Renault Duster: Preço, FIPE, Consumo, Problemas e Mais

2011 em diante (1ª geração 2011 a 2020 e 2ª geração de 2021 em diante)

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O Renault Duster é o SUV compacto da Renault feito no Brasil e teve duas fases: a 1ª geração, de 2011 a 2020, ficou conhecida pela robustez, pela boa altura livre do solo e pela opção de tração 4x4 nas versões 2.0, com motores 1.6 e 2.0 flex e câmbio manual, automático de 4 marchas ou CVT, sendo um dos SUVs mais em conta e resistentes do mercado, enquanto a 2ª geração, de 2021 em diante, trouxe visual mais moderno, o motor 1.6 SCe e o forte 1.3 turbo TCe, quase sempre com câmbio CVT, mas abriu mão da tração 4x4 e do motor 2.0 no Brasil. No usado, o ponto que mais pede atenção na fase nova é o câmbio CVT, que em algumas unidades apresenta trancos e é caro de consertar, enquanto na fase antiga aparecem mais itens elétricos, de arrefecimento e de acabamento simples, então o que decide se vale a pena é o estado e o histórico daquela unidade, e não o ano, e para preço o certo é consultar a tabela FIPE oficial.

Renault Duster 1ª geração branco, SUV compacto, visto de frente e de lado
Foto: Matti Blume, CC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons). Ilustrativa, Renault Duster primeira geração (versão Tech Road).

Se você acabou de comprar ou está pensando em comprar um Renault Duster, esta página é pra você, e a ideia é explicar tudo em português de gente, sem achar que você já entende de mecânica.

O Duster é o SUV compacto da Renault fabricado no Brasil e foi um dos que popularizaram a categoria por aqui, justamente por juntar postura de utilitário, boa altura em relação ao chão e preço mais em conta que a média, agradando quem queria um carro alto e resistente sem gastar muito. Ele existe em duas fases bem diferentes, o que é importante entender antes de qualquer coisa. A 1ª geração, lançada em 2011 e produzida até 2020, é a mais rústica e robusta, com motores 1.6 e 2.0, opção de tração 4x4 nas versões 2.0 e vários tipos de câmbio ao longo dos anos. Já a 2ª geração, que chegou como linha 2021, ganhou visual mais moderno, o motor 1.3 turbo e o 1.6 SCe, quase sempre com câmbio CVT, mas deixou de oferecer a tração 4x4 e o motor 2.0 no Brasil, ficando mais confortável e urbana.

Como são carros com propostas diferentes, principalmente quando se fala de aventura e de tração, esta página trata das duas fases e deixa claro em cada ponto de qual delas está falando. Nas seções abaixo você encontra a ficha básica, os motores que ele teve, o consumo, os problemas que mais aparecem, como é a manutenção, como pensar em preço e FIPE e o que olhar antes de fechar negócio em um Duster usado.

Resumo rápido

Os dados abaixo servem como referência e podem mudar conforme a versão exata, o ano, o combustível e o estado do carro, sendo que o consumo é sempre aproximado. Para ilustrar as duas fases, a tabela compara um Duster 1.6 da 1ª geração com o novo Duster 1.3 turbo da 2ª geração.

ItemDuster 1.6 (1ª geração)Duster 1.3 turbo (2ª geração)
MarcaRenaultRenault
CategoriaSUV compactoSUV compacto
Motor1.6 16v, aspirado, flex1.3 16v turbo, flex
Potênciacerca de 110 cv na gasolina e 115 cv no etanol (mais tarde 118 e 120 cv)cerca de 162 cv na gasolina e 170 cv no etanol
Torqueperto de 15 a 16 kgfmperto de 27,5 kgfm em giro baixo
Câmbiomanual de 5 marchas ou CVTautomático do tipo CVT
Traçãodianteira (4x2)dianteira (4x2)
Combustívelflexflex
Tanquecerca de 50 litroscerca de 50 litros
Porta-malaspor volta de 475 litrospor volta de 470 a 475 litros
Altura livre do soloalta, boa para estrada de terraalta, boa para estrada de terra
Consumo na cidadeperto de 8 a 10 km/l (gasolina)perto de 9 a 11 km/l (gasolina)
Consumo na estradaperto de 11 a 12 km/l (gasolina)perto de 12 a 14 km/l (gasolina)

