Chevrolet Opala: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais
1968 a 1992 (sedã 2 e 4 portas, cupê e perua Caravan)
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O Chevrolet Opala foi o primeiro carro de passeio de projeto próprio da GM do Brasil, feito de 1968 a 1992, e virou um dos clássicos nacionais mais desejados, com carroceria de sedã de duas e quatro portas, o elegante cupê e a perua Caravan, sempre com tração traseira. Ele teve duas famílias de motor que definem quase tudo na hora de escolher: o 4 cilindros 2.5, mais econômico e leve na frente, e o lendário 6 cilindros que começou 3.8 e virou 4.1, macio, torcudo e com aquele ronco que fez a fama do carro, usado nas versões mais valorizadas como Comodoro, Diplomata e a esportiva SS. Hoje o Opala é comprado como hobby, coleção e passeio de fim de semana, não como carro econômico de uso diário, e a mecânica é simples, robusta e fácil de mexer, com carburador, ignição que pode ser por platinado ou eletrônica e arrefecimento a água que precisa estar sempre em ordem. O ponto de maior atenção antes de comprar é a ferrugem no assoalho, para-lamas, caixa de ar e porta-malas, além da originalidade e da procedência, porque restauração custa caro. Preço de clássico foge da lógica da FIPE comum e depende de estado, originalidade e raridade, então use a FIPE só como ponto de partida.
Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Chevrolet Opala, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.
O Opala não é um carro econômico de uso diário como um popular moderno, e sim um clássico nacional comprado hoje para hobby, coleção e passeio de fim de semana, então vale encarar a compra com esse enquadramento honesto: quem procura um Opala quer o prazer de ter e dirigir um pedaço da história do automóvel brasileiro, e não a menor conta de combustível do bairro. Ele foi o primeiro carro de passeio de projeto próprio da General Motors do Brasil, produzido de 1968 a 1992, e apareceu em várias carrocerias ao longo dos anos, do sedã de duas e quatro portas ao elegante cupê e à perua Caravan, sempre com tração traseira.
O que mais define um Opala é o motor, porque ele teve duas famílias bem diferentes: o 4 cilindros 2.5, mais leve e econômico, e o 6 cilindros que começou 3.8 e virou o lendário 4.1, macio, cheio de força e com aquele ronco que fez a fama do carro. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, a história, as versões e motores, como é a mecânica simples e robusta desse clássico, o consumo real, os problemas que mais aparecem (com a ferrugem em primeiro lugar), como pensar em preço num carro de colecionador e o que olhar com calma antes de fechar negócio.
Resumo rápido
Os dados abaixo servem como referência e mudam conforme o ano, a versão, o motor e principalmente o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado e, num clássico, depende muito da regulagem. Para ilustrar as duas caras do Opala, a tabela compara uma configuração típica de 4 cilindros com uma de 6 cilindros.
| Item | Opala 4 cilindros 2.5 | Opala 6 cilindros 4.1 |
|---|---|---|
| Marca | Chevrolet | Chevrolet |
| Categoria | Clássico médio | Clássico médio |
| Motor | 2.5 de 4 cilindros | 4.1 de 6 cilindros (começou 3.8) |
| Potência | perto de 80 a 98 cv conforme o ano e o combustível | perto de 100 a 148 cv conforme a versão, com a SS no topo |
| Torque | forte para o tamanho, mais fraco que o 6 cilindros | bem alto, com aquela retomada macia característica |
| Câmbio | manual, de 3, 4 ou 5 marchas conforme o ano | manual de 4 marchas, com automático em algumas versões |
| Tração | traseira | traseira |
| Combustível | gasolina ou álcool, conforme o ano | gasolina ou álcool, conforme o ano |
| Carrocerias | sedã 2 e 4 portas, cupê e perua Caravan | sedã 2 e 4 portas, cupê e perua Caravan |
| Consumo aproximado | perto de 7 a 9 km/l na cidade (gasolina) | mais gastão, na casa de 6 a 8 km/l na cidade (gasolina) |
Vale notar que o Opala mudou bastante ao longo de mais de duas décadas de fabricação, então esses números são de referência e servem para dar uma noção geral, e não para valer como especificação exata de um ano específico, que deve ser conferida caso a caso.
