Honda Fit: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais
2003 a 2021 (1ª, 2ª e 3ª gerações)
Atualizado em
O Honda Fit é um hatch médio que ficou famoso por caber muito mais coisa do que aparenta, graças ao banco traseiro Magic Seat, que dobra de várias formas e deixa o carro incrivelmente versátil, e por ter fama de confiável e de segurar bom preço na revenda. Ele teve três gerações no Brasil: a primeira, de 2003 a 2008, com motores 1.4 i-DSI e 1.5 VTEC só a gasolina e opção de câmbio manual ou do CVT antigo; a segunda, de 2009 a 2014, com motores 1.4 e 1.5 i-VTEC flex e câmbio manual ou automático convencional de cinco marchas; e a terceira, de 2015 a 2021, com um único motor 1.5 i-VTEC flex e câmbio manual ou o CVT moderno. Os pontos de atenção mais citados envolvem a transmissão automática, seja o CVT antigo que pode trepidar, seja o automático de cinco marchas ou o CVT novo, todos muito dependentes da troca de óleo do câmbio em dia e na especificação certa, além de coxins, buchas de suspensão e do consumo, que não é dos menores para um carro pequeno. Como sempre, o que decide se vale a pena é o estado e o histórico da unidade, não o ano, e para preço use a tabela FIPE oficial.
Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Honda Fit, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.
O Fit é um hatch médio que ficou conhecido por um motivo simples: ele cabe muito mais coisa do que aparenta. Por fora parece um carro pequeno e alto, mas por dentro o espaço é surpreendente, principalmente por causa do banco traseiro Magic Seat, que dobra de várias formas diferentes e transformou o Fit em sinônimo de carro pequeno e versátil. Além disso, ele carrega a fama de ser confiável, durável e de segurar um bom preço na hora de revender, o que sempre o deixou bem cotado entre quem procura um usado de família com pegada racional.
O Fit passou por três gerações no Brasil, todas bem diferentes entre si, e entender isso é essencial antes de olhar um usado. A primeira geração, de 2003 a 2008, chegou com motores 1.4 i-DSI e 1.5 VTEC só a gasolina e podia vir com câmbio manual ou com o CVT antigo. A segunda geração, de 2009 a 2014, ficou maior e mais moderna, adotou motores 1.4 e 1.5 i-VTEC flex e trocou o CVT por um câmbio automático convencional de cinco marchas. Já a terceira geração, de 2015 a 2021, trouxe um único motor 1.5 flex e o retorno do câmbio CVT, agora mais moderno, além de mais itens de conforto e segurança.
Como são carros distintos, esta página trata das três fases e deixa claro em cada ponto de qual delas está falando. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores e câmbios que ele teve, o consumo, os problemas que mais aparecem, como é a manutenção, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio.
Resumo rápido
Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível, o câmbio e o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado. Para ilustrar a diferença entre as fases, a tabela compara um Fit de primeira geração com motor 1.5 a gasolina e um Fit de terceira geração 1.5 flex.
| Item | Fit 1ª geração 1.5 | Fit 3ª geração 1.5 flex |
|---|---|---|
| Marca | Honda | Honda |
| Categoria | Hatch médio | Hatch médio |
| Motor | 1.5 8v VTEC, gasolina | 1.5 16v i-VTEC, flex |
| Potência | cerca de 90 cv | cerca de 115 a 116 cv (gasolina) |
| Torque | perto de 13 kgfm | perto de 15 kgfm (etanol) |
| Câmbio | manual de 5 marchas ou CVT antigo | manual de 5 marchas ou CVT |
| Tração | dianteira | dianteira |
| Combustível | gasolina | flex |
| Tanque | cerca de 42 litros | cerca de 40 litros |
| Carroceria | hatch médio 4 portas | hatch médio 4 portas |
| Banco traseiro | Magic Seat | Magic Seat |
| Consumo na cidade | perto de 10 a 11 km/l (gasolina) | perto de 10 a 12 km/l (gasolina) |
| Consumo na estrada | perto de 13 a 14 km/l (gasolina) | perto de 13 a 14 km/l (gasolina) |
Vale notar que o Fit da primeira geração começou no Brasil apenas com o motor 1.4 i-DSI, um pouco preguiçoso, e que a Honda lançou depois a versão 1.5 EX justamente para dar mais fôlego ao carro, enquanto na segunda geração o motor passou a ser flex e na terceira ficou só o 1.5 flex em todas as versões.
