Renault Sandero: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais
1ª geração (2007 a 2014) e 2ª geração (2014 a 2022)
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O Renault Sandero é o hatch de entrada da Renault, um carro de origem simples e robusta, com bom espaço interno para a categoria, e teve duas gerações no Brasil: a primeira, de 2007 a 2014, com motores 1.0 e 1.6 (o 8v Hi-Torque e o 16v Hi-Flex de até 110 cv), e a segunda, de 2014 em diante, mais moderna, com os motores 1.0 e 1.6, depois atualizados para a família SCe, e a linha aventureira Stepway, além da esportiva RS 2.0 e do visual GT Line. O ponto de maior atenção varia por versão: o câmbio automatizado Easy'R dá trancos e é criticado, o motor três-cilindros SCe teve relatos de consumo de óleo, e no geral aparecem itens de elétrica, ar-condicionado, suspensão e arrefecimento que envelhecem. É um carro espaçoso, robusto e com boa relação custo-benefício, e o que decide se vale a pena é o estado e o histórico da unidade, não o ano, sendo que para preço o certo é consultar a tabela FIPE oficial.
Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Renault Sandero, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.
O Sandero é o hatch de entrada da Renault e sempre teve como marca registrada o bom espaço interno para o tamanho, com traseira folgada e porta-malas generoso, além de uma mecânica de origem simples e robusta. Ele teve duas gerações bem distintas no Brasil, o que é importante entender antes de qualquer coisa. A 1ª geração, de 2007 a 2014, é aquela mais quadrada e despojada, com motores 1.0 e 1.6. Já a 2ª geração, lançada em 2014, é mais moderna no desenho e no interior, com motores 1.0 e 1.6 que depois foram atualizados para a família SCe, opção de câmbio automatizado Easy’R em algumas versões e uma família de derivados, como a aventureira Stepway, a esportiva RS 2.0 e o pacote visual GT Line.
Como são carros com fases diferentes, esta página trata das duas gerações e deixa claro em cada ponto de qual delas está falando. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores que ele teve, o consumo, os problemas que mais aparecem, como é a manutenção, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio.
Resumo rápido
Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível e o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado. Para ilustrar as duas fases, a tabela compara um Sandero 1.0 de entrada com um 1.6, que é o motor mais forte da linha comum.
| Item | Sandero 1.0 | Sandero 1.6 |
|---|---|---|
| Marca | Renault | Renault |
| Categoria | Hatch compacto | Hatch compacto |
| Motor | 1.0 flex (8v ou 12v SCe conforme o ano) | 1.6 flex (8v, 16v Hi-Flex ou 16v SCe conforme o ano) |
| Potência | cerca de 76 a 82 cv | cerca de 97 a 120 cv |
| Torque | perto de 10 a 10,5 kgfm | perto de 15 a 16 kgfm |
| Câmbio | manual de 5 marchas | manual de 5 marchas (houve automatizado Easy’R em algumas versões) |
| Tração | dianteira | dianteira |
| Combustível | flex (gasolina e etanol) | flex (gasolina e etanol) |
| Tanque | cerca de 50 litros | cerca de 50 litros |
| Carrocerias | hatch 4 portas (e derivados Stepway) | hatch 4 portas (e derivados Stepway, RS) |
| Consumo na cidade | perto de 11 a 13 km/l (gasolina) | perto de 9 a 11 km/l (gasolina) |
| Consumo na estrada | perto de 14 a 15 km/l (gasolina) | perto de 12 a 14 km/l (gasolina) |
Vale notar que houve também a versão esportiva RS, com motor 2.0 de cerca de 145 a 150 cv, bem mais rara e voltada a quem gosta de desempenho, então os números acima valem para as versões comuns 1.0 e 1.6 e o mais seguro é sempre conferir a ficha exata da unidade que você está olhando.
História do modelo
O Renault Sandero chegou ao Brasil no fim de 2007, derivado de um projeto pensado para mercados emergentes, com a proposta de ser um hatch simples, robusto e espaçoso a um preço acessível. Ele estreou nas versões de acabamento Authentique, Expression e Privilège, com motores 1.0 e 1.6, e logo conquistou espaço por causa do interior folgado e do bom porta-malas, virando uma opção popular de carro de entrada.