História do modelo
O Chevrolet Opala foi apresentado no Brasil em 1968 e entrou para a história como o primeiro carro de passeio projetado pela GM do Brasil, nascido do cruzamento de duas referências da marca, tomando a base de carroceria do alemão Opel Rekord e recebendo motores derivados de projetos norte-americanos, o que já explica o nome, que junta Opel com o Chevrolet Impala. Desde o começo ele foi oferecido com duas opções de motor que o acompanhariam por toda a vida, o 4 cilindros e o 6 cilindros, e caiu no gosto do público por unir tamanho médio, conforto e a robustez que virou lenda.
Ao longo dos anos o carro ganhou várias carrocerias e versões, começando pelos sedãs de duas e quatro portas e pelo bonito cupê, e em meados dos anos 1970 chegou a perua Caravan, a irmã de maior porte e mais capacidade de carga, que também virou objeto de desejo por conta própria. A parte esportiva ficou por conta da SS, lançada no início dos anos 1970, com o motor 6 cilindros, visual mais agressivo e itens próprios, enquanto o luxo evoluiu das versões Especial, Luxo e Gran Luxo até chegar aos nomes mais celebrados da fase final, o Comodoro e o Diplomata.
O Opala foi sendo atualizado em pintura, faróis, acabamento e detalhes mecânicos, mas manteve sempre a essência de carro de tração traseira com motor dianteiro longitudinal e mecânica simples. A produção só terminou em 1992, encerrando uma trajetória de mais de duas décadas, e foi justamente essa longevidade, somada à fama de resistência e ao carisma do 6 cilindros, que transformou o Opala em um dos clássicos brasileiros mais procurados por colecionadores hoje.
Versões e motores
Como o Opala viveu muitos anos e teve muitas combinações, o mais útil é entender primeiro as duas famílias de motor e depois as versões que fizeram história.
Os motores são o coração da escolha:
- 4 cilindros 2.5: é o motor mais leve na frente do carro, mais econômico e mais barato de manter, indicado para quem quer o Opala clássico gastando menos, andando bem para a proposta embora sem o fôlego do 6 cilindros.
- 6 cilindros (3.8 e depois 4.1): é o motor que fez a fama do Opala, começando como 3.8 e evoluindo para o famoso 4.1, com marcha suave, muita força em qualquer rotação e aquele ronco característico, sendo o preferido de colecionador e o coração das versões mais valorizadas.
Entre as versões que mais marcaram, vale conhecer:
- Standard, Especial e Luxo: as configurações de acabamento mais simples ao longo dos anos, que atendiam quem queria o carro sem tanto requinte.
- Gran Luxo: um degrau acima em conforto e equipamentos, antecessora das versões de luxo mais famosas.
- Comodoro: uma das versões mais desejadas da fase madura do carro, com acabamento mais rico e boa dose de conforto, muito procurada com o 6 cilindros.
- Diplomata: o topo de luxo do Opala, com o melhor acabamento, itens de conforto e forte associação ao 6 cilindros 4.1, sendo hoje uma das mais valorizadas.
- SS: a versão esportiva, com o 6 cilindros, visual mais agressivo, faixas e detalhes próprios, muito cobiçada por quem gosta de desempenho clássico.
- Caravan: a perua, oferecida também em versões de luxo, que soma espaço e a mesma mecânica robusta, sendo a irmã de maior porte da família.
Uma dica honesta, que vale para qualquer clássico, é não comprar só pelo nome da versão na tampa do porta-malas, porque muitos carros foram modificados ao longo das décadas, então o que importa mesmo é conferir se o motor, o acabamento e os itens batem com a versão anunciada e qual é o real estado de mecânica e lataria daquela unidade.
Motor e mecânica
Aqui é onde o Opala mostra a cara de clássico, com uma mecânica simples, conhecida e fácil de mexer, sem eletrônica complicada, o que é justamente parte do charme de ter um. Para entender o carro sem susto, vale conhecer alguns termos.