História do modelo
O Honda Fit chegou ao Brasil em 2003, produzido em Sumaré, no interior de São Paulo, e caiu rapidamente no gosto de quem queria um carro compacto por fora, mas espaçoso por dentro. Essa primeira geração ficou marcada por dois traços: o formato altinho e arredondado, que ajudava no espaço interno e na posição de dirigir elevada, e o banco traseiro Magic Seat, uma sacada de engenharia que só foi possível porque a Honda colocou o tanque de combustível no meio do carro, sob os bancos dianteiros, liberando espaço na parte de trás para dobrar os bancos de formas que outros hatches não conseguiam.
Nessa fase inicial, o Fit vinha só com motores a gasolina, o 1.4 i-DSI e depois o 1.5 VTEC, com câmbio manual ou com o CVT antigo, um tipo de automático sem trocas de marcha tradicionais, que agradava pela suavidade. Essa geração ficou em linha até por volta de 2008 e ajudou a construir a reputação de carro econômico de manter, durável e com ótima revenda, que acompanha o Fit até hoje.
Em 2009 veio a segunda geração, maior, mais moderna e mais bem acabada, agora com motores 1.4 e 1.5 i-VTEC flex, que rodam tanto com gasolina quanto com etanol. Uma mudança importante aqui foi o câmbio automático: a Honda abandonou o CVT antigo, alegando incompatibilidade com o sistema flex, e passou a usar um automático convencional de cinco marchas, o que fez dessa a única geração do Fit sem CVT. Essa fase recebeu uma reestilização por volta de 2013 e seguiu até 2014.
A terceira geração chegou em 2015 com desenho mais anguloso e afiado, um interior mais moderno e o retorno do câmbio CVT, agora numa versão mais atual e ligada à filosofia Earth Dreams da Honda. Nessa fase o Fit passou a ter um único motor 1.5 i-VTEC flex em toda a linha, com câmbio manual nas versões de entrada e CVT nas mais completas, e ganhou mais itens de conforto e segurança. Ele foi produzido no Brasil até 2021, quando a Honda tirou o modelo de linha por aqui, o que hoje deixa o Fit como um usado bastante procurado, justamente por causa do espaço, da versatilidade e da fama de confiável.
Versões e motores
Como o Fit teve três gerações bem diferentes, o mais útil é separar por fase.
Na primeira geração (2003 a 2008) você encontra:
- 1.4 i-DSI (gasolina): o motor de entrada, com um sistema de dupla vela por cilindro pensado para economia, mas com desempenho modesto, que deixava o carro um pouco preguiçoso, principalmente com o câmbio automático. Aparecia em versões de acabamento como a LX e a LXL.
- 1.5 VTEC (gasolina): o motor mais forte, lançado para dar o fôlego que faltava, com o sistema VTEC que melhora o rendimento em rotações mais altas, presente na versão EX, mais completa e mais animada de dirigir.
- Câmbio: manual de cinco marchas ou o CVT antigo, um automático de variação contínua, que em algumas versões trazia até um modo de trocas simuladas com borboletas no volante.
Na segunda geração (2009 a 2014) as opções passaram a ser flex:
- 1.4 i-VTEC flex: o motor de entrada dessa fase, com cerca de 100 cv, econômico dentro do possível e suficiente para a cidade, comum nas versões LX.