Já em 2008, menos de um ano após o lançamento, a Renault apresentou a versão Stepway, a linha “aventureira” do Sandero, com visual mais robusto, para-choques próprios e postura mais alta, que a marca tratava quase como um modelo à parte e que se tornou uma das configurações mais queridas da família ao longo dos anos. Essa primeira geração ficou em linha até por volta de 2014, passando por atualizações de acabamento e de equipamentos.
A 2ª geração chegou em 2014, com desenho mais moderno, interior melhor acabado e mecânica atualizada, mantendo o ponto forte do espaço interno. Com o tempo ela recebeu os motores da família SCe, incluindo um 1.0 de três cilindros e um 1.6 16v, além da opção de câmbio automatizado Easy’R em algumas versões. Foi nessa fase que também apareceram a esportiva RS, com motor 2.0, e o pacote visual GT Line, que dava um ar esportivo sem mexer na mecânica. O Sandero ficou em produção por aqui até por volta de 2022, o que hoje deixa no mercado de usados uma boa variedade de anos, versões e configurações.
Versões e motores
Como o Sandero teve duas gerações e vários derivados, o mais útil é separar por fase.
Na 1ª geração (2007 a 2014) você vai encontrar principalmente:
- 1.0 (16v na origem, depois 8v): o motor de entrada, econômico e simples, ideal para cidade e para quem prioriza gasto baixo, presente em versões de acabamento básico.
- 1.6 8v (Hi-Torque): um motor de bom torque em baixa, que dá conta bem do dia a dia com carro cheio, procurado por quem queria mais fôlego sem gastar muito.
- 1.6 16v (Hi-Flex): a opção mais forte da primeira fase, com cerca de 110 cv, para quem queria um Sandero mais animado, aparecendo em versões mais completas e na Stepway.
- Stepway: a linha aventureira, com visual mais robusto, rodas próprias e postura mais alta, oferecida com o 1.6.
Na 2ª geração (2014 em diante) as opções são:
- 1.0 (8v e depois 1.0 SCe de três cilindros): o motor de entrada, econômico, presente na maioria das unidades e em versões como Authentique e Expression.
- 1.6 (8v, 16v e depois 1.6 SCe 16v): o motor mais forte da linha comum, com desempenho melhor para estrada e carro cheio, aparecendo em versões mais completas e com opção de câmbio automatizado Easy’R em algumas.
- Stepway: a versão aventureira, que na segunda geração seguiu sendo uma das mais desejadas, com visual robusto e boa altura do solo.
- GT Line: um pacote de aparência esportiva, com detalhes visuais próprios, mas mantendo a mecânica das versões comuns, ou seja, é visual, e não desempenho de esportivo.
- RS 2.0: a versão esportiva de verdade, com motor 2.0 de cerca de 145 a 150 cv, rara e voltada a quem gosta de dirigir com mais emoção.
Uma dica honesta, que vale para qualquer Sandero, é não confiar só no nome da versão, porque o que importa mesmo é conferir na hora o que aquele carro específico realmente tem de equipamento e como ele está de mecânica e de estado geral, já que GT Line e Stepway, por exemplo, podem gerar confusão sobre o que é visual e o que é mecânica.
Motor e mecânica
Aqui vale entender tanto os motores mais antigos quanto os SCe da segunda geração e o câmbio Easy’R, que é o ponto que mais gera dúvida.
Os motores da 1ª geração (1.0 e 1.6, tanto o 8v Hi-Torque quanto o 16v Hi-Flex) são de origem conhecida e robusta, compartilhando base com outros Renault da época, e no geral são simples de manter, sendo que a atenção fica nos itens que envelhecem, como você vê na seção de problemas. Um ponto importante de manutenção nesses e em vários motores:
Correia dentada: é a peça de borracha que sincroniza o movimento interno do motor, e ela tem um prazo de troca definido no manual que precisa ser respeitado, porque, se arrebentar rodando, pode causar dano grave ao motor, dobrando válvulas. Nos Sandero que usam correia dentada, manter essa troca em dia, junto com o tensor e as peças do kit, é um dos cuidados mais importantes, e ao comprar usado vale perguntar quando foi feita a última troca.