O primeiro ponto é a alimentação de combustível, que no Opala é feita por carburador, não por injeção eletrônica como nos carros modernos:
Carburador: é a peça que mistura o ar com o combustível na medida certa antes de mandar para o motor, funcionando de forma mecânica, sem computador. Ele é simples e possível de regular em qualquer oficina que conheça carro antigo, mas exige regulagem periódica e limpeza, porque, quando desregula ou suja, o carro gasta mais, falha, engasga ou fica difícil de dar partida, principalmente nos motores movidos a álcool.
O segundo ponto é a ignição, ou seja, o sistema que gera a faísca para o motor pegar e funcionar:
Ignição por platinado: nos Opala mais antigos a faísca depende de um conjunto mecânico com platinado e condensador dentro do distribuidor, que abre e fecha para gerar a centelha. É simples e barato, mas o platinado desgasta e desregula com o uso, pedindo ajuste e troca de tempos em tempos. Muitos donos instalam uma ignição eletrônica, que substitui o platinado por um sistema sem contato mecânico, o que melhora a partida, dá mais estabilidade e reduz manutenção, sendo uma modificação comum e bem vista nesse tipo de carro.
O terceiro ponto, e um dos mais importantes num Opala, é a refrigeração a água, que é o sistema que impede o motor de superaquecer:
Arrefecimento a água: o motor é resfriado por um líquido que circula por dentro dele e passa pelo radiador, uma espécie de grade que troca calor com o ar, sendo empurrado pela bomba d’água e controlado pela válvula termostática, que regula quando o líquido circula para manter a temperatura ideal. Se o radiador entope, a bomba falha, a termostática trava ou falta líquido, o motor esquenta demais, e rodar superaquecido é uma das formas mais rápidas de estragar o motor de um clássico, por isso esse sistema precisa estar sempre impecável.
Por fim, vale entender a tração traseira, marca registrada do carro:
Tração traseira: quem empurra o Opala são as rodas de trás, e não as da frente, o que dá um equilíbrio gostoso de dirigir e faz parte da experiência do clássico, mas também pede um pouco mais de cuidado em piso molhado e uma boa manutenção do eixo traseiro, dos rolamentos e das juntas.
No geral, o motor do Opala é elogiado pela robustez, especialmente o 6 cilindros, que ficou famoso por ser macio, forte e durável, e o 4 cilindros, que compartilha a mesma filosofia simples, é leve na frente e agrada quem quer gastar menos. Como a base mecânica é conhecida por gerações de mecânicos e há forte comunidade e disponibilidade de peças, mexer num Opala é relativamente tranquilo, desde que se respeite o arrefecimento e a regulagem do carburador e da ignição.
Consumo
O Opala nasceu numa época em que economia de combustível não era prioridade, então trate qualquer número como referência e lembre que num clássico o consumo depende muito da regulagem do carburador, do estado da ignição e da forma de dirigir.
- 4 cilindros 2.5 a gasolina: costuma ficar em algo na casa de 7 a 9 km/l na cidade, um pouco melhor na estrada em ritmo tranquilo, sendo a opção mais econômica da família.
- 6 cilindros 4.1 a gasolina: gasta mais, na ordem de 6 a 8 km/l na cidade, justamente por ter mais motor e mais força, o que é esperado e faz parte do pacote de quem quer o desempenho clássico.
- Versões a álcool: rendem menos quilômetros por litro do que as a gasolina, como é da natureza do combustível, e exigem carburador bem regulado e tanque sempre com bom nível para evitar problemas.
Na prática, um Opala com carburador desregulado, ignição fora de ponto ou arrefecimento ruim pode gastar bem mais do que esses valores, então parte da economia possível vem justamente de manter o carro bem ajustado. Como ele é comprado para hobby e passeio, e não para rodar muito todo dia, esse consumo mais alto costuma pesar pouco na conta de quem entende o que está levando.
Manutenção
A boa notícia é que a manutenção do Opala é simples e conhecida, feita em mecânica tradicional, sem depender de scanner nem de eletrônica complexa, e com forte comunidade e disponibilidade de peças para ajudar. Os itens que mais pedem atenção são:
- Regulagem do carburador: é uma das manutenções mais importantes, porque o carburador precisa estar limpo e ajustado para o carro andar bem, gastar o previsto e não falhar, principalmente nos motores a álcool.