- 1.5 i-VTEC flex: o motor mais forte, com cerca de 116 cv, mais indicado para quem roda em estrada ou anda com o carro cheio, presente nas versões mais completas como EX e EXL.
- Câmbio: manual de cinco marchas ou automático convencional de cinco marchas, que substituiu o CVT nessa geração.
Na terceira geração (2015 a 2021) a linha ficou mais simples de motor:
- 1.5 i-VTEC flex: motor único em toda a linha, com cerca de 115 a 116 cv na gasolina, presente das versões de entrada às completas.
- Versões: de forma geral DX e LX como acesso, e EX e EXL como topo, sendo que as mais completas costumavam vir só com o câmbio CVT.
- Câmbio: manual de cinco marchas nas versões de entrada ou o CVT moderno nas demais.
Uma dica honesta, que vale para qualquer Fit, é não confiar só no nome da versão, porque o que importa mesmo é conferir na hora o que aquele carro específico realmente tem de equipamento e, principalmente, como ele está de mecânica e de câmbio.
Motor e mecânica
Os motores do Fit, tanto os da família 1.4 quanto os 1.5, têm fama de serem duráveis e bem construídos, característica que a Honda carrega há muito tempo, e usam correia dentada em vez de corrente na maior parte das aplicações.
Correia dentada: é a peça de borracha que sincroniza o movimento interno do motor, garantindo que as válvulas e os pistões trabalhem no tempo certo. Diferente da corrente de metal, ela tem prazo de troca definido pelo fabricante, e deixar de trocar no intervalo é arriscado, porque uma correia que arrebenta pode causar dano grave ao motor. Por isso, ao olhar um Fit usado, vale perguntar quando a correia foi trocada pela última vez e não deixar esse item passar.
O ponto que mais diferencia as fases do Fit, e que você precisa entender antes de tudo, não é o motor em si, e sim o câmbio automático, que muda em cada geração e é sempre o componente que mais pede atenção:
CVT (câmbio de variação contínua): presente na primeira e na terceira gerações, é um tipo de automático que não tem marchas fixas como um câmbio comum, trabalhando com um sistema de polias e uma correia interna que varia a relação de forma contínua, o que dá aquela sensação de aceleração suave e sem “trancos”. O ponto crítico é que ele depende de um óleo específico e de trocas em dia, porque, se o fluido envelhece ou é usado um produto fora da especificação, podem aparecer trepidações, patinação e desgaste interno, que em casos graves saem caro para resolver.
Na primeira geração, o CVT antigo pode apresentar trepidação e patinação com o passar dos anos e da quilometragem, principalmente se a manutenção foi negligenciada. Na segunda geração, a Honda usou um automático convencional de cinco marchas, que também depende da troca de óleo do câmbio em dia e, quando esse cuidado falha, aparece trepidação ao sair e ao subir ladeira. Na terceira geração, voltou o CVT, agora mais moderno, que costuma ser confiável quando bem cuidado, mas gera reclamações de gente que não se adaptou ao jeito de acelerar, achando as retomadas lentas.
Ou seja, no Fit, mais do que olhar o motor, você precisa entender qual câmbio aquele carro tem e como ele foi mantido, porque é aí que mora tanto a maior qualidade quanto o maior risco do modelo. As versões manuais de qualquer geração fogem dessa preocupação com o câmbio automático e costumam ser as mais tranquilas nesse sentido.
Consumo
Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol, já que da segunda geração em diante o Fit é flex e o etanol sempre rende menos quilômetros por litro. É honesto dizer que o Fit não é dos hatches mais econômicos, principalmente na cidade e com câmbio automático.
Na primeira geração (só gasolina):
- 1.4 e 1.5: perto de 10 a 11 km/l na cidade e cerca de 13 a 14 km/l na estrada, sendo que as versões com o CVT antigo tendem a consumir um pouco mais na cidade do que as manuais.