Na 2ª geração, com a chegada dos motores SCe, entrou em cena o 1.0 de três cilindros, e aqui há um ponto que você precisa conhecer:
Consumo de óleo no três-cilindros SCe: em algumas unidades do motor 1.0 SCe de três cilindros foram relatados casos de consumo de óleo acima do normal, ou seja, o carro “bebe” óleo entre as trocas e o nível cai mais rápido do que deveria, o que em parte dos relatos foi associado a questões internas do motor. Isso não acontece em todos, mas é um ponto que merece atenção, então, num Sandero SCe, vale checar o nível de óleo com regularidade e, na compra, observar se há histórico de reposição frequente ou fumaça azulada no escapamento.
E se você estiver olhando um Sandero automatizado, o ponto central é o câmbio:
Câmbio Easy’R: é um câmbio automatizado de embreagem única, ou seja, por dentro ele é um câmbio manual comum, só que um sistema faz o acionamento da embreagem e a troca das marchas no seu lugar, sem você pisar no pedal. Isso traz comodidade no trânsito, mas tem a característica de dar trancos na troca de marcha, principalmente em subidas e no anda-e-para, sendo bastante criticado por não ser suave como um automático de verdade, além de a embreagem ser um item de desgaste. Não é um defeito, é a característica do sistema, mas exige condução mais paciente, e por isso muita gente prefere a versão manual.
Ou seja, no Sandero a escolha entre manual e automatizado muda bastante a experiência, e a mecânica em geral é robusta, mas pede os cuidados normais de qualquer carro, com atenção extra ao óleo no três-cilindros SCe e às trocas do Easy’R.
Consumo
Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol, já que todo Sandero flex rende menos quilômetros por litro no álcool.
Nas versões 1.0:
- 1.0 com gasolina: perto de 11 a 13 km/l na cidade e cerca de 14 a 15 km/l na estrada, sendo econômico por ser o motor de entrada.
- No etanol: um consumo bem menor, como é da natureza do combustível.
Nas versões 1.6:
- 1.6 com gasolina: por ter mais motor, fica na casa dos 9 a 11 km/l na cidade e 12 a 14 km/l na estrada, ainda razoável para o desempenho que oferece.
- 1.6 16v mais moderno: costuma ter um consumo parecido, com pequenas variações conforme o ano e a tecnologia do motor.
Na versão RS 2.0, por ser esportiva e mais potente, o consumo é naturalmente mais alto, então quem procura economia deve olhar as versões 1.0 e 1.6.
Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir, o peso e a carga, o ar-condicionado ligado e a manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa, lembrando ainda que a versão com Easy’R pode gastar um pouco diferente da manual conforme a condução.
Manutenção
O básico pra manter um Sandero saudável envolve alguns itens, sendo eles:
- Óleo e filtro de óleo: o item mais importante em qualquer motor, que precisa ser trocado no prazo e na especificação certa, e no 1.0 SCe de três cilindros vale checar o nível com mais frequência por causa dos relatos de consumo de óleo.
- Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo.
- Velas e bobinas: responsáveis pela ignição, sendo que, quando estão gastas, causam falha, engasgo e aumento de consumo.
- Correia dentada: nos motores que a usam, tem prazo de troca no manual que precisa ser respeitado, junto com o tensor e o kit, para evitar dano grave ao motor.
- Correia dos acessórios (do alternador e afins): que costuma ressecar com o tempo e pedir troca.
- Embreagem: item de desgaste natural em qualquer câmbio, e no Easy’R ela merece atenção redobrada, já que a troca e a calibragem do sistema podem ser mais trabalhosas.
- Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
- Sistema de arrefecimento: cujas mangueiras, a válvula termostática, a bomba d’água e as peças plásticas envelhecem e ressecam, ponto sensível em carros mais rodados.
- Ar-condicionado: que aparece como item de atenção nos relatos e merece manutenção preventiva.
- Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil.
- Suspensão: cujos amortecedores, batentes, coxins e buchas se desgastam e afetam o conforto e a segurança.