- Ignição: seja no sistema por platinado, que pede ajuste e troca periódica, seja na ignição eletrônica instalada por muitos donos, manter a faísca em ordem garante partida fácil e funcionamento redondo, e velas e cabos entram nessa conta.
- Arrefecimento: de longe um dos pontos críticos, exigindo radiador limpo e sem entupimento, bomba d’água em boas condições, válvula termostática funcionando, mangueiras sem ressecamento e líquido de arrefecimento de verdade, porque é o que protege o motor do superaquecimento.
- Óleo e filtros: trocados no prazo com produto adequado, item básico de qualquer motor.
- Freios: pastilhas, lonas, discos ou tambores e fluido têm vida útil, e num carro antigo vale caprichar aqui por segurança.
- Suspensão e direção: buchas, pivôs, amortecedores, molas e caixa de direção se desgastam com as décadas e afetam conforto, dirigibilidade e segurança.
- Parte elétrica: por ser antiga, a fiação, os contatos e componentes envelhecem e pedem revisão, como você vê na seção de problemas.
Uma vantagem real do Opala é que, por ser mecanicamente simples e muito conhecido, é dos clássicos mais fáceis de mexer, com mecânico de carro antigo em quase toda cidade e peças de reposição encontráveis, o que reduz a dor de cabeça de manter o carro vivo. Ainda assim, o certo é seguir a orientação de quem entende de Opala e não esticar a manutenção do arrefecimento e da regulagem.
Problemas comuns
Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados em Opala ao longo dos anos e que merecem atenção num clássico, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa.
Ferrugem e lataria (o ponto número um)
- O que é: a corrosão da carroceria e da estrutura ao longo das décadas, que ataca com força o assoalho, os para-lamas, a caixa de ar embaixo do para-brisa, as bordas das portas e o porta-malas.
- Como perceber: bolhas na pintura, manchas de ferrugem, som diferente ao bater de leve na chapa, remendos de massa e carpete ou forro úmido escondendo o assoalho.
- Possíveis causas: idade, infiltração de água, chapa fina de época e falta de conservação, muitas vezes disfarçada por pintura recente.
- Gravidade: pode ser alta, porque ferrugem estrutural compromete a segurança e restauração de lataria é o serviço que mais encarece o carro.
- O que fazer: examinar a estrutura com calma, de preferência com quem entende, olhar embaixo do carpete e do porta-malas e desconfiar de pintura nova demais escondendo problema.
Superaquecimento e arrefecimento
- O que é: o motor esquentando além do normal por falha no sistema de refrigeração a água.
- Como perceber: ponteiro de temperatura subindo, cheiro doce de líquido, marca de água embaixo do carro ou perda de líquido no reservatório.
- Possíveis causas: radiador entupido ou velho, bomba d’água fraca, válvula termostática travada, mangueiras ressecadas ou falta de líquido.
- Gravidade: alta, porque rodar superaquecido pode estragar o motor, ainda mais o 6 cilindros.
- O que fazer: se a temperatura disparar, não insista, pare com segurança e avalie, e mantenha o arrefecimento sempre revisado.
Carburador desregulado
- O que é: o carburador sujo ou fora de ajuste prejudicando a mistura de ar e combustível.
- Como perceber: dificuldade de dar partida, marcha lenta oscilando, engasgos, falha e consumo alto, principalmente nos motores a álcool.
- Possíveis causas: falta de regulagem periódica, sujeira, combustível parado no tanque e desgaste de componentes.
- Gravidade: média, mais ligada a funcionamento e consumo do que a risco imediato, mas incomoda bastante no dia a dia.
- O que fazer: limpeza e regulagem com quem conhece carburador de carro antigo, mantendo o carro rodando com alguma frequência.
Parte elétrica antiga
- O que é: a fiação e os componentes elétricos envelhecidos, típicos de um carro com décadas de uso.
- Como perceber: falhas intermitentes, luzes que não acendem, mau contato, problemas no sistema de carga e sustos com o funcionamento elétrico.
- Gravidade: média, porque atrapalha o uso e, em casos de fiação malfeita, pode ser risco, então vale caprichar aqui.