Na segunda geração (flex):
- 1.4 e 1.5 com gasolina: na casa dos 9 a 11 km/l na cidade e 12 a 14 km/l na estrada, com o câmbio automático de cinco marchas puxando um pouco mais o consumo urbano.
- No etanol: espere um consumo bem menor, vários quilômetros por litro a menos, como é da natureza do combustível.
Na terceira geração (flex):
- 1.5 com gasolina: as versões com CVT registram, em medições oficiais, algo perto de 12 km/l na cidade e 14 km/l na estrada, enquanto na vida real muitos donos relatam números um pouco menores na cidade.
- No etanol: de novo, consumo sensivelmente mais baixo que na gasolina.
Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir, o peso e a carga, o ar-condicionado ligado e a manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa.
Manutenção
O básico pra manter um Fit saudável envolve alguns itens, sendo eles:
- Óleo e filtro de óleo: o item mais importante para a saúde do motor, que precisa ser trocado no prazo e com o óleo na especificação recomendada pelo manual.
- Óleo do câmbio: ponto crítico no Fit por causa das transmissões automáticas, seja o CVT antigo, o automático de cinco marchas ou o CVT novo, todos dependentes de troca de óleo em dia e na especificação certa, conforme a seção de óleo mais abaixo.
- Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo.
- Velas e bobinas: responsáveis pela ignição, sendo que, quando estão gastas, causam falha, engasgo e aumento de consumo, e a bobina de ignição aparece como item de atenção na primeira geração.
- Correia dentada e correia dos acessórios: que têm prazo de troca e ressecam com o tempo, pedindo substituição dentro do intervalo para evitar dano.
- Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
- Sistema de arrefecimento: cujas mangueiras, o radiador e as peças plásticas envelhecem, sendo que reparos no radiador aparecem como trabalhosos na primeira geração.
- Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil.
- Suspensão: cujos amortecedores, batentes, coxins e buchas se desgastam e afetam o conforto e a segurança, ponto sensível no Fit, como você vê na seção de problemas.
- Pneus: conforme a seção de pneus.
Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário do carro, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui. No caso do Fit, respeitar o intervalo de troca do óleo do câmbio não é só recomendação, é o que protege a transmissão, que costuma ser a parte mais cara de mexer.
Problemas comuns
Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa. Separamos por fase porque os pontos fracos são diferentes.
Fit 1ª geração: câmbio CVT antigo
- O que é: o automático de variação contínua usado nessa fase pode apresentar desgaste com os anos e a quilometragem.
- Como perceber: trepidação na saída, patinação em retomadas ou em subidas mais íngremes, muitas vezes aparecendo com quilometragem mais alta.
- Possíveis causas: troca de óleo do câmbio negligenciada ou fluido fora da especificação, que aceleram o desgaste interno.
- Gravidade: pode ser alta, porque o reparo de câmbio é caro.
- O que fazer: valorizar unidades com histórico de troca de óleo do câmbio e testar bem o comportamento em teste de rodagem, ou preferir uma versão manual.
Fit 1ª geração: suspensão (bandejas e buchas)
- O que é: bandejas, buchas e componentes da suspensão que podem se desgastar antes do esperado.
- Como perceber: barulhos ao passar em buracos e lombadas, ruídos na dianteira e sensação de folga.
- Gravidade: média, mais ligada a conforto e a custo do que a risco imediato, mas afeta a dirigibilidade.
- O que fazer: avaliar a suspensão em teste de rodagem e orçar o reparo, que costuma ser conhecido e resolvível.
Fit 1ª geração: itens relatados diversos
- Como perceber: relatos de faróis que amarelam ou danificam, máquinas de vidro dianteiras com defeito, ruídos nos bancos, pancadas no cárter em ruas ruins e reparos trabalhosos no radiador e no motor de arranque.
- Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto, funcionamento e custo do que a segurança.