Vale notar que a 1ª geração também teve o motor 2.0 16v, mais forte (na casa dos 138 cv na gasolina e 142 cv no etanol), que era justamente o que trazia a opção de tração 4x4 e o câmbio automático de 4 marchas, e que a partir de 2016 o 1.6 antigo foi trocado pelo 1.6 SCe, um pouco mais potente e eficiente, presente também na 2ª geração.

História do modelo

O Renault Duster nasceu como um projeto global da Renault com a sua marca Dacia, pensado para ser um SUV robusto e acessível, e chegou ao Brasil em 2011 já fabricado localmente, na fábrica do Paraná, o que ajudou a colocar o preço em um patamar competitivo e a garantir boa oferta de peças. Desde o começo ele apostou em uma receita clara, unindo postura de utilitário, boa altura livre do solo e mecânica simples e resistente, com a opção de tração 4x4 que poucos rivais da faixa ofereciam, o que conquistou quem morava em região de estrada de terra ou queria um carro para encarar chão ruim sem medo.

Essa 1ª geração passou por uma reestilização por volta de 2016, que mexeu na frente, no interior e nos itens de equipamento, e nessa época o motor 1.6 antigo deu lugar ao 1.6 SCe, mais moderno, além da chegada de opções de câmbio automático do tipo CVT em algumas versões. Ao longo dos anos o Duster ganhou várias séries e versões, como Expression, Dynamique, Tech Road, Dakar e edições especiais, sempre reforçando a imagem de SUV robusto e com bom custo-benefício, e se firmou como uma opção conhecida de usado, com fama de aguentar o tranco.

A virada veio em 2020, quando a Renault lançou a 2ª geração já como linha 2021, com um visual mais moderno e arredondado, interior renovado, direção elétrica no lugar da antiga eletro-hidráulica e mais itens de conforto e tecnologia. Nessa nova fase a Renault reposicionou o carro para um uso mais urbano e confortável, e por isso, no Brasil, deixou de oferecer a tração 4x4 e o motor 2.0, apostando no 1.6 SCe e, no topo, no forte motor 1.3 turbo TCe, quase sempre com câmbio CVT. Ou seja, o novo Duster ficou mais refinado e mais econômico em desempenho por litro, mas perdeu parte da vocação aventureira que marcava a fase antiga.

Versões e motores

Como o Duster teve duas gerações com opções bem diferentes, o mais útil é separar por fase.

Na 1ª geração (2011 a 2020) você vai encontrar basicamente:

  • 1.6 16v flex (Hi-Flex e depois SCe): o motor de entrada, econômico e suficiente para o uso urbano e de estrada tranquila, com câmbio manual e, mais tarde, opção de CVT, presente em versões como Expression e Dynamique, sempre com tração dianteira.
  • 2.0 16v flex (Hi-Flex): o motor mais forte da fase, com bom fôlego para carro cheio e para estrada, que oferecia câmbio manual de 6 marchas ou automático de 4 marchas e, principalmente, a opção de tração 4x4, sendo a escolha de quem queria capacidade fora de estrada, presente em versões mais completas e nas séries aventureiras como Dakar.

Na 2ª geração (2021 em diante) as opções passaram a ser:

  • 1.6 SCe flex: o motor de entrada da fase nova, aspirado, com câmbio manual ou CVT e tração dianteira, presente nas versões de entrada e intermediárias.
  • 1.3 TCe turbo flex: o motor mais potente da linha, um turbinado moderno que entrega bastante força em giro baixo, sempre com câmbio CVT, presente nas versões mais completas como as de topo (por exemplo a Iconic), voltado a quem quer mais desempenho e refinamento.