- O que fazer: revisão da parte elétrica por profissional, corrigindo emendas mal feitas e componentes ressecados.
Folga de suspensão e direção
- Como perceber: barulhos ao passar em buraco, trepidação, o carro puxando para um lado ou volante com folga, sinais naturais de peças desgastadas pelo tempo.
- Gravidade: média a alta, porque mexe com conforto, dirigibilidade e segurança.
Trincas de longarina no 6 cilindros
- O que é: a estrutura que sustenta o conjunto mecânico pode apresentar trincas, relatadas com mais frequência em carros com o 6 cilindros mais pesado e muito exigidos ao longo dos anos.
- Como perceber: exige olhar atento de um profissional na estrutura dianteira, principalmente em carros que rodaram bastante ou levaram batida.
- Gravidade: pode ser séria, então entra na lista de itens a checar na compra.
Originalidade e modificações
- O que é: por ser clássico, muitos Opala foram alterados ao longo das décadas, com troca de motor, pintura fora da cor original, itens que não são de fábrica e adaptações.
- Por que importa: originalidade influencia diretamente o valor de coleção, então vale conferir numeração, procedência e o quanto o carro se afastou do que saiu de fábrica.
Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade, porque um Opala bem conservado e cuidado é um carro gostoso e confiável dentro da proposta de clássico.
Quando você deve se preocupar
Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:
- ponteiro de temperatura subindo demais, que num Opala é um alerta sério por causa do risco ao motor;
- fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
- vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
- barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
- perda de força ou o carro engasgando e falhando, muitas vezes ligados a carburador ou ignição;
- cheiro forte de combustível, que num carro a carburador merece atenção redobrada;
- direção com folga ou o carro puxando para um lado;
- freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando para um lado;
- dificuldade para dar partida de forma recorrente.
Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança que entenda de carro antigo antes de continuar rodando, porque num clássico o cuidado preventivo vale mais do que o conserto depois.
Vale a pena comprar um Chevrolet Opala usado?
Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa muito mais do que o ano no papel, e num clássico vale lembrar que a compra é de hobby e paixão, não de economia, mas ainda assim dá pra pesar os pontos.
Pontos positivos
- É um dos clássicos nacionais mais desejados, com forte valor afetivo e de coleção, principalmente nas versões 6 cilindros e nos nomes Comodoro, Diplomata e SS.
- Tem mecânica simples, robusta e conhecida, fácil de mexer, com mecânico de carro antigo em quase toda parte.
- Conta com comunidade forte de opaleiros e boa disponibilidade de peças, o que ajuda muito a manter o carro vivo.
- O 6 cilindros entrega um prazer de dirigir e um ronco que poucos clássicos oferecem, e a Caravan agrega espaço à mesma receita.
Pontos de atenção
- Não é econômico nem prático como carro de uso diário, e o consumo é alto para os padrões atuais.
- A ferrugem é o maior inimigo, e restauração de lataria custa caro, podendo passar do valor do próprio carro se estiver ruim.
- Precisa de cuidado constante com arrefecimento, carburador, ignição e parte elétrica antiga.
- Originalidade e procedência pesam muito no valor, então carro modificado ou de origem duvidosa merece cautela.
Resumindo de forma honesta, um Opala bem conservado, com lataria sã, mecânica em ordem e boa procedência, é um clássico que dá orgulho e tende a se valorizar, enquanto um exemplar cheio de ferrugem, modificado ou malcuidado pode virar um poço de dinheiro em restauração, então o foco tem que estar no estado, na originalidade e no histórico, e não apenas no preço de anúncio.