- Pneus: conforme a seção de pneus.
Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário do carro, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui. No caso do Sandero, respeitar a troca de correia dentada e ficar de olho no óleo do três-cilindros são os cuidados que mais evitam dor de cabeça.
Problemas comuns
Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa. A mecânica do Sandero é de origem robusta, e a maioria dos problemas é de itens que envelhecem ou de características de projeto, e não de defeito grave generalizado.
Câmbio automatizado Easy’R com trancos
- O que é: o câmbio automatizado de embreagem única, que faz as trocas sozinho mas não é suave como um automático de verdade.
- Como perceber: trancos mais fortes nas trocas, demora ou hesitação para engatar, e em casos de desgaste da embreagem, cheiro de embreagem queimada em subida ou aviso de falha no painel.
- Possíveis causas: a própria característica do sistema, desgaste da embreagem, falta de calibragem ou condução agressiva no trânsito.
- Gravidade: média, mais ligada a conforto e a custo de manutenção do que a pane súbita.
- O que fazer: dirigir com paciência, manter as revisões em dia e, ao comprar usado, testar bem as trocas em subida e em trânsito parado.
Motor 1.0 SCe (três cilindros): consumo de óleo
- O que é: relatos de consumo de óleo acima do normal em parte das unidades do 1.0 de três cilindros.
- Como perceber: nível de óleo caindo mais rápido entre as trocas, necessidade de completar óleo com frequência e, em casos mais avançados, fumaça azulada no escapamento.
- Gravidade: média a alta, porque rodar com óleo baixo prejudica o motor.
- O que fazer: checar o nível de óleo com regularidade, nunca rodar com óleo baixo e, na compra, valorizar quem tem histórico e observar sinais de reposição frequente.
Elétrica, faróis e ar-condicionado
- Como perceber: falhas em itens elétricos, como vidros, travas, sensores, faróis e módulos, além de reclamações relativamente comuns sobre o ar-condicionado, que pode gelar menos ou apresentar defeito com o tempo.
- Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto e funcionamento do que a segurança, embora falha de farol mexa com a visibilidade.
- O que fazer: testar tudo na compra e cuidar da manutenção preventiva desses sistemas.
Suspensão e ruídos
- Como perceber: barulhos e batidas ao passar em buracos e lombadas, ligados ao desgaste de amortecedores, batentes, buchas e coxins, comuns em carros mais rodados.
- Gravidade: média, porque afeta conforto e segurança e pede reparo quando avança.
- O que fazer: avaliar a suspensão em test-drive e considerar o custo de reparo na negociação.
Câmbio manual e arrefecimento
- Como perceber: em alguns relatos, vazamento de fluido do câmbio manual, às vezes ligado ao rompimento de coifas ou retentores, além dos cuidados normais de arrefecimento, com a temperatura subindo se as mangueiras e o termostato estiverem velhos.
- Gravidade: de baixa a séria, porque rodar superaquecido estraga o motor, então qualquer sinal de temperatura alta pede parada e avaliação.
Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade.
Quando você deve se preocupar
Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:
- luz de óleo acesa ou temperatura subindo demais no painel;
- nível de óleo caindo rápido no três-cilindros SCe, que pede reposição e avaliação;
- fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso, principalmente fumaça azulada;
- vazamento de óleo, de água ou de fluido de câmbio embaixo do carro;
- barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
- perda de força ou o carro “engasgando” e falhando;
- no Sandero com Easy’R, trancos muito fortes, demora para engatar ou aviso de falha do câmbio no painel;
- dificuldade pra ligar;
- cheiro forte de combustível ou de embreagem queimada;
- freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado.
Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando.
Vale a pena comprar um Renault Sandero usado?
Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, mas ainda assim dá pra pesar alguns pontos, lembrando que a resposta muda conforme a geração, o motor e o câmbio do carro.
Pontos positivos
- É um dos hatches compactos mais espaçosos da categoria, com boa traseira e porta-malas generoso.
- Tem mecânica de origem robusta e simples, com boa oferta de peça e mecânico que conhece a marca.
- Oferece boa relação custo-benefício, com preço de usado geralmente atrativo.