Fit 2ª geração: câmbio automático de cinco marchas
- O que é: o automático convencional que substituiu o CVT nessa fase, também sensível à manutenção.
- Como perceber: trepidação ao sair e ao subir ladeira, trocas com giro alto ou solavancos, em alguns casos ligados ao óleo do câmbio ou a componentes internos como o solenoide.
- Gravidade: média a alta, dependendo da causa e do estado.
- O que fazer: manter a troca de óleo do câmbio em dia; muitos relatos de trepidação melhoram justamente após a troca de óleo do câmbio, então esse serviço em dia é chave.
Fit 3ª geração: coxim do câmbio
- O que é: o coxim superior do câmbio, peça que ajuda a fixar e a amortecer a transmissão, é apontado como um item que pode quebrar com relativa facilidade nessa geração.
- Como perceber: trancos ou batidas ao acelerar e ao trocar de marcha, ou uma sensação de folga na transmissão.
- Gravidade: baixa a média, e é uma peça conhecida, tanto que há solução reforçada com bucha para aumentar a durabilidade.
- O que fazer: avaliar em teste e trocar a peça quando necessário, de preferência pela versão reforçada.
Fit 3ª geração: CVT e retomadas
- Como perceber: reclamações de retomada de aceleração lenta e de consumo, muitas vezes mais ligadas ao jeito de funcionar do CVT do que a defeito, já que quem não se adapta acha o carro pouco ágil.
- Gravidade: baixa quando é só característica, mas exige atenção com a troca de óleo do câmbio para não virar problema de verdade.
Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade.
Quando você deve se preocupar
Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:
- luz de óleo acesa ou temperatura do motor subindo demais;
- fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
- vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
- trepidação, patinação ou trancos no câmbio automático, principalmente ao sair, em retomadas ou em subidas;
- barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor ou da suspensão;
- perda de força ou o carro “engasgando” e falhando;
- dificuldade pra ligar;
- cheiro forte de combustível;
- freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado.
Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando, e no caso do Fit qualquer sintoma no câmbio automático merece avaliação rápida, porque a transmissão é a parte mais cara de mexer.
Vale a pena comprar um Honda Fit usado?
Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, mas ainda assim dá pra pesar alguns pontos.
Pontos positivos
- O espaço interno e a versatilidade são excepcionais para o tamanho, graças ao banco Magic Seat, que dobra de várias formas e faz o carro caber muito mais coisa do que aparenta.
- A fama de confiabilidade e durabilidade da mecânica Honda, quando o carro é bem cuidado, é um forte atrativo.
- A boa revenda ajuda na hora de vender, porque o Fit costuma ser procurado no mercado de usados.
- É um carro fácil de dirigir, com boa posição elevada e visibilidade, ótimo para cidade e para família.
Pontos de atenção
- Os câmbios automáticos das três fases, seja o CVT antigo, o automático de cinco marchas ou o CVT novo, dependem muito da troca de óleo em dia e são a parte mais cara de reparar.
- O consumo não é dos menores para um hatch, principalmente na cidade e com câmbio automático.
- Coxins e buchas de suspensão se desgastam com o tempo e pedem atenção.
- Como a Honda tirou o Fit de linha no Brasil em 2021, vale conferir a disponibilidade e o preço de algumas peças específicas antes de comprar.
Resumindo de forma honesta, um Fit bem cuidado é um dos usados mais racionais e versáteis da categoria, com espaço de sobra e mecânica de boa fama, enquanto um exemplar malcuidado, principalmente um com câmbio automático negligenciado, pode virar uma dor de cabeça cara, então o foco tem que estar no estado do câmbio e no histórico de manutenção.