Checklist de compra
Se puder, leve alguém que entenda de carro antigo, e confira com calma cada um destes pontos:
- Lataria e estrutura, procurando ferrugem no assoalho, para-lamas, caixa de ar, bordas das portas e porta-malas, inclusive embaixo do carpete
- Sinais de massa ou remendo escondendo corrosão, e pintura nova demais tentando disfarçar problema
- Motor, observando partida, marcha lenta, ausência de fumaça anormal e barulho estranho, com atenção ao arrefecimento
- Temperatura, que deve estabilizar depois de esquentar, sem superaquecer nem vazar água
- Carburador e ignição, avaliando se o carro pega fácil, não engasga e mantém marcha lenta estável
- Longarinas e estrutura dianteira, principalmente nos carros com 6 cilindros
- Câmbio e embreagem, com trocas suaves e sem patinar
- Suspensão e direção, sem folga, batida em buraco ou o carro puxando para um lado
- Freios, que devem parar reto e com pedal firme
- Parte elétrica, incluindo luzes, painel e ausência de emendas malfeitas
- Originalidade, conferindo motor, numeração, cor e itens compatíveis com a versão anunciada
- Documentação em dia e sem pendências, verificando também a situação de placa preta ou de coleção quando aplicável
- Procedência do carro e histórico de restauração ou manutenção, de preferência com registros
Preço e tabela FIPE
Aqui não inventamos preço, e no caso do Opala é ainda mais importante entender que ele é um clássico e por isso foge da lógica da FIPE comum, aquela que serve bem para carros de uso corrente.
A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mas num carro de coleção como o Opala ela conta só parte da história, porque o valor real depende muito do estado, da originalidade e da raridade da versão. Um Opala 6 cilindros bem conservado, ou versões como Comodoro, Diplomata e a esportiva SS, costumam ser bem valorizados no mercado de colecionador, às vezes bem acima do que uma tabela genérica sugeriria, enquanto um carro cheio de ferrugem ou muito modificado vale bem menos, ainda que seja o mesmo ano e a mesma versão no papel.
O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial apenas como ponto de partida, e então comparar com anúncios de Opala em estado e originalidade semelhantes, conversando com a comunidade de opaleiros para entender o valor de mercado daquela configuração específica. Desconfie tanto de quem pede muito acima sem justificar com estado e procedência quanto de quem vende muito barato, porque preço baixo demais num clássico quase sempre esconde ferrugem, motor trocado ou documentação complicada.
Custos de manutenção
Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina, a versão e a raridade do item.
O que dá pra dizer com honestidade é que o Opala tem a seu favor a mecânica simples e a comunidade forte, o que mantém boa parte das peças de manutenção comuns acessíveis e o serviço básico relativamente barato em oficina de carro antigo. Por outro lado, dois pontos podem sair caro: a restauração de lataria, quando há ferrugem séria, que é o item que mais encarece um Opala, e algumas peças de originalidade ou específicas de versão, como itens de acabamento raros das versões de luxo e da SS, que podem ser difíceis de achar e valorizadas. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar e ouvir quem já cuida de Opala.
Óleo e fluidos
Confira sempre a orientação de quem entende de Opala e o que era indicado para o motor do seu carro, mas, como referência, vale saber que a especificação varia entre o 4 e o 6 cilindros e conforme o ano e o combustível.
- Óleo do motor: deve ser de viscosidade e tipo adequados ao motor, trocado no prazo, item básico para a durabilidade do conjunto, ainda mais num carro antigo.
- Líquido de arrefecimento: aqui não dá pra economizar, porque o Opala depende de aditivo de arrefecimento de verdade na proporção certa, e não apenas água, para proteger o motor do superaquecimento e da corrosão interna.
- Fluido de freio: tem validade e absorve umidade com o tempo, então precisa ser trocado periodicamente para manter a frenagem segura.
- Óleo de câmbio e do diferencial: por ser tração traseira, o Opala tem o diferencial no eixo de trás, que também pede óleo próprio em dia.
Como sempre, a regra num clássico é não improvisar produto nem esticar troca, principalmente no arrefecimento, e seguir a orientação de quem conhece a mecânica do carro.
Pneus e rodas
A medida muda conforme o ano e a versão, e muitos Opala hoje rodam com rodas e pneus diferentes dos originais por conta de modificações feitas ao longo das décadas, então o ideal é conferir o que aquele carro específico usa e o que é adequado para ele.
Quem busca originalidade de coleção costuma procurar as rodas e medidas de época corretas para a versão, o que valoriza o carro, enquanto quem usa o Opala mais para passear às vezes opta por conjuntos um pouco diferentes. Em qualquer caso, o certo é calibrar na pressão recomendada, manter os quatro pneus em bom estado e evitar medidas muito distantes da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, na dirigibilidade e na segurança de um carro que já é de tração traseira e pede respeito no piso molhado.