Uma dica honesta, que vale para qualquer Duster, é não confiar só no nome da versão, porque ao longo dos anos os pacotes de equipamento e as combinações de motor, câmbio e tração mudaram bastante, então o que importa mesmo é conferir na hora o que aquele carro específico realmente tem, incluindo se é 4x2 ou 4x4, e como ele está de mecânica e de estado geral.

Motor e mecânica

Aqui vale entender as diferenças entre as fases, porque a filosofia mudou bastante.

Na 1ª geração, os motores 1.6 e 2.0 são unidades aspiradas, ou seja, sem turbo, e isso traz uma característica importante:

Motor aspirado: é o motor que “respira” o ar naturalmente, sem um turbo empurrando ar sob pressão para dentro. Na prática, tende a ser mais simples, com menos peças que podem falhar e menos exigência de cuidado com o óleo do que um motor turbo, o que ajuda na durabilidade e costuma baratear a manutenção, embora normalmente renda um pouco menos de força para o mesmo tamanho, o que combina com a fama rústica e resistente do Duster antigo.

Nas versões 2.0 com tração 4x4, entra outro ponto que faz o Duster ser lembrado:

Tração 4x4: é o sistema que envia força para as quatro rodas, e não só para as dianteiras, o que ajuda muito em piso escorregadio, lama, areia e subida de terra, dando ao carro capacidade fora de estrada que a maioria dos SUVs de rua não tem. No Duster 4x4, esse sistema é acionável pelo motorista, e junto com a boa altura livre do solo é o que torna a versão 2.0 4x4 a queridinha de quem vive em região de chão ruim, valendo conferir bem o funcionamento desse conjunto na hora de comprar.

Esses motores da 1ª geração são conhecidos por serem resistentes e sem grandes vilões, e o que mais aparece de relato não costuma ser uma pane grave de motor, e sim itens elétricos, do sistema de arrefecimento e de acabamento, que você vê na seção de problemas.

Na 2ª geração, o destaque é o motor 1.3 turbo TCe, e aqui a conversa muda:

Motor turbo: é o motor que usa um turbocompressor, uma peça que aproveita os gases do escapamento para empurrar mais ar para dentro, o que faz um motor pequeno entregar a força de um motor maior. Isso melhora o desempenho e ajuda no consumo, mas exige mais disciplina com a troca de óleo em dia e na especificação certa, porque o turbo e o motor menor trabalham mais quentes e mais exigidos, então o óleo velho ou fora da norma prejudica mais do que em um aspirado.

O 1.3 turbo é um motor moderno, forte e agradável de dirigir, mas o ponto que mais pede atenção na 2ª geração não é o motor em si, e sim o câmbio CVT que costuma acompanhá-lo, como você vê logo abaixo.

Consumo

Os valores abaixo são de referência e mudam bastante entre gasolina e etanol, já que o Duster é flex e o etanol sempre rende menos quilômetros por litro.

Na 1ª geração:

  • 1.6 com gasolina: perto de 8 a 10 km/l na cidade e cerca de 11 a 12 km/l na estrada, um consumo razoável para um SUV robusto desse tamanho.
  • 2.0 com gasolina: mais gastão que o 1.6, por ter mais motor, mais peso e, no caso da 4x4, o sistema de tração, ficando abaixo desses números na cidade, o que é o preço de ter mais força e capacidade fora de estrada.

Na 2ª geração:

  • 1.6 SCe com gasolina: consumo parecido com o do 1.6 antigo ou um pouco melhor, ajudado pela evolução do motor e do câmbio CVT.
  • 1.3 turbo com gasolina: entrega bem mais desempenho com consumo parecido ou até melhor que o do 2.0 antigo, ficando na casa dos 9 a 11 km/l na cidade e 12 a 14 km/l na estrada, aproveitando o motor menor turbinado.
  • No etanol: em qualquer motor, espere um consumo bem menor, na ordem de vários quilômetros por litro a menos, já que é da natureza do combustível render menos.

Na vida real o consumo depende de vários fatores, como o trânsito, o estado do motor, a calibragem dos pneus, o seu estilo de dirigir, o peso e a carga, o ar-condicionado ligado e a manutenção em dia, então trate esses números como estimativa, e não como promessa.

Manutenção

O básico pra manter um Duster saudável envolve alguns itens, sendo eles:

  • Óleo e filtro de óleo: importante em qualquer versão e ainda mais crítico no 1.3 turbo da 2ª geração, que por ser turbinado exige a troca no prazo e com o óleo exatamente na especificação certa, conforme a seção de óleo mais abaixo.
  • Filtros de ar e de combustível: que são baratos e fazem diferença no funcionamento e no consumo.
  • Velas e bobinas: responsáveis pela ignição, sendo que, quando estão gastas, causam falha, engasgo e aumento de consumo.
  • Correia dentada ou corrente de distribuição: peça que sincroniza o movimento interno do motor, cujo tipo e intervalo mudam conforme o motor, então o certo é conferir no manual do seu carro qual é o caso e não deixar passar uma eventual troca, principalmente nos motores que usam correia de borracha.
  • Correia dos acessórios (do alternador e afins): que costuma ressecar com o tempo e pedir troca.
  • Bateria: que de tempos em tempos chega ao fim e precisa ser substituída.
  • Sistema de arrefecimento: cujas mangueiras, a bomba d’água e o líquido de arrefecimento têm vida útil, ponto de atenção principalmente na 1ª geração, como você vê logo abaixo.
  • Câmbio: o manual pede cuidados diferentes conforme o tipo, e no caso do CVT da 2ª geração a troca do óleo específico no intervalo certo é um cuidado importante para evitar trancos e desgaste.
  • Sistema 4x4 (quando houver): que nas versões 2.0 4x4 tem seus próprios pontos de manutenção e merece checagem, já que é um diferencial dessas unidades.
  • Freios: cujas pastilhas, discos e fluido têm vida útil.
  • Suspensão: cujos amortecedores, batentes, coxins e buchas se desgastam e afetam o conforto e a segurança, item que aparece em relatos da 2ª geração.
  • Pneus: conforme a seção de pneus.

Não vamos publicar intervalos exatos de troca sem fonte confiável, porque o certo é seguir o manual do proprietário do carro, e, à medida que dados confiáveis forem levantados, eles entram aqui. No caso do câmbio CVT e do motor turbo, respeitar os intervalos do manual não é só recomendação, é o que protege as peças mais caras de eventualmente consertar.

Problemas comuns

Vale deixar claro que nada aqui acontece em todos os carros, já que o que segue são pontos relatados por proprietários e que merecem atenção, lembrando sempre que o estado de cada unidade é o que mais importa. Separamos por fase porque os pontos fracos são diferentes.

2ª geração: câmbio CVT com trancos ou falhas

  • O que é: o câmbio automático do tipo CVT, presente nas versões 1.6 e 1.3 turbo da fase nova, é o ponto que mais aparece em relatos, com queixas de trancos, ruídos, hesitação e, em casos mais graves, falha da transmissão.
  • Como perceber: no teste, sinta se a aceleração é linear e sem solavancos, se não há ruídos estranhos ou vibração vinda do câmbio e se o carro responde bem ao pedal sem hesitar demais.
  • Possíveis causas: podem envolver ajuste, desgaste ou defeito da transmissão, e a falta da troca do óleo específico piora o quadro.
  • Gravidade: pode ser alta, porque o conserto do CVT é caro e, em relatos, chega a valores altos mesmo em carros com pouca quilometragem.
  • O que fazer: testar muito bem em diferentes velocidades, valorizar unidades com histórico de revisão e, na dúvida, pedir avaliação em uma concessionária ou especialista antes de fechar negócio.

2ª geração: amortecedores dianteiros e suspensão

  • Como perceber: relatos de vazamento nos amortecedores dianteiros logo cedo, além de barulhos e sensação de suspensão trabalhada em piso ruim.
  • Gravidade: média, ligada a conforto e segurança, e vale checar no teste e na inspeção.

2ª geração: acabamento e central multimídia

  • Como perceber: queixas de acabamento simples, plásticos que rangem e eventuais falhas na central multimídia, como travamento ou problema de conexão.
  • Gravidade: baixa a média, mais ligada a conforto e conveniência do que a mecânica.

1ª geração: parte elétrica

  • Como perceber: falhas em itens elétricos como vidros, travas, sensores, painel e módulos, que podem aparecer com o tempo.
  • Gravidade: média, porque atrapalha o funcionamento e pode deixar você na mão, e vale testar tudo com calma.

1ª geração: sistema de arrefecimento

  • O que é: são as peças que controlam a temperatura do motor, como mangueiras, bomba d’água e componentes que com o tempo ressecam e podem vazar.
  • Como perceber: a temperatura sobe mais que o normal, aparece marca de água ou líquido embaixo do carro, ou surge um cheiro doce.
  • Gravidade: pode ser séria, porque rodar superaquecido estraga o motor.
  • O que fazer: se a temperatura disparar, não insista, pare com segurança e avalie, e nas revisões fique de olho no estado das mangueiras e do arrefecimento.

1ª geração: acabamento simples e ruídos

  • Como perceber: acabamento espartano, plásticos duros e alguns rangidos, típicos de um carro de proposta mais rústica e barata.
  • Gravidade: baixa, mais ligada a conforto do que a segurança ou funcionamento.

Em textos e anúncios, vale encarar essas coisas como “pode ocorrer” e “merece atenção”, e não como sentença certa pra qualquer unidade.

Quando você deve se preocupar

Alguns sinais pedem parar ou procurar um profissional logo, como:

  • luz de óleo acesa ou temperatura do motor subindo além do normal;
  • fumaça saindo do motor ou do escapamento em excesso;
  • vazamento de óleo ou de água embaixo do carro;
  • trancos fortes, ruídos ou hesitação clara no câmbio, principalmente no CVT da 2ª geração;
  • barulhos novos e estranhos, principalmente metálicos vindos do motor;
  • perda de força ou o carro “engasgando” e falhando, o que no 1.3 turbo pode envolver o próprio turbo;
  • dificuldade pra ligar;
  • cheiro forte de combustível;
  • freio diferente do normal, seja mole, baixo ou puxando pra um lado.

Sempre que houver risco de dano ou de segurança, o certo é levar a um mecânico de confiança antes de continuar rodando, e no caso do câmbio CVT vale a avaliação em uma concessionária ou especialista, porque é uma peça cara de consertar.

Vale a pena comprar um Renault Duster usado?

Não existe resposta única, porque o estado da unidade importa mais do que o ano no papel, mas ainda assim dá pra pesar alguns pontos, lembrando que a resposta muda conforme a fase do carro.

Pontos positivos

  • É um SUV compacto com boa altura livre do solo, postura robusta e porta-malas generoso, ótimo para quem quer um carro alto e prático.
  • A 1ª geração 2.0 4x4 oferece capacidade fora de estrada rara nessa faixa de preço, sendo indicada para estrada de terra e trilha leve.
  • Costuma ter bom custo-benefício, com preço em conta na compra e mecânica em boa parte simples, além de boa oferta de peças por ser fabricado no Brasil.
  • A 2ª geração traz visual moderno, interior mais confortável e o forte e econômico motor 1.3 turbo.

Pontos de atenção

  • O câmbio CVT da 2ª geração merece um teste caprichado, porque em algumas unidades dá trancos e é peça cara de consertar.
  • A 1ª geração pede atenção com itens elétricos, arrefecimento e acabamento simples, típicos da proposta rústica.
  • O 2.0 da 1ª geração é mais gastão, o que pesa no bolso de quem roda muito na cidade.
  • A 2ª geração no Brasil não tem 4x4 nem 2.0, então quem quer aventura de verdade deve procurar a fase antiga.

Resumindo de forma honesta, um Duster bem cuidado costuma ser um usado robusto e de bom custo-benefício, seja uma 2.0 4x4 antiga para encarar chão ruim, seja um 1.3 turbo moderno e confortável, enquanto um exemplar malcuidado, principalmente com câmbio CVT nunca revisado ou com arrefecimento e elétrica negligenciados, pode trazer custos altos, então o foco tem que estar no estado, no teste e no histórico.

Checklist de compra

Se puder, leve alguém que entenda, e confira com calma cada um destes pontos:

  • Motor, observando partida, marcha lenta estável e ausência de fumaça ou barulho estranho
  • Câmbio, testando trocas suaves, e no CVT da 2ª geração atenção redobrada a trancos, ruídos e hesitação em várias velocidades
  • Histórico de revisões e da troca de óleo do câmbio, de preferência com notas e comprovação
  • Sistema 4x4, nas versões 2.0 4x4, checando o acionamento e o funcionamento da tração
  • Temperatura e arrefecimento, principalmente na 1ª geração, sem vazamento de água nem superaquecimento
  • No 1.3 turbo, atenção a ruídos ou perda de força que possam envolver o turbo
  • Suspensão e amortecedores, sem vazamento nem batidas em buraco, ponto de atenção na 2ª geração
  • Direção, sem peso repentino, ruído ou folga
  • Freios, que devem parar reto e com pedal firme
  • Pneus, com desgaste parelho, todos iguais e em bom estado
  • Parte elétrica, incluindo vidros, travas, alarme, painel, sensores e luzes
  • Central multimídia, testando som, tela, câmera de ré e conexão do celular
  • Ar-condicionado, que deve gelar de verdade
  • Carroceria, sem sinais de batida, ferrugem, pintura desalinhada ou infiltração, atenção extra em carros usados no barro
  • Interior, com bancos e acabamento em ordem e sem cheiro de mofo ou água
  • Documentação em dia, sem pendências e sem restrição

Preço e tabela FIPE

Aqui não inventamos preço, porque o valor de um Renault Duster muda muito conforme a geração, a versão, o motor, a tração, o ano, a região e principalmente o estado da unidade, e há uma diferença grande entre um Duster 1.6 de entrada mais antigo e um novo Duster 1.3 turbo topo de linha.

A tabela FIPE é uma referência de preço médio de veículos usados no Brasil, publicada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, e serve como um ponto de partida pra saber quanto um modelo específico costuma valer no mercado. Ela não é um preço fixo nem uma garantia, porque um carro bem conservado, com baixa quilometragem e tudo funcionando pode valer acima da FIPE, enquanto um carro batido, com problema de câmbio ou documentação pendente vale bem menos.

O jeito certo de usar é consultar a FIPE oficial buscando exatamente a marca, o modelo, a versão e o ano do carro que você está olhando, e usar aquele valor como referência de negociação, comparando também com anúncios de carros parecidos na sua região. Desconfie tanto de quem pede muito acima da FIPE sem justificativa quanto de quem vende muito abaixo, porque preço bom demais costuma esconder algum problema, e no caso do Duster vale prestar atenção redobrada no câmbio CVT na fase nova e no estado geral na fase antiga antes de considerar que fez um bom negócio.

Custos de manutenção

Aqui também não inventamos preço, porque o valor de peça e de mão de obra muda muito conforme a cidade, a oficina e a versão do carro.

O que dá pra dizer com honestidade é que o Duster, por ser um modelo fabricado no Brasil e bastante vendido, tende a ter boa oferta de peças e mecânico acostumado com ele, o que ajuda no dia a dia. A 1ª geração, mais simples e rústica, costuma ter manutenção de motor tranquila, embora peça atenção com elétrica e arrefecimento, enquanto na 2ª geração o câmbio CVT é o componente que mais assusta no orçamento caso precise de reparo grande, seguido dos cuidados específicos do 1.3 turbo, o que reforça a importância da manutenção preventiva. Em qualquer caso, antes de comprar ou de fazer um serviço grande, o ideal é pedir orçamento em mais de um lugar.

Óleo e fluidos

Confira sempre o manual e a etiqueta do carro, mas, como referência, vale saber que a especificação muda conforme o motor:

  • Motores aspirados (1.6 e 2.0): costumam pedir óleos de viscosidade indicada pela Renault no manual, e por serem aspirados são um pouco mais tolerantes, embora seguir a recomendação seja sempre o certo.
  • 1.3 turbo: por ser um motor turbinado, é mais exigente, e usar exatamente o óleo na especificação e na viscosidade indicadas, além de não esticar a troca, é um cuidado importante para preservar o motor e o turbo.
  • Câmbio CVT: usa um fluido específico e sensível, com intervalo de troca próprio, item que ajuda a evitar trancos e desgaste e que não deve ser negligenciado nem substituído por um fluido qualquer.
  • Capacidade: varia conforme o motor, então o certo é seguir o que o manual do seu carro indica.

Usar um óleo ou fluido fora da especificação certa pode prejudicar a lubrificação e, no caso do CVT, é apontado como algo que agrava problemas de câmbio, então não troque a viscosidade nem a especificação por conta própria, e, para os demais fluidos, como freio e arrefecimento, siga o que o manual pede e use aditivo de arrefecimento de verdade, e não apenas água.

Pneus e rodas

A medida muda conforme a geração e a versão, com as configurações de entrada usando rodas menores e as versões mais completas e as séries aventureiras aparecendo com rodas maiores, geralmente indo de aro 16 a 17 conforme o acabamento e o ano, sempre com pneus de perfil que combina com a proposta alta do SUV.

O jeito certo de saber a medida e a pressão corretas do carro é olhar o adesivo na coluna da porta do motorista, ou o manual, e calibrar sempre pelo que estiver ali, evitando trocar a roda por outra muito diferente da original sem orientação, porque isso pode mexer no conforto, no consumo e na segurança, e em quem usa o carro em estrada de terra vale caprichar em pneus em bom estado.

Desempenho

Como referência, e lembrando que o Duster é um SUV compacto pensado mais para robustez e uso versátil do que para esportividade:

  • 1.6 aspirado (1ª geração): tem desempenho suficiente para a cidade e para viagens sem pressa, sendo o motor mais econômico da fase, ainda que peça um pouco mais de pé em subidas com o carro cheio.
  • 2.0 aspirado (1ª geração): é bem mais forte, com melhor fôlego para estrada e para carro carregado, e é o que equipa a versão 4x4, sendo a escolha de quem quer força e capacidade fora de estrada.
  • 1.6 SCe (2ª geração): parecido em proposta com o 1.6 antigo, um pouco mais moderno e eficiente, voltado a quem prioriza economia.
  • 1.3 turbo (2ª geração): é o mais potente de todos, com bastante força em giro baixo por causa do turbo, dando ao Duster novo um desempenho bem acima do que a fase antiga oferecia.

Não vamos cravar todos os números de 0 a 100 km/h e velocidade máxima porque eles variam conforme o ano, o motor, o câmbio e o combustível, então o mais útil é entender o posicionamento de cada motor e tratar qualquer número como estimativa.

Conforto e equipamentos

O Duster sempre teve como um dos seus pontos fortes o espaço e a versatilidade, com bom porta-malas, posição de dirigir alta e boa altura em relação ao chão, o que facilita a vida em piso ruim e transmite segurança. A 1ª geração é de proposta mais simples, com acabamento rústico e nível de conforto básico, ainda que resistente e prático, enquanto a 2ª geração deu um salto grande nesse quesito, com interior mais moderno, melhor acabamento, central multimídia e mais itens de conforto e segurança, aproximando o carro de um uso urbano refinado.

Os equipamentos variam muito conforme a versão e o ano, de modo que itens como central multimídia, câmera de ré, sensores de estacionamento, ar-condicionado, direção elétrica na fase nova e mais itens de segurança aparecem principalmente nas versões mais completas, enquanto as de entrada e boa parte da 1ª geração podem ser bem básicas, então, na hora de olhar um carro, vale conferir item por item o que aquela unidade realmente tem, sem confiar apenas no nome da versão.

Perguntas frequentes

Quantos quilômetros por litro faz o Renault Duster? Depende bastante do motor e do combustível, mas como referência o Duster 1.6 costuma andar perto de 8 a 10 km/l na cidade e 11 a 12 km/l na estrada com gasolina, o 2.0 da 1ª geração é mais gastão por ter mais motor e por equipar a versão 4x4, ficando abaixo disso na cidade, e o novo 1.3 turbo entrega mais desempenho com consumo parecido ou até melhor que o 2.0 antigo, sempre lembrando que com etanol o consumo cai bastante e que tudo isso é aproximado e muda conforme o trânsito e a forma de dirigir.

Qual o principal problema do Renault Duster usado? Na 2ª geração, o ponto que mais aparece em relatos é o câmbio CVT, que em algumas unidades apresenta trancos, ruídos ou hesitação e é caro de consertar caso falhe, além de queixas de amortecedores dianteiros com vazamento precoce, acabamento simples e central multimídia, enquanto na 1ª geração o que mais surge são itens elétricos, do sistema de arrefecimento e de acabamento, nada que condene o carro, mas que reforça a importância de um bom teste e de olhar o histórico de manutenção.

Qual a diferença entre a primeira e a segunda geração do Duster? A 1ª geração, de 2011 a 2020, é a mais robusta e rústica, com motores 1.6 e 2.0, opção de tração 4x4 nas versões 2.0 e câmbio manual, automático de 4 marchas ou CVT, enquanto a 2ª geração, de 2021 em diante, ganhou visual mais moderno, direção elétrica, o motor 1.3 turbo TCe mais potente e o 1.6 SCe, quase sempre com câmbio CVT, mas deixou de oferecer a tração 4x4 e o motor 2.0 no Brasil, ficando mais confortável e urbana e menos aventureira que a antiga.

O Renault Duster é bom para estrada de terra e trilha leve? A 1ª geração 2.0 com tração 4x4 é justamente a mais indicada para isso, porque tem boa altura livre do solo, tração nas quatro rodas acionável e postura robusta, dando conta de estrada de terra, areia e trilha leve com folga para um SUV de rua, enquanto as versões 4x2 e toda a 2ª geração no Brasil, que são só de tração dianteira, ainda se saem bem em estrada de terra pela altura do carro, mas não têm a capacidade fora de estrada da 4x4, então quem quer essa aptidão deve procurar uma 2.0 4x4 da fase antiga.

Quanto custa um Renault Duster na tabela FIPE? O preço varia muito conforme a geração, a versão, o motor, a tração, o ano e o estado de conservação, com uma diferença grande entre um Duster 1.6 de entrada mais antigo e um novo Duster 1.3 turbo topo de linha, então não dá pra cravar um número aqui, e o certo é consultar a tabela FIPE oficial pelo modelo, versão e ano exatos e usar aquilo como referência de mercado, e não como preço fixo.

Galeria

Fotos de Renault Duster enviadas por leitores do Carro Raiz.

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