Checklist de compra
Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos:
- Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho
- Câmbio automático, item mais importante no Fit, testando saída, retomadas e subidas em busca de trepidação, patinação ou trancos, seja no CVT ou no automático de cinco marchas
- Histórico de troca de óleo do câmbio, de preferência com notas e comprovação
- Câmbio manual, quando for o caso, com troca de marchas suave, sem barulho ou arranhão
- Embreagem, nas versões manuais, que não deve patinar em subida
- Temperatura, que deve ficar normal depois de esquentar e sem vazamento de água
- Correia dentada, perguntando quando foi a última troca
- Suspensão, atenta a barulhos em buracos e a folgas, ponto sensível no Fit
- Coxins do motor e do câmbio, checando trancos ao acelerar, com atenção ao coxim do câmbio na terceira geração
- Freios, que devem parar reto e com pedal firme
- Pneus, com desgaste parelho, todos iguais e em bom estado
- Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, painel e luzes
- Banco Magic Seat, testando se dobra e trava em todas as posições
- Ar-condicionado, que deve gelar de verdade quando o carro tem o item
- Carroceria, sem sinais de batida, ferrugem, pintura desalinhada ou infiltração
- Interior, com bancos e acabamento em ordem e sem cheiro de mofo ou água
- Documentação em dia, sem pendências e sem restrição
- Histórico de manutenção completo, com registro de óleo do motor e do câmbio
Preço e tabela FIPE
Aqui não inventamos preço, porque o valor de um Honda Fit muda muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença grande entre um Fit de primeira geração simples e um de terceira geração completo.
A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque um carro bem conservado, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto um carro batido, com problema de câmbio ou documentação pendente vale bem menos.
O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão e o ano do carro que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque preço bom demais costuma esconder algum problema, e no caso do Fit vale prestar atenção redobrada no estado do câmbio antes de considerar que fez um bom negócio.
Custos de manutenção
Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão do carro.
O que dá pra dizer com honestidade é que a mecânica do Fit é conhecida e boa parte das peças de manutenção comum é acessível, o que ajuda no custo do dia a dia, mas os câmbios automáticos são o item que pode pesar no orçamento, tanto na manutenção preventiva, como a troca de óleo do câmbio na especificação certa, quanto em um reparo maior, que sai caro. Além disso, com a Honda tendo encerrado a produção do Fit no Brasil em 2021, vale checar a disponibilidade de algumas peças mais específicas. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.
Óleo e fluidos
Confira sempre o manual e a etiqueta do carro, mas, como referência, vale saber que a especificação muda entre as fases, e que o ponto mais sensível do Fit é o óleo do câmbio:
- Óleo do motor: siga a viscosidade e a especificação indicadas no manual da sua versão, sem improvisar, já que o motor Honda dura muito quando é lubrificado corretamente e com troca em dia.
- Óleo do câmbio (o ponto crítico): cada tipo de transmissão pede um fluido próprio, então o CVT antigo, o automático de cinco marchas e o CVT novo usam produtos diferentes, sendo que o CVT moderno da terceira geração pede um fluido específico da Honda, e usar óleo fora da especificação pode causar trocas erradas, aquecimento e desgaste acelerado, então aqui não dá pra improvisar.
- Capacidade: varia conforme o motor e o câmbio, então o certo é seguir o que o manual do seu carro indica.
Para os demais fluidos, como freio e arrefecimento, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água. No Fit, mais do que em muitos carros, tratar o óleo do câmbio com seriedade é o que evita os problemas mais caros da transmissão.
Pneus e rodas
A medida muda conforme a geração e a versão, sendo que as versões de entrada costumam usar rodas menores, comumente aro 14 ou 15, enquanto as versões mais completas, principalmente da segunda e terceira gerações, aparecem com rodas maiores, geralmente aro 15 ou 16, com pneus mais largos.
O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas do carro é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, evitando trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, no consumo e na segurança.
Desempenho
Como referência, e lembrando que o Fit sempre foi um carro pensado mais para espaço, versatilidade e uso urbano do que para esportividade:
- Fit 1ª geração 1.4: é o mais fraco, com desempenho modesto, principalmente com o CVT antigo, andando de forma tranquila mas sem sobras.