Desempenho
Como referência, e lembrando que o Opala é um clássico dos anos 1960 a 1990, o desempenho tem que ser entendido dentro da proposta e da época, não comparado a um carro moderno.
- 4 cilindros 2.5: anda de forma satisfatória para a proposta, é mais leve na frente e agrada quem quer o Opala clássico sem gastar tanto, embora não tenha o fôlego do 6 cilindros.
- 6 cilindros 4.1: é o motor que fez a fama do carro, com muita força, retomada macia em qualquer rotação e aquele ronco característico, entregando um desempenho que era referência no mercado nacional da época.
- SS e versões esportivas: com o 6 cilindros mais preparado, eram das opções mais rápidas do país no seu tempo, e por isso são tão desejadas hoje.
Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam bastante conforme o ano, o motor, o câmbio e o combustível, e num clássico dependem muito do estado e da regulagem, então o mais útil é entender que o 6 cilindros é o coração do prazer de dirigir um Opala e tratar qualquer número específico como referência.
Conforto e equipamentos
O Opala foi, para a sua época, um carro de bom porte e conforto, principalmente nas versões de luxo, então quem busca a experiência de um clássico confortável costuma se agradar, desde que ajuste as expectativas ao tempo do carro. As versões mais simples, como Standard e Especial, têm acabamento básico, enquanto Comodoro e Diplomata trazem o melhor de conforto e acabamento do modelo, com bancos mais requintados e itens de época que faziam a diferença.
Os equipamentos variam muito conforme o ano e a versão, de modo que itens como direção mais assistida, acabamentos em tecido ou material mais nobre, detalhes cromados e conveniências apareciam sobretudo nas versões de luxo, enquanto as de entrada eram bem espartanas, e a perua Caravan somava espaço de carga à mesma receita. Na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem e se o acabamento é original ou foi refeito, porque num clássico a originalidade dos detalhes conta tanto para o prazer de uso quanto para o valor.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o Opala 4 cilindros e o 6 cilindros? O 4 cilindros é o motor 2.5, mais leve na frente, mais econômico e mais barato de manter, enquanto o 6 cilindros, que começou 3.8 e depois virou o famoso 4.1, é mais macio, tem bem mais força e torque e aquele ronco característico que fez a fama do carro, sendo o motor das versões mais valorizadas como Comodoro, Diplomata e SS, então o 4 cilindros agrada quem quer gastar menos e o 6 cilindros quem quer o Opala clássico de desempenho e coleção.
O Chevrolet Opala é econômico? Não do jeito que um carro moderno é, porque ele foi projetado nos anos 1960 e 1970 e hoje é comprado como hobby e passeio, não como econômico de uso diário, sendo que o 4 cilindros a gasolina costuma fazer algo na casa de 7 a 9 km/l e o 6 cilindros gasta mais ainda, tudo aproximado e muito dependente do estado do motor, da regulagem do carburador e da forma de dirigir.
Qual o maior problema do Opala usado? De longe é a ferrugem na lataria, que costuma atacar o assoalho, os para-lamas, a caixa de ar embaixo do para-brisa e o porta-malas, muitas vezes escondida sob a pintura, além do superaquecimento quando o arrefecimento está descuidado e do carburador desregulado, então antes de comprar vale examinar bem a estrutura e a procedência, porque restauração de lataria é o que mais encarece o carro.
O Opala tem tração traseira? Sim, todo Opala é de tração traseira, ou seja, quem empurra o carro são as rodas de trás, o que ajuda no equilíbrio e faz parte do charme de dirigir um clássico, mas também pede um pouco mais de cuidado em piso molhado do que os carros modernos de tração dianteira.
Quanto custa um Chevrolet Opala na tabela FIPE? O Opala é um clássico e por isso foge da lógica da FIPE comum, já que o valor depende muito do estado, da originalidade e da raridade da versão, com o 6 cilindros e modelos como Comodoro, Diplomata e SS bem valorizados no mercado de colecionador, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é usar a FIPE só como ponto de partida e comparar com anúncios de carros parecidos e em estado semelhante.
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