- Tem variedade de versões para todos os gostos, da econômica 1.0 à aventureira Stepway e à esportiva RS.
Pontos de atenção
- A versão com câmbio Easy’R é criticada pelos trancos e pede condução paciente, então muita gente prefere o manual.
- O motor 1.0 SCe de três cilindros teve relatos de consumo de óleo, o que exige checagem regular do nível.
- Aparecem relatos de elétrica, faróis, ar-condicionado e suspensão, típicos de carros mais rodados, que pedem atenção na compra.
Resumindo de forma honesta, um Sandero bem cuidado pode ser um usado espaçoso, robusto e de bom custo-benefício, ótimo para família e para cidade, enquanto um exemplar malcuidado, principalmente um SCe com óleo negligenciado ou um Easy’R com embreagem no fim, pode dar trabalho, então o foco tem que estar no estado, no histórico e no comportamento do câmbio e do motor.
Checklist de compra
Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos:
- Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho
- Nível e histórico de óleo, atenção redobrada no 1.0 SCe de três cilindros por causa do consumo de óleo relatado
- Câmbio Easy’R, se for o caso, testando as trocas em subida e em trânsito parado, sem trancos exagerados nem demora para engatar
- Embreagem, que não deve patinar em subida, tanto no manual quanto no automatizado
- Correia dentada em dia nos motores que a usam, de preferência com comprovação
- Temperatura, que deve ficar normal depois de esquentar e sem vazamento de água
- Suspensão, sem batidas em buraco e com o carro estável
- Freios, que devem parar reto e com pedal firme
- Pneus, com desgaste parelho, todos iguais e em bom estado
- Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, faróis, painel e luzes
- Ar-condicionado, que deve gelar de verdade, item que aparece nos relatos
- Carroceria, sem sinais de batida, ferrugem, pintura desalinhada ou infiltração
- Interior e porta-malas, com acabamento em ordem e sem cheiro de mofo ou água
- Documentação em dia, sem pendências e sem restrição
- Histórico de manutenção completo, com registro de óleo e revisões
Preço e tabela FIPE
Aqui não inventamos preço, porque o valor de um Renault Sandero muda muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença entre um Sandero 1.0 simples de primeira geração e um Stepway ou RS mais completo.
A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque um carro bem conservado, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto um carro batido, com problema de motor ou câmbio ou documentação pendente vale bem menos.
O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão e o ano do carro que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque preço bom demais costuma esconder algum problema, e no caso do Sandero vale prestar atenção redobrada no estado do câmbio e no histórico de óleo antes de considerar que fez um bom negócio.
Custos de manutenção
Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão do carro.
O que dá pra dizer com honestidade é que o Sandero costuma ter um custo de manutenção equilibrado para a categoria, com boa oferta de peças e de mecânicos que conhecem a marca, embora algumas peças possam custar um pouco mais do que as dos concorrentes mais populares. A ressalva principal fica por conta da versão com câmbio Easy’R, cuja manutenção de embreagem e a calibragem do sistema podem sair mais caras que num manual comum, e do motor 1.0 SCe, que pede atenção ao consumo de óleo para não virar um problema maior. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.
Óleo e fluidos
Confira sempre o manual e a etiqueta do carro, mas, como referência, vale saber que a especificação muda conforme o motor:
- Motores mais antigos (1.0 e 1.6 da 1ª geração): costumam pedir óleos de viscosidade indicada no manual, comumente na faixa de um 5W-30 ou 5W-40 conforme o ano, mas o certo é seguir exatamente o que a etiqueta e o manual indicam.
- Motores SCe (2ª geração): também têm sua especificação própria de óleo no manual, e no 1.0 três-cilindros isso é ainda mais importante por causa do consumo de óleo relatado, então usar o óleo certo e checar o nível com frequência é essencial.
- Capacidade: varia conforme o motor, então o certo é seguir o que o manual do seu carro indica.
Usar um óleo fora da especificação certa pode prejudicar a lubrificação e a durabilidade, então não troque a viscosidade nem a especificação por conta própria, e, para os demais fluidos, como freio, arrefecimento e câmbio, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água.