- Fit 1ª geração 1.5: bem mais animado que o 1.4, com o sistema VTEC dando fôlego em rotação alta, sendo a escolha de quem queria um Fit mais esperto.
- Fit 2ª geração 1.4 e 1.5: o 1.4 dá conta da cidade, e o 1.5, com cerca de 116 cv, é o mais indicado para estrada e carro cheio, sendo mais completo de desempenho.
- Fit 3ª geração 1.5: motor único da linha, com desempenho suficiente para o dia a dia, embora com o CVT algumas retomadas soem menos ágeis para quem não está acostumado.
Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor, o câmbio e o combustível, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa.
Conforto e equipamentos
O grande trunfo do Fit em qualquer geração é o espaço interno e a versatilidade, muito acima do que o tamanho externo sugere, graças ao banco traseiro Magic Seat, que dobra de várias formas: rebate criando um assoalho plano para carga longa ou levanta os assentos como numa poltrona de cinema para levar objetos altos, como uma planta ou uma bicicleta em pé, tudo isso possível porque o tanque de combustível fica no centro do carro. Some a isso a boa posição elevada de dirigir e a boa visibilidade, e você entende por que o Fit virou queridinho de família.
Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricos, central multimídia e mais airbags aparecem principalmente nas versões mais completas, como as EX e EXL, enquanto as de entrada podem ser mais básicas. O salto de acabamento e de itens de conforto e segurança é grande entre a primeira geração, mais simples, e a terceira, mais moderna e completa, então, na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão.
Perguntas frequentes
Quanto o Honda Fit faz por litro? Depende da geração, do motor e do câmbio, mas de forma geral o Fit não é dos hatches mais econômicos: com gasolina, costuma ficar perto de 9 a 11 km/l na cidade e 12 a 14 km/l na estrada, sendo que as versões com câmbio automático e CVT tendem a beber um pouco mais na cidade, e no etanol o consumo cai bastante, então trate esses números como aproximados e lembre que trânsito, estilo de dirigir e manutenção pesam muito.
O que é o banco Magic Seat do Honda Fit? Magic Seat é o nome do banco traseiro do Fit, que foi projetado para dobrar de várias maneiras diferentes, permitindo desde um porta-malas com assoalho totalmente plano até levantar os assentos como numa poltrona de cinema para transportar objetos altos, como uma planta ou até uma bicicleta em pé, e isso é possível porque o tanque de combustível fica no centro do carro, sob os bancos da frente, liberando espaço atrás. É um dos maiores atrativos do modelo e explica a fama de o Fit caber muito mais coisa do que o tamanho sugere.
Qual a diferença entre as gerações do Honda Fit? A primeira geração, de 2003 a 2008, tem visual mais alto e arredondado, motores 1.4 e 1.5 só a gasolina e opção do CVT antigo; a segunda, de 2009 a 2014, ficou maior e mais moderna, com motores 1.4 e 1.5 i-VTEC flex e câmbio manual ou automático convencional de cinco marchas, sendo a única fase sem CVT; e a terceira, de 2015 a 2021, trouxe design mais anguloso, um único motor 1.5 flex e o retorno do câmbio CVT, agora mais moderno, além de mais itens de conforto e segurança.
O Honda Fit é confiável? O Fit tem boa fama de confiabilidade e durabilidade quando é bem cuidado, com mecânica conhecida e boa revenda, mas isso não quer dizer que ele seja livre de manutenção, porque os câmbios automáticos das três fases dependem muito da troca de óleo em dia e na especificação certa, e itens como coxins e buchas de suspensão se desgastam com o tempo, então o que garante um Fit tranquilo é o histórico de manutenção daquela unidade, e não apenas o nome do modelo.
Quanto custa um Honda Fit na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano e o estado, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pelo modelo e ano exatos e usar isso como referência de mercado, não como preço fixo, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região.
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