos no Brasil e teve duas gerações bem diferentes: a primeira, de 2003 a 2012, é aquela robusta e simples, com o estepe pendurado na traseira, motores Zetec Rocam 1.0 e 1.6 e o Duratec 2.0, boa altura livre do solo e mecânica conhecida, enquanto a segunda, de 2012 em diante, é mais moderna e confortável, com o estepe na porta traseira, motores 1.6 e 2.0 Ti-VCT e, a partir de 2017, o 1.5 Dragon de três cilindros, além de versões como FreeStyle e Titanium. Os pontos de maior atenção mudam conforme a fase: o sistema de arrefecimento aparece nos motores mais antigos, o câmbio automatizado PowerShift é o alerta sério de parte da segunda geração e o motor 1.5 Dragon teve relatos e recall ligados à correia dentada. Como sempre, o que decide se vale a pena é o estado e o histórico da unidade, não o ano, e para preço use a tabela FIPE oficial.
Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar uma Ford EcoSport, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.
A EcoSport foi a pioneira dos SUVs compactos no Brasil e ficou tanto tempo em linha que teve duas gerações bem diferentes, o que é importante entender antes de qualquer coisa. A primeira geração, de 2003 a 2012, é aquela mais robusta e simples, com o estepe pendurado na traseira, motores Zetec Rocam 1.0 e 1.6 e o Duratec 2.0, boa altura livre do solo e cara de aventureira. Já a segunda geração, de 2012 em diante, é mais moderna e confortável, com o estepe agora na porta traseira, motores 1.6 e 2.0 Ti-VCT, o 1.5 Dragon de três cilindros a partir de 2017 e versões como FreeStyle e Titanium, além do câmbio automatizado PowerShift em parte da linha, que virou o ponto mais comentado.
Como são carros bem diferentes entre si, esta página trata das duas gerações e deixa claro em cada ponto de qual delas está falando. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores que ela teve, o consumo, os problemas que mais aparecem, como é a manutenção, o que esperar do câmbio PowerShift e do motor 1.5 Dragon, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio.
Resumo rápido
Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível e o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado. Para ilustrar as gerações, a tabela compara uma EcoSport 1.6 da primeira geração com uma EcoSport 1.6 da segunda.
| Item | EcoSport 1ª geração 1.6 | EcoSport 2ª geração 1.6 |
|---|---|---|
| Marca | Ford | Ford |
| Categoria | SUV compacto | SUV compacto |
| Motor | 1.6 8v Zetec Rocam, flex | 1.6 16v Ti-VCT Sigma, flex |
| Potência | cerca de 95 a 110 cv (flex) | cerca de 120 a 130 cv (flex) |
| Torque | perto de 14 a 15 kgfm | perto de 15 a 16 kgfm |
| Câmbio | manual de 5 marchas | manual de 5 marchas (havia PowerShift no 2.0) |
| Tração | dianteira (4x4 em versões do 2.0) | dianteira |
| Combustível | flex, conforme o ano | flex |
| Estepe | pendurado na traseira | na porta traseira |
| Porta-malas | em torno de 300 a 440 litros conforme a medição | cerca de 360 litros |
| Consumo na cidade | perto de 8 a 10 km/l (gasolina) | perto de 8 a 10 km/l (gasolina) |
| Consumo na estrada | perto de 11 a 12 km/l (gasolina) | perto de 12 km/l (gasolina) |
Vale notar que a EcoSport nasceu sobre a plataforma do Fiesta e por isso compartilha muita mecânica com ele e com o Ka da época, principalmente na primeira geração, o que ajuda na hora de achar peça e mecânico.
História do modelo
A Ford EcoSport chegou ao Brasil em 2003 e praticamente inaugurou o segmento de SUV compacto no país, misturando a mecânica do Fiesta com uma carroceria alta, robusta e de visual aventureiro, com o estepe pendurado na traseira, item que virou marca registrada dessa fase. Ela fez muito sucesso por entregar postura de SUV, boa altura livre do solo e espaço interno a um preço acessível, e passou por uma reestilização ao longo dos anos que mexeu na frente e no acabamento, seguindo em linha até por volta de 2012.
A segunda geração chegou em 2012, já como linha 2013, construída sobre a plataforma global do New Fiesta, com visual mais moderno e fluido, interior bem mais elaborado e o estepe agora fixado na porta traseira, que abre para o lado. Essa geração trouxe os motores 1.6 e 2.0 Ti-VCT e, nas versões 2.0 de certos anos, o câmbio automatizado PowerShift, que se tornaria seu ponto mais polêmico.