Pneus e rodas
A medida muda conforme a geração e a versão, sendo que as versões de entrada costumam usar rodas de aro 14 ou 15 com pneus mais estreitos, enquanto as versões mais completas, a Stepway e a esportiva RS trazem rodas maiores, geralmente aro 15 ou 16 conforme o acabamento, com a Stepway usando pneus de perfil mais alto por conta da postura aventureira.
O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas do carro é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, evitando trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, no consumo e na segurança.
Desempenho
Como referência, e lembrando que o Sandero sempre foi pensado mais para espaço, robustez e economia do que para esportividade, com exceção da versão RS:
- Sandero 1.0: é o mais fraco, com desempenho modesto pensado para cidade e economia, andando de forma satisfatória por ser um carro relativamente leve.
- Sandero 1.6: tem um fôlego bem melhor, dando conta melhor de estrada e de carro cheio, sendo a escolha equilibrada de quem roda mais.
- Sandero RS 2.0: é a versão esportiva, com cerca de 145 a 150 cv, aceleração forte para a categoria e comportamento voltado a quem gosta de dirigir, mas com consumo mais alto e oferta rara.
Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor e o combustível, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa.
Conforto e equipamentos
O grande trunfo do Sandero nas duas gerações é o espaço interno, com boa folga para os passageiros de trás e um porta-malas generoso para a categoria, o que faz dele um dos hatches compactos mais práticos para família. A 1ª geração tem acabamento mais simples e menos itens de série nas versões de entrada, enquanto a 2ª geração deu um salto no visual do interior, na qualidade percebida e na oferta de equipamentos, com central multimídia nas versões mais completas e um painel mais moderno.
Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como ar-condicionado, direção elétrica, vidros e travas elétricos, central multimídia, câmbio automatizado Easy’R e mais airbags aparecem principalmente nas versões mais completas e nos derivados como Stepway e GT Line, enquanto as de entrada podem ser bem básicas, então, na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão.
Perguntas frequentes
Quanto o Renault Sandero faz por litro? Depende da geração e do motor, mas como referência o 1.0 costuma andar perto de 11 a 13 km/l na cidade e 14 a 15 km/l na estrada com gasolina, enquanto o 1.6, por ter mais motor, fica um pouco abaixo na cidade, na casa dos 9 a 11 km/l, sempre rendendo bem menos no etanol, e tudo isso é aproximado e muda conforme o trânsito, a manutenção e o jeito de dirigir.
O câmbio automatizado Easy’R do Sandero é bom? O Easy’R é um câmbio automatizado de embreagem única, ou seja, por dentro é um câmbio manual em que um sistema faz as trocas por você, então ele é diferente de um automático de verdade e dá aqueles trancos na troca, principalmente em subida e em trânsito parado, sendo bastante criticado por isso, além de a embreagem ser um item que se desgasta, portanto não é que ele quebre fácil, mas exige condução paciente e ao comprar usado vale testar bem as trocas, sendo que muita gente prefere a versão manual.
Qual a diferença entre a 1ª e a 2ª geração do Sandero? A 1ª geração, de 2007 a 2014, é a mais quadrada e simples, com motores 1.0 e 1.6 (o 16v Hi-Flex de até 110 cv), enquanto a 2ª geração, de 2014 em diante, é mais moderna no visual e no interior, com motores 1.0 e 1.6 depois atualizados para a família SCe, opção de câmbio automatizado Easy’R em algumas versões, a linha aventureira Stepway, a esportiva RS 2.0 e o pacote visual GT Line.
O Renault Sandero é confiável e espaçoso? O Sandero é elogiado pelo bom espaço interno e porta-malas para a categoria e por uma mecânica de origem robusta, mas confiabilidade depende de manutenção, porque aparecem relatos de itens de elétrica, ar-condicionado, suspensão e câmbio, além de consumo de óleo no motor três-cilindros SCe, então um exemplar bem cuidado tende a ser tranquilo, enquanto um malcuidado pode dar trabalho, sendo o histórico mais importante que o ano.
Quanto custa um Renault Sandero na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, o câmbio, o ano e o estado, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pelo modelo e ano exatos e usar isso como referência de mercado, não como preço fixo, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região.
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