Em 2017 a EcoSport passou por uma boa atualização, quando adotou o motor 1.5 Dragon de três cilindros no lugar do 1.6, além de manter o 2.0 mais forte, agora com câmbio automático de seis marchas com conversor no lugar do PowerShift nas versões mais novas. A linha teve versões como S, SE, FreeStyle, de pegada mais aventureira, e Titanium, mais completa, além de opções com tração nas quatro rodas em parte da história. A EcoSport foi produzida até 2021, quando saiu de linha com o fechamento da fábrica da Ford na Bahia, o que hoje deixa o modelo como um usado que vai da SUV compacta antiga e simples à mais moderna e confortável.
Versões e motores
Como a EcoSport teve duas gerações bem diferentes, o mais útil é separar por geração.
Na primeira geração (2003 a 2012) você vai encontrar basicamente:
- 1.0 (versão de entrada): motor de menor potência, pensado para baixar o preço, mas que fica devagar num carro alto e pesado como a EcoSport, então costuma ser o menos procurado.
- 1.6 Zetec Rocam: o motor mais comum e equilibrado da primeira geração, econômico dentro do possível para um SUV e com peça barata por dividir base com o Fiesta e o Ka, aparecendo em versões como XL e XLS.
- 2.0 Duratec: o mais forte da primeira geração, de 16 válvulas, indicado para quem queria mais desempenho e disponível em versões mais completas como a XLT, inclusive com opção de tração 4x4 em parte da linha.
- Estepe na traseira: a marca dessa fase, com o pneu reserva pendurado por fora, na tampa traseira.
Na segunda geração (2012 em diante) as opções são:
- 1.6 Ti-VCT Sigma: o motor de entrada da segunda geração, mais moderno que o Rocam, com comando variável, bom para cidade e uso do dia a dia, presente em versões como SE e FreeStyle.
- 2.0 Ti-VCT: o motor mais forte, indicado para quem quer mais desempenho e viagem, oferecido em parte dos anos com o câmbio automatizado PowerShift e, mais tarde, com automático de seis marchas com conversor, aparecendo em versões completas como a Titanium.
- 1.5 Dragon (a partir de 2017): motor de três cilindros que substituiu o 1.6, mais econômico, mas que teve relatos e recall ligados à correia dentada, tratados nas seções de mecânica e de problemas.
- Versões FreeStyle e Titanium: a FreeStyle é a de pegada mais aventureira, com detalhes próprios, e a Titanium é a mais completa em conforto e equipamentos.
Uma dica honesta, que vale para qualquer EcoSport, é não confiar só no nome da versão, porque o que importa mesmo é conferir na hora qual motor e qual câmbio aquele carro específico usa, o que ele realmente tem de equipamento e como está de mecânica e de estado geral.
Motor e mecânica
Aqui é onde as duas gerações da EcoSport mais se diferenciam, então vale entender cada uma.
Na primeira geração, os motores são os conhecidos Zetec Rocam 1.0 e 1.6 e o Duratec 2.0, mecânica simples e conhecida, mas que traz um ponto de atenção clássico dessa família, o arrefecimento:
Carcaça da válvula termostática: é a peça que abriga a válvula que controla a temperatura do motor, e nesses motores ela costuma ser de plástico, material que resseca e trinca com o tempo, podendo vazar água e deixar o motor esquentar. Como esses motores são sensíveis a superaquecimento, vale ficar de olho nessa peça e nas mangueiras, tratando a troca preventiva como um cuidado barato que evita um prejuízo grande, ainda mais num SUV mais pesado que exige mais do arrefecimento.
Fora isso, a primeira geração é robusta e fácil de manter, e um detalhe prático é que o estepe pendurado na traseira, apesar de charmoso, deixa a tampa mais pesada e exige atenção às dobradiças e ao trinco com o tempo.
Na segunda geração, a mecânica é mais moderna, mas surgem dois pontos importantes. O primeiro é o câmbio das versões automáticas de parte da linha:
Câmbio PowerShift: é um câmbio automatizado de dupla embreagem seca, ou seja, ele funciona como um manual que troca as marchas sozinho usando duas embreagens, e não como um automático tradicional de conversor. O projeto promete economia e trocas rápidas, mas na prática gerou muitos relatos de trepidação, solavancos na saída, hesitação e perda de força, ao ponto de a própria Ford substituir esse câmbio por um automático de seis marchas com conversor nas versões mais novas, então essa é a parte mais crítica das EcoSport automáticas dessa fase.
O segundo ponto aparece a partir de 2017, com o motor 1.5 Dragon de três cilindros:
Correia dentada do 1.5 Dragon: é a peça que sincroniza o movimento interno do motor, e no 1.5 Dragon ela trabalha em contato com o óleo dentro do motor, o que exige troca de óleo religiosamente em dia e na especificação certa. Esse motor teve relatos de perda de dentes e até rompimento da correia antes do previsto, com risco de dano ao motor, e chegou a ser alvo de recall relacionado à polia e à sincronização, então em uma EcoSport 1.5 vale valorizar histórico de óleo comprovado e checar se os recalls foram feitos.
Ou seja, na segunda geração a atenção redobrada fica no câmbio PowerShift, nas versões que o usam, e na manutenção do 1.5 Dragon, enquanto o motor 2.0 é forte e conhecido, mas mais gastão. De resto, a EcoSport da segunda geração é confortável e agradável de dirigir, com a vantagem da postura alta de SUV.
Consumo
Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol, já que a EcoSport é flex e o etanol sempre rende menos quilômetros por litro, lembrando ainda que, por ser um SUV mais alto e pesado, ela costuma beber um pouco mais que um hatch do mesmo motor.
Na primeira geração:
- 1.6 com gasolina: perto de 8 a 10 km/l na cidade e cerca de 11 a 12 km/l na estrada.
- 2.0 com gasolina: um pouco abaixo disso, por ter mais motor e mais peso, principalmente nas versões com tração 4x4.
Na segunda geração:
- 1.6 com gasolina: perto de 8 a 10 km/l na cidade e cerca de 12 km/l na estrada.
- 2.0 com gasolina: mais gastão que o 1.6, por ser mais forte, ficando abaixo desses números.
- 1.5 Dragon com gasolina: tende a ser o mais econômico da linha, por ser um motor mais moderno e de três cilindros.
- No etanol: em qualquer motor, espere um consumo bem menor, na ordem de vários quilômetros por litro a menos, já que é da natureza do combustível render menos.
Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir, o peso e a carga, o ar-condicionado ligado e a manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa.
Manutenção
O básico pra manter uma EcoSport saudável envolve alguns itens, sendo eles:
- Óleo e filtro de óleo: o item mais importante em qualquer carro, que precisa ser trocado no prazo e com o óleo na especificação certa, e na EcoSport 1.5 Dragon esse cuidado é ainda mais crítico por causa da correia interna, conforme a seção de óleo mais abaixo.
- Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo.
- Velas e cabos ou bobinas: responsáveis pela ignição, sendo que, quando estão gastos, causam falha, engasgo e aumento de consumo.
- Distribuição: varia conforme o motor, com corrente nos Rocam da primeira geração, que dura mais, e correia dentada em motores da segunda geração, com atenção especial à correia do 1.5 Dragon.
- Correia dos acessórios (do alternador e afins): que costuma ressecar com o tempo e pedir troca.
- Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
- Sistema de arrefecimento: cujas mangueiras, a carcaça plástica da válvula termostática e as peças plásticas envelhecem e ressecam, ponto sensível nos motores mais antigos e importante num SUV mais pesado.
- Embreagem e câmbio: de atenção redobrada nas versões com PowerShift, cuja embreagem dupla é justamente o item que mais gerou reclamação.
- Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil, exigidos por ser um carro mais pesado.
- Suspensão: cujos amortecedores, batentes, coxins e buchas se desgastam e afetam o conforto e a segurança, ainda mais em quem usa a EcoSport em rua ruim aproveitando a altura do carro.
- Pneus: conforme a seção de pneus.
Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário do carro, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui. No caso da EcoSport 1.5 Dragon, respeitar o intervalo de óleo do manual não é só recomendação, é o que protege o motor.
Problemas comuns
Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa. Separamos por fase porque os pontos fracos são diferentes.
Segunda geração: câmbio PowerShift
- O que é: o câmbio automatizado de dupla embreagem seca de parte das versões automáticas, que é o problema mais citado dessa fase.
- Como perceber: trepidação ou solavancos na saída e em baixa velocidade, hesitação para engatar, perda de força, cheiro de embreagem queimada ou aviso de falha da transmissão no painel.
- Possíveis causas: desgaste e superaquecimento da embreagem dupla e limitações do próprio projeto, agravados por trânsito pesado e uso urbano.
- Gravidade: pode ser alta, porque a troca da embreagem ou o reparo do câmbio é caro, tanto que a Ford acabou trocando esse câmbio por um automático de conversor nas versões mais novas.
- O que fazer: saber qual câmbio aquela EcoSport usa, testar bem em trânsito antes de comprar e valorizar histórico de manutenção, dando preferência, para quem quer tranquilidade, às versões manuais ou às de automático com conversor.
Segunda geração: motor 1.5 Dragon e correia dentada
- O que é: o motor de três cilindros das EcoSport de 2017 em diante teve relatos de problema na correia dentada, que trabalha em contato com o óleo.
- Como perceber: barulho anormal do motor, falha de funcionamento e, em casos graves, perda de sincronização com dano interno, às vezes de forma repentina.
- Possíveis causas: desgaste ou perda de dentes da correia e questões de projeto na polia e na sincronização, além de troca de óleo esticada ou fora da especificação.
- Gravidade: pode ser alta, porque o rompimento ou a perda de dentes danifica o motor, motivo pelo qual houve recall relacionado ao tema.
- O que fazer: manter a troca de óleo rigorosamente em dia e certa, checar se os recalls foram realizados e, ao comprar, valorizar histórico de revisão comprovado.
Primeira geração: sistema de arrefecimento
- O que é: são as peças que controlam a temperatura do motor, com destaque para a carcaça plástica da válvula termostática, além de mangueiras que com o tempo ressecam e racham.
- Como perceber: a temperatura sobe mais que o normal, aparece marca de água ou líquido embaixo do carro, ou surge um cheiro doce.
- Gravidade: pode ser séria, porque rodar superaquecido estraga o motor, ainda mais num SUV pesado.
- O que fazer: se a temperatura disparar, não insista, pare com segurança e avalie, e nas revisões fique de olho no estado das mangueiras e da carcaça do termostato.
EcoSport em geral: suspensão, buchas e itens de rodagem
- Como perceber: barulhos na suspensão, batidas em buraco e desgaste de buchas e amortecedores, comuns em quem usa o carro em rua ruim aproveitando a altura livre do solo.
- Gravidade: média, mais ligada a conforto, custo e segurança de rodagem do que a pane que deixa na mão.
Primeira geração: tampa traseira e estepe pendurado
- Como perceber: folga, barulho ou desgaste nas dobradiças e no trinco da tampa traseira, que carrega o peso do estepe, além de atenção à vedação para evitar infiltração.
- Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto e a acabamento do que a mecânica.
Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade.
Quando você deve se preocupar
Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:
- luz de óleo acesa ou temperatura subindo demais, ponto delicado nos motores mais antigos por causa do arrefecimento;
- trepidação forte, solavancos ou perda de força no câmbio automático PowerShift, ou aviso de falha da transmissão no painel;
- barulho anormal ou falha no motor 1.5 Dragon, que pede avaliação por causa do histórico de correia dentada;
- fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
- vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
- barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
- perda de força ou o carro “engasgando” e falhando;
- cheiro de embreagem queimada, principalmente nas versões PowerShift;
- dificuldade pra ligar;
- cheiro forte de combustível;
- freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado.
Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando.
Vale a pena comprar uma Ford EcoSport usada?
Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, mas ainda assim dá pra pesar alguns pontos, lembrando que a resposta muda conforme a geração.
Pontos positivos
- A EcoSport tem boa altura livre do solo e postura de SUV nas duas gerações, o que ajuda em rua ruim, lombada, valeta e estrada de terra leve.
- A primeira geração é robusta, simples e barata de manter, com peça acessível por dividir base com o Fiesta e o Ka.
- A segunda geração é mais moderna, confortável e bem acabada, com bom espaço e boa posição de dirigir.
Pontos de atenção
- A EcoSport com câmbio PowerShift exige cautela, porque esse câmbio gerou muitos relatos de trepidação, falha e reparo caro, tanto que a Ford o substituiu depois.
- O motor 1.5 Dragon teve relatos e recall ligados à correia dentada, então pede histórico de óleo e recalls em dia.
- Os motores mais antigos pedem atenção com o arrefecimento, e, como a Ford saiu da fabricação no Brasil, vale conferir a disponibilidade e o preço de algumas peças.
Resumindo de forma honesta, uma EcoSport bem cuidada pode ser um usado interessante para quem quer um SUV compacto de boa altura, seja uma primeira geração simples e robusta com o arrefecimento em dia, seja uma segunda geração confortável e moderna, de preferência nas versões manuais ou de automático com conversor, enquanto uma unidade com PowerShift problemático ou com 1.5 Dragon sem histórico pode virar dor de cabeça cara, então o foco tem que estar no motor, no câmbio, no estado e no histórico.
Checklist de compra
Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos:
- Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho, com atenção especial ao 1.5 Dragon
- Temperatura, que deve ficar normal depois de esquentar, com atenção ao arrefecimento nos motores mais antigos e ao estado da carcaça do termostato
- Câmbio, com troca de marchas suave, e na versão automática saber se é PowerShift e testar bem em trânsito, sem trepidação, solavancos ou hesitação
- Embreagem, que não deve patinar em subida nem cheirar a queimado
- Histórico de óleo e de recalls, item importante no 1.5 Dragon por causa da correia dentada
- Direção, sem peso repentino nem folga estranha
- Suspensão, sem batidas em buraco e com o carro estável, checando buchas e amortecedores em quem rodou em rua ruim
- Freios, que devem parar reto e com pedal firme, exigidos por ser um carro mais pesado
- Pneus, com desgaste parelho, todos iguais e em bom estado, incluindo o estepe
- Estepe e tampa traseira, checando na primeira geração as dobradiças e o trinco que seguram o peso do pneu, e na segunda a porta traseira que abre para o lado
- Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, painel, multimídia e luzes
- Ar-condicionado, que deve gelar de verdade quando o carro tem o item
- Carroceria, sem sinais de batida, ferrugem, pintura desalinhada ou infiltração
- Interior, com bancos e acabamento em ordem e sem cheiro de mofo ou água
- Documentação em dia, sem pendências e sem restrição
- Histórico de manutenção completo, com registro de óleo, revisões e, no automático, do câmbio
Preço e tabela FIPE
Aqui não inventamos preço, porque o valor de uma Ford EcoSport muda muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença grande entre uma primeira geração simples e uma segunda geração completa.
A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque um carro bem conservado, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto um carro batido, com problema de motor ou de câmbio e documentação pendente vale bem menos.
O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão e o ano do carro que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque preço bom demais costuma esconder algum problema, e no caso das versões com PowerShift e do 1.5 Dragon vale prestar atenção redobrada no histórico antes de considerar que fez um bom negócio.
Custos de manutenção
Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão do carro.
O que dá pra dizer com honestidade é que a primeira geração está entre as SUVs mais baratas de manter, com peças acessíveis e muitas compartilhadas com o Fiesta e o Ka da época, enquanto a segunda geração, por ser mais moderna, pode ter alguns serviços e peças mais específicos, principalmente na parte de câmbio automatizado, onde um reparo de PowerShift pesa no bolso, e na parte de motor no caso do 1.5 Dragon. Some a isso o detalhe de a Ford ter saído da fabricação no Brasil, o que pede uma checada na disponibilidade de peças. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.
Óleo e fluidos
Confira sempre o manual e a etiqueta do carro, mas, como referência, vale saber que a especificação muda conforme a geração e o motor:
- EcoSport 1.5 Dragon (três cilindros): o manual costuma pedir um óleo de baixa viscosidade e de especificação própria da Ford, e esse ponto é sério, porque a correia dentada que trabalha em contato com o óleo depende exatamente desse tipo de óleo e da troca em dia, então aqui não dá pra improvisar nem esticar a troca.
- Motores Zetec Rocam e Duratec (mais antigos): costumam usar viscosidades como 5W-30 ou similares indicadas no manual, mais tolerantes, mas ainda assim é importante seguir a recomendação.
- Capacidade: varia conforme o motor, então o certo é seguir o que o manual do seu carro indica.
Usar um óleo fora da especificação certa pode prejudicar a lubrificação e, na EcoSport 1.5 Dragon, é apontado como um dos fatores ligados ao desgaste da correia interna, então não troque a viscosidade nem a especificação por conta própria, e, para os demais fluidos, como freio, arrefecimento e câmbio, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água.
Pneus e rodas
A medida muda conforme a geração e a versão, sendo que a primeira geração costuma usar rodas na faixa do aro 15, com pneus de perfil mais alto que combinam com a pegada aventureira, enquanto a segunda geração aparece com rodas de aro 15 a 17 conforme o acabamento, com as versões mais completas usando as maiores.
O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas do carro é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, lembrando de conferir também o estepe, que na primeira geração fica pendurado na traseira e na segunda vai na porta traseira. Evite trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, no consumo e na segurança, e num SUV mexe também na altura e no comportamento.
Desempenho
Como referência, e lembrando que a EcoSport é um SUV compacto mais alto e pesado que um hatch, o que pesa no desempenho de cada motor:
- EcoSport 1.0: é a mais fraca de todas, com desempenho modesto num carro alto e pesado, então costuma ser a menos indicada para quem anda em estrada ou com o carro cheio.
- EcoSport 1.6: anda de forma satisfatória no dia a dia, sendo a opção equilibrada entre desempenho e consumo nas duas gerações.
- EcoSport 2.0: é a mais forte, com bom fôlego para estrada e carro cheio, sendo a escolha de quem quer mais desempenho, ao custo de beber um pouco mais.
- EcoSport 1.5 Dragon: entrega desempenho suficiente com boa economia, sendo um meio-termo moderno, desde que a manutenção esteja em dia por causa da correia.
Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor, o câmbio e o combustível, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa.
Conforto e equipamentos
A primeira geração é um SUV de proposta mais simples e robusta, com acabamento básico e foco na altura e no espaço, então quem procura muita maciez e muitos itens de série provavelmente vai achar pouco, mas em compensação ela é prática, alta e fácil de usar no dia a dia. Já a segunda geração deu um salto grande nesse quesito, com interior mais moderno, melhor acabamento para a categoria, central multimídia nas versões mais completas e itens de conforto e segurança que a primeira geração não tinha.
Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricos, central multimídia, câmera de ré e mais airbags aparecem principalmente nas versões mais completas da segunda geração, como Titanium, enquanto as de entrada e boa parte da primeira geração podem ser mais básicas, então, na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão.
Perguntas frequentes
Quanto a Ford EcoSport faz por litro? Depende muito da geração e do motor: a EcoSport 1.6 costuma andar perto de 8 a 10 km/l na cidade e 11 a 12 km/l na estrada com gasolina, o 2.0 gasta mais por ser mais forte e por ter versões com câmbio automático, e o 1.5 Dragon tende a ser o mais econômico da linha, sempre rendendo bem menos no etanol, e tudo isso é aproximado e depende de como e onde você dirige, além de a EcoSport ser um SUV mais alto e pesado que um hatch.
O câmbio PowerShift da EcoSport é confiável? É o ponto mais delicado de parte da segunda geração, porque o PowerShift é um câmbio automatizado de dupla embreagem seca que gerou muitos relatos de trepidação, solavancos e perda de força, e a própria Ford acabou trocando ele por um automático tradicional de seis marchas com conversor nas versões mais novas, então ao olhar uma EcoSport automática vale saber qual câmbio ela usa, testar bem em trânsito e valorizar histórico de manutenção.
Qual a diferença entre a primeira e a segunda geração da EcoSport? A primeira geração, de 2003 a 2012, é a mais robusta e simples, com o estepe pendurado na traseira, motores Zetec Rocam 1.0 e 1.6 e o Duratec 2.0 e visual mais aventureiro, enquanto a segunda, de 2012 em diante, é mais moderna e confortável, com o estepe na porta traseira, motores 1.6 e 2.0 Ti-VCT, depois o 1.5 Dragon de três cilindros, e acabamento melhor, mas com pontos de atenção como o câmbio PowerShift em parte da linha.
A Ford EcoSport é boa para quem quer altura livre do solo? Sim, esse é um dos pontos fortes da EcoSport nas duas gerações, porque ela tem boa altura livre do solo e postura de SUV, o que ajuda em rua ruim, lombada, valeta e estrada de terra leve, sem virar um veículo de trilha pesada, então serve bem para quem quer a comodidade de um carro mais alto no dia a dia, lembrando que a maioria é de tração dianteira e só algumas versões tiveram tração nas quatro rodas.
Quanto custa uma Ford EcoSport na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano e o estado, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pelo modelo e ano exatos e usar isso como referência de mercado, não como preço fixo